Celso  Filipe
Celso Filipe 20 de março de 2017 às 00:01

O mau vento brasileiro

Os casamentos empresariais entre Portugal e o Brasil redundam, mais vezes do que deviam, em fracasso ou em divórcios litigiosos. Porquê tantas operações mal sucedidas?

Urge alterar o sujeito do ditado popular "de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos", substituindo os inevitáveis vizinhos espanhóis pelos irmãos brasileiros, no que toca aos casamentos empresariais. São raros, os dedos de uma mão deverão chegar, para contar os casos de sucesso de empresas nacionais em terras de Vera Cruz. Depois há fiascos, enormes fiascos, que redundaram na destruição de valor de empresas, em resultado de motivações duvidosas.

O caso que se destaca e está fresco na memória é da PT e da sua fusão com a Oi. Portugal perdeu uma empresa-bandeira que foi sugada financeiramente até se transformar numa não-existência. É claro que a responsabilidade é repartível entre portugueses e brasileiros, que esta fusão assume até contornos de caso de polícia, mas estas circunstâncias apenas servem para adensar as perplexidades que alguns destes negócios levantam.

O que não é de agora. Para quem tem memória curta basta lembrar a péssima experiência que foi a compra da Prolagos pela Águas de Portugal. Os portugueses tiveram a gestão da empresa entre 1998 e 2007 e saíram de lá com um prejuízo de 100 milhões de euros no bolso. Ou ainda, a aquisição da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) por parte da TAP, em 2005, uma subsidiária que tem sido um sorvedouro de dinheiro para a companhia portuguesa. De arrasto, pode-se perguntar à Sonae as razões que a levaram a sair, em 2004, do sector da distribuição no Brasil, com um prejuízo de 700 milhões de euros.

De igual forma, dá dó ver a Cimpor, uma empresa comprada pelos brasileiros da Intercement em 2012, apresentar agora prejuízos de 738 milhões de euros e uma dívida de 3.381 milhões que é 9,5 vezes o EBIDTA,  um resultado justificado pela desvalorização da operação da cimenteira no Brasil. Isto quando, em tempos, a Cimpor era conhecida como a mais internacional das empresas nacionais.

É evidente que existem apostas com êxito, por exemplo as protagonizadas pela EDP ou por grupos turísticos, o que ainda assim não dissipa uma densa dúvida de nuvens.

A percepção que se tem desta multiplicidade de operações mal sucedidas é a de que os casamentos empresariais entre brasileiros e portugueses, celebrados com pompa, redundam, mais vezes do que deviam e em circunstâncias que merecem muitos pontos de interrogação, em fracasso ou em divórcios litigiosos.

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mais votado geo@geopress.org 20.03.2017

O mau vento luso-brasileiro, assim é que é! - Sugiro que se investigue a palavra Endoeconomia no Google, está tudo lá o boicote do governo e da imprensa luso-brasileiro a este projeto pioneiro ao nível mundial. - O jornal de negócios, por exemplo, sabe muito bem, há anos e anos, do que se trata, mas, cala-se em "solidariedade" à Agência Lusa, Público, Correio da Manhã, DN, TSF, MAI, ex-primeiro ministro e actual, entre outros. - Estou à disposição para contar tudo, tudo, para jornalistas a sério, em detalhes e documentado.

comentários mais recentes
xxx 20.03.2017

Os portugueses que não sejam parvos. Por exemplo a SONAE foi para Angola e a Isabel dos Santos tirou-lhes o know how e depois o tapete, e fez a cadeia dela. Agora voltam para lá com a Zippy e a Sport Zone, e esperam o quê?

5640533 20.03.2017

Que parvoice esta Endoeconomia!

geo@geopress.org 20.03.2017

O mau vento luso-brasileiro, assim é que é! - Sugiro que se investigue a palavra Endoeconomia no Google, está tudo lá o boicote do governo e da imprensa luso-brasileiro a este projeto pioneiro ao nível mundial. - O jornal de negócios, por exemplo, sabe muito bem, há anos e anos, do que se trata, mas, cala-se em "solidariedade" à Agência Lusa, Público, Correio da Manhã, DN, TSF, MAI, ex-primeiro ministro e actual, entre outros. - Estou à disposição para contar tudo, tudo, para jornalistas a sério, em detalhes e documentado.

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