André  Veríssimo
André Veríssimo 09 de janeiro de 2018 às 23:00

Mexia, mexe e mexerá

Chegou a haver dúvidas e o desfecho podia ter sido diferente. O currículo de gestor-estrela manchado pelo estatuto de arguido, o ataque às rendas da energia a provocar mossa no valor da empresa, o antagonismo verbal do Governo. Tudo motivos atendíveis para que os accionistas pudessem justificar outra escolha. Houve nomes atirados para a praça pública. E, no entanto, Mexia sucedeu a Mexia. Outra vez.
As declarações públicas dizem-nos que o Governo preferia outro rosto. Ainda no fim-de-semana o primeiro-ministro tinha voltado a acusar o CEO da EDP de ter sido mais dócil com o anterior Governo. Eduardo Catroga, ligado ao PSD, sai do cargo de "chairman" do Conselho Geral e de Supervisão (que tinha de deixar de qualquer forma) e entra Luís Amado, ex-ministro do PS (que já era vice), como independente. Mas o essencial, a liderança executiva, não mudou.

Numa empresa privada, quem manda são os accionistas e estes decidiram renovar a confiança no homem que há mais de dez anos lidera os destinos da eléctrica. Todos, desde os chineses – os que mais contam – aos espanhóis, árabes e portugueses. Mexia venceu, mas foi obrigado pelas circunstâncias a lutar . Foram necessários meses de negociações para chegar a um consenso. E a percepção de que a acusação sobre o caso das compensações dos CMEC não tem grandes pernas para andar.

A informação acabou por surgir com uma antecedência pouco habitual da data da assembleia-geral. A urgência percebe-se no adiantado da hora a que o comunicado com a proposta para os novos órgãos sociais apareceu na segunda-feira. E ela existia. A dúvida é paralisadora, quer para dentro da empresa, quer para fora dela. Está desfeita.

2017, o ano mais difícil de Mexia, acabou por não o derrubar. O estatuto de um dos mais poderosos e influentes homens do país esteve ameaçado, mas acabou reconfirmado. O gestor fará um quinto mandato à frente da EDP, perpetuando-se como o CEO há mais tempo em funções no PSI-20. Serão ao todo 15 anos, se o levar até ao fim.

O enorme salário continuará a gerar polémica. O Governo continuará a fazer marcação cerrada nas rendas da energia, por vezes confundindo o seu papel de definidor das orientações para o sector com o poder de interferir na gestão de uma empresa cujo capital já não está nas mãos do Estado português.

A regulação não será a única dor de cabeça que Mexia terá pela frente. Gerir a diminuição da montanha de dívida que o próprio ergueu, investir em novos "drivers" de crescimento e ao mesmo tempo manter uma remuneração elevada para os accionistas não será tarefa fácil. Mesmo para uma empresa com uma posição dominante no seu principal mercado. 
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comentários mais recentes
MEXIA, O MOÇO DE RECADOS DA CHINOCADA 10.01.2018

" MEXIA E A SUA VOCAÇÃO PARA TRAIR O SEU PRÓPRIO PAÍS " poderia ser o título de uma biografia.
De facto, ele funciona, em obediência aos chinocas, à maneira de um cãozinho fiel.
Para piorar as coisas, agora nega q a EDP pague ao Estado (no âmbito do actual Governo), o que pagou ao anterior.

Anónimo 10.01.2018

MEXIA ESTÁ A TORNAR-SE NUM DOS NOVOS DONOS DISTO TUDO!

Anónimo 10.01.2018

EU JÁ SAÍ DA EDP, SAIA VOCÊ TAMBÉM, SE AS PESSOAS SAÍREM EM MASSA ELES ATÉ BERRAM. ENQUANTO ESSA ESCÓRIA LÁ ESTIVER EU NUNCA MAIS VOLTO.

Mr.Tuga 10.01.2018

Um "crânio" insubstituível!
Mas, convenhamos, percebe-se que a EDPLê não queira arriscar substituir o XEO!
Num mercado tão "competitivo" e sem monopólio a EDPLê arriscava falir!
Nem é nada fácil arranjar um XEO crânio nas nossa elites para gerir esta empresa num mercado tao feroz...

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