Celso  Filipe
Celso Filipe 04 de fevereiro de 2018 às 23:00

Ordem unida com o país

A ordem unida das chefias militares tem de ser como o país. Porque só assim a sua existência faz sentido.

Os chefes das Forças Armadas formalizaram um protesto junto do ministro da Defesa por considerarem insuficiente o aumento de 200 efectivos fixado para este ano pelo Governo. E dizem que este limite pode colocar em causa algumas das missões que lhe estão atribuídas. O protesto foi tornado público através da edição de sábado do semanário Expresso e nele se acrescenta que há "riscos não negligenciáveis em termos de segurança".

O que se passa com as Forças Armadas é o espelho do que acontece em outras áreas, onde o Estado se limita a fazer a gestão corrente, protelando sempre qualquer tipo de reforma estrutural.

Em Portugal são recorrentes as perguntas sobre o tipo de educação, justiça ou saúde que queremos. Os debates nestas áreas são intensos e infelizmente inconclusivos. Nas Forças Armadas é um pouco pior porque o dossiê nem chega a merecer reflexão. O poder político atemoriza-se perante o militar e este, do alto do seu pedestal, recusa-se a descer à terra e a ser o primeiro a promover uma reflexão sobre o tipo de Forças Armadas que Portugal necessita.

Na mesma edição do Expresso, o general e ex-presidente da República,_Ramalho Eanes, constata: "pusemos as Forças Armadas num gueto". Com toda a consideração e respeito que Eanes merece, é preciso colocar esta premissa ao contrário, ou seja, as Forças Armadas colocaram-se num gueto, fardaram-se com uma espécie de poder sagrado e parece que pararam no tempo, quando o tempo, inexoravelmente, não pára.

Aliás, a prova disso, é o facto de muitos portugueses olharem para as forças militares como uma entidade distante e afastada do escrutínio público.

O país precisa de debater o modelo de Forças Armadas que pretende e a partir deste quadro é que se devem identificar e suprir as necessidades. Mas antes é preciso responder a questões como: precisamos mesmo de participar em missões internacionais; o modelo hierárquico vigente é o adequado; a compra de material militar obedece a que desígnios; ou, a despesa militar está optimizada.

É claro que os militares, como qualquer outra corporação, têm o direito a fazer pressão sobre o poder político e o dever de alertar para os riscos que, segundo eles, o país pode vir a correr. Para já, todos os lados têm razão, precisamente porque numa existe uma reflexão sobre o tema com a apresentação de propostas concretas. A ordem unida das chefias militares tem de ser como o país. Porque só assim a sua existência faz sentido.
A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Fpublico condenado a 48 anos trabalho/descontos Há 1 semana

EM PORTUGAL HA-TEMOS 300 GENERAIS A MAMM.AR 5.000€ NAS GUERRAS VIRTUAIS

VÃO PRA REFORMA AOS 60 ANOS SEM CORTES. lEI APOSENTAÇÃO DO FASCISMO

OFENSA PARA QUEM TRABALHA

Saber mais e Alertas
pub