André  Veríssimo
André Veríssimo 23 de agosto de 2017 às 23:00

O fantasma de Sócrates e as obras públicas

As grandes obras públicas vão voltar. O assunto causa calafrios, temos frescos na memória os gastos sumptuosos e nem sempre certeiros que em tempos recentes ajudaram a levar o país à bancarrota. A realidade é que o país precisa de investir em obras públicas e adiá-las irá afectar a economia.

O aeroporto de Lisboa é disso um caso paradigmático. O Humberto Delgado está a rebentar pelas costuras e deixou já de ser capaz de responder à procura – Carlos Lacerda, presidente executivo da ANA, estima que se estão a perder até 2,5 milhões de passageiros por ano.

O serviço nas horas de ponta é uma lástima. No terminal 2 torna-se quase impossível circular, tal o amontoado de gente. O conceito "low cost" é mal confundido com "low quality", transmitindo uma péssima imagem do país. A isto somam-se as horas sem fim para passar o controlo de passaportes, contas de outro rosário onde entra o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Valha-nos, ao menos, a desconvocação da greve marcada para quinta e sexta-feira.


Anda-se em outros aeroportos de metrópoles pela Europa fora e percebe-se a pequenez e insuficiência da infra-estrutura da capital portuguesa. E embora este aumento tão expressivo da procura fosse difícil de prever, há muito que existiam evidências de que o reforço do Humberto Delgado e a construção de um novo aeroporto eram necessárias. Acontece que o próprio contrato de concessão à Vinci impunha poucas condicionantes, uma forma de maximizar o encaixe inicial para o Estado: era então essa a prioridade imposta por Vítor Gaspar.  Agora, quatro anos depois, até já se admite que nem o Montijo, que só estará pronto lá para 2022, evita a construção de outra infra-estrutura.


Não é só o aeroporto, nem apenas Lisboa. São os investimentos urgentes que é preciso fazer na ferrovia, nos portos, na melhoria da mobilidade urbana em várias cidades do país. Há dinheiro europeu. Dobrado o cabo mais difícil da consolidação orçamental, começa também a haver dinheiro do Estado para investir nas obras públicas. O primeiro-ministro deu o pontapé de saída no novo ciclo desafiando o PSD para um acordo parlamentar que permita um consenso nesta matéria. Um consenso que seria bem-vindo.

Percebe-se a tentação de evocar o fantasma do socratismo, como fez o líder parlamentar do PSD. Mas fazê-lo para demonizar as obras públicas é um erro. Já não o é para sublinhar que a próxima vaga tem de obedecer a critérios de racionalidade e sustentabilidade económica, ser feita à medida das possibilidades financeiras do Estado, sem criar ónus ainda mais excessivos sobre as próximas gerações, nem alimentar clientelas.
A sua opinião9
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 4 semanas

Eu acho que o PS deve falar com os seus compinchas do cozinhado pós-eleitoral, nesta matéria e em todas as outras questões. O PSD não se deve limitar a ser uma moleta para usar quando dá jeito e a seguir se deita fora. Deve haver coerencia e vergonha na cara na politica.

comentários mais recentes
Tentando Perceber Há 4 semanas

Ainda Fatura o Sócrates ? Estes pasquins depois acontece como nas Empresas do Balsemão, começam a ir à Falência, julgam que a Bananeira do Sócrates tem de dar sempre Bananas, e em vez de irem tirar um curso de jornalismo ficam á sombra, o pior é se ficamos com um calote Bancário às nossas Costas.

oluapaxe Há 4 semanas

Obras publicas?!? Que bom!!!! Mais resmas de fotocopias e garrafas em envelopes!!!!!

Anónimo Há 4 semanas

Lá vem a lenga lenga da mentira descarada do país na bancarrota obras faraónicas etc. etc Tem juizo pá, deixa de fazer jornalismo ou comentário sem um minimo de verdade. Já cansas!

Mr.Tuga Há 4 semanas

A frase do "ha dinheiro no estado" nem parece de jornalista de jornal económico....

Ó Sr a DIVIDA COLOSSAL e o DÉFICE não param de SUBIR...
O "dinheiro" é mera ficção! Cá a pocilga está FALIDA! Pobretanas com mania de ricos a distribuir subsídios e aumentos e contratar rapaziada para a FP...

ver mais comentários