Celso  Filipe
Celso Filipe 18 de Outubro de 2016 às 00:01

O Orçamento irritante

Um Orçamento é um exercício de previsões. O problema é que estas, de forma geral, são optimistas e acabam por fazer com que o Orçamento subsequente sirva para tapar as falhas do anterior.

O Orçamento do Estado para 2017 repete esta fatalidade - transversal a todos os governos - e encarrega-se de compensar os erros de avaliação do ano transacto com receitas provenientes de mais impostos e da distribuição de dividendos do Banco de Portugal, entre outras rubricas.


O Orçamento de 2017 volta a cultivar o terreno do optimismo irritante, expressão utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa para classificar António Costa.


Ao contrário de 2016, onde este optimismo irritante se manifestava na projecção de crescimento do PIB e no aumento do consumo interno, o do próximo ano exibe-se, em todo o esplendor, na perspectiva de evolução do investimento, que passa de -0,7% em 2016 para 3,1% em 2017, assim como o crescimento das exportações, situando-as em 4,2%.

Não há aqui nada de fatal. Nem nenhuma imputação de má-fé a quem é responsável por estas previsões bondosas, também necessárias para equilibrar a balança das receitas e da despesa. O que habitualmente acontece é que o falhanço das metas estabelecidas no Orçamento acaba por minar a confiança dos cidadãos.

Aliás, o grande desafio deste Orçamento é de natureza qualitativa. A evolução do investimento depende, em boa parte, da avaliação que se faz de um determinado Governo, e este, liderado por António Costa e apoiado parlamentarmente pelo PCP, o Bloco e Os Verdes, não foi até agora capaz de criar uma percepção geradora de confiança junto dos agentes económicos. E também da estabilidade nas leis laborais e no enquadramento fiscal.

É verdade que o ministro das Finanças até consegue fazer a quadratura do círculo, com um Orçamento que agrada à esquerda e parece satisfazer Bruxelas. Falta, contudo, o mais importante: convencer os donos do dinheiro de que este Governo é confiável, vai durar a legislatura e que Portugal é um país onde vale a pena investir.

A forma como este Governo nasceu, em 2016, criou uma apreciável dose de cepticismo no plano internacional, da qual ainda não foi capaz de descolar. Para alterar este quadro, o Governo precisa de fazer a sua web summit junto de fazedores de opinião e de investidores internacionais, alterando a visão negativa que estes construíram do país. Sem isso, o optimismo irritante nunca sairá do papel.
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mais votado Anónimo Há 2 semanas


Os ladrões de esquerda

O VERDADEIRO CRIME ORGANIZADO


GOLPE DE ESTADO na sociedade portuguesa, marcado por COSTA LADRÃO… para dia 1 de Julho de 2016.

A FP volta às 35 horas, salários altos e muitas outras benesses...

enquanto os privados trabalham 40, com salários muito mais baixos, e ainda tem que pagar impostos cada vez mais altos para sustentar os privilégios da FP e seus pensionistas.

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas


Os ladrões de esquerda

PS - PCP - BE -- ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


NOVAS PENSÕES MÍNIMAS SERÃO SUJEITAS A PROVA DE RENDIMENTO...

para se gastar mais dinheiro com os subsídios às pensões douradas da CGA.


(As pensões da CGA são subsidiadas em 500€, 1000€, 1500€ e mais, por mês.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E não as mínimas.)

Anónimo Há 2 semanas


Os ladrões de esquerda

O VERDADEIRO CRIME ORGANIZADO


GOLPE DE ESTADO na sociedade portuguesa, marcado por COSTA LADRÃO… para dia 1 de Julho de 2016.

A FP volta às 35 horas, salários altos e muitas outras benesses...

enquanto os privados trabalham 40, com salários muito mais baixos, e ainda tem que pagar impostos cada vez mais altos para sustentar os privilégios da FP e seus pensionistas.

Mr.Tuga Há 2 semanas

Malabaristas (RUINOSOS) com a conivência do PR e de BROCHElas!

Qualquer pessoa bem intencionada percebe que se trata de um exercício de ilusionismo reles ...

Fernando Cardoso Há 2 semanas

É um orçamento sinistro. Estas politicas vão-nos levar novamente à troika. É só uma questão de tempo.