André  Veríssimo
André Veríssimo 20 de Outubro de 2016 às 00:01

Os banqueiros ganham demais?

Já se sabia que António Domingues e a sua equipa iam ganhar bem na Caixa. O fim dos limites impostos pelo Estatuto do Gestor Público foi, de resto, uma reivindicação do BCE. Mas a divulgação da soma reacendeu a polémica.
Claro que António Domingues ganhar 30 mil euros brutos por mês, só em remuneração fixa, é complicado de explicar. Desde logo porque receber mais 80% do que o seu antecessor é uma incongruência insanável com o espírito da missão que lhe foi incumbida: cortar nos custos com pessoal da Caixa e emagrecer as estruturas do banco. E quem diz o presidente, diz o resto da equipa.

A incoerência estende-se à prática seguida no passado sempre que uma instituição financeira recebeu ajuda do Estado: um corte no salário da gestão, como aconteceu no BPI e ainda acontece no BCP. Uma discrepância assinalada na quarta-feira pelo Presidente da República.

António Domingues vai receber o mesmo que ganhava no BPI para mudar para um emprego de maior responsabilidade. A inconsistência não é dele, é do Governo que aceitou as condições. Ainda que outros valores possam ser evocados, mas já lá vamos.

Um gestor de um banco público deve poder ganhar o mesmo do que um privado. Quem diz um banco, diz uma empresa que actue num mercado aberto. Sejamos francos, o sentido de serviço público não chega para atrair os melhores talentos. E o Estado deve poder tê-los, não só perdê-los, como tem acontecido.

O argumento do BCE é justamente que a Caixa, ainda que sendo um banco público, actua num mercado privado e europeu. E é nesse contexto que deve ser fixada a remuneração. É válido. Se queremos os melhores profissionais a gerir o maior banco português, temos de aceitar que isso implica pagar um salário elevado. E um salário elevado, ao nível do mercado, significa também responsabilização e exigência.

O problema está em conciliar isto com o contexto actual da Caixa. Em tempo de vacas magras não caem bem gordos salários. Teria sido porventura mais avisado ter dado maior pendor à componente variável da remuneração. Esperar que a equipa de António Domingues mostrasse resultados, começasse a criar valor para o accionista, e então premiar esse desempenho.

As práticas salariais são também uma questão de responsabilidade social, sobretudo quando existem enormes disparidades entre vencimentos da administração e restantes trabalhadores. E isto tanto se aplica à Caixa, como aos bancos privados.
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mais votado Mr.Tuga Há 2 semanas

Estes cromos "crânios" XEO`s iluminados são os verdadeiros PARASITAS SANGUESSUGAS!

Uns autênticos eucaliptos! Secam tudo em redor!

VERGONHOSO IMORAL E OBSCENO num dos países mais pobres da Europa, FALIDO e atrasado da OCDE, termos "gestores" do nada PRINCIPESCAMENTE PAGOS!

INACEITAVEL num empresa "publica" e que recebe MILHOES do contribuintes (CoCos que ainda não pagou!) e vai necessitar de um brutal injecção de capital!

Num pais com quase 2.000.000 POBRES. Com pensões de 234 eur! Com SMN 800 eur!

Isto é REPUGNANTE! Em particular com um DESgoverno de "esquerda"?!?!?!?!?!!?

Tenho vergonha deste sitio repugnante e mal frequentado!

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

A.COSTA FEZ QUANTO A MIM DOIS ERROS: ACABOU COM O IVA UÉM APROVEITOU E O ESTADO PERDEU MILHÕES QUANDO JÁ ESTAVA ASSIMILADO. E AGORA OS VENCIMENTOS DA CAIXA. MAS POR MUITOS ERROS QUE POSSA FAZER,SÃO FEITOS COM CABEÇA E NADA COMPARADS A PSICOPATA QUE O ANTECEDEU.

Anónimo Há 2 semanas

PARABÉNS PELO ARTIGO. É ASSIM QUE DEVERIA SER. NÃO ESTÁ PROVADO QUE A. DOMINGUES SEJA UM VERDADEIRO GESTOR. JÁ ENCABEÇOU O C.ADMINISTRAÇÃO DE ALGUM BANCO? O QUE PRODUZIU DE VALOR ACRESCENTADO? COSTA FEZ MAL.DAVA-LHE 10K€ MÊS E O RESTANTE POR ACORDO SE ELE ATINGISSE OBJECTIVIS PREVIA /DEFINIDOS.

JCG Há 2 semanas

Ó rapaz, depois do naco de conversa fiada ficamos na mesma. É evidente que este assunto transcende as suas competências de análise da matéria.

Estou farto de ver e ouvir uns cránios como você a arengar - como papagaios - umas tretas de que se deve pagar bem para ter os melhores e mais não sei o quê e agora até está na moda estar sempre a meter a palavra talento como se tudo isto fosse um circo e se falássemos de artistas/ palhaços. Todavia, nunca vi ninguém esplicar essa coisa dos melhores, qual a fórmula científica para os encontrar e o que é isso de pagar bem.

Gerir um banco não requer habilidades de Ronaldos ou de feiticeiros: é apenas trabalho sustentado em formação de base e experiência profissional e características pessoais como integridade, equilíbrio e bom-senso. É também importante respeitar os outros - os trabalhdores - e ter alguma noção de como os motivar em benefício da empresa e de todos os que nela trabalham.

Quanto a ganhar bem, se formos pela teoria do investimento em capital humano digamos que o trabalhador deve ter uma remuneração em linha com o investimento que ele próprio fes na sua formação, desde que essas competências sejam colocadas ao serviço da empresa.

Ganhar bem será ganhar mais do que a média de trabalhadores com semelhante nível de formação e competências. Se um licenciado sénior ganha em média 2 a 4 mil euros em Portugal, então ganhar por exemplo o dobro disso já é ganhar bem. Se o trabalhador tiver uma função em que toma decisões que podem ter grande impacto na conta de exploração e destinos da empresa, e dado que as suas escolhas e opções podem ser positivas ou negativas eu diria que esse trabalhador.para além do salário antes referido, deverá ter um bónus em função dos resultados alcançados ou uma participação nos lucros.

Em todo o caso, nunca esquecer que a empresa é posta a funcionar por todos os que nela trabalham.

ESKAFIAS Há 2 semanas

Ganham demais, roubam de mais, passeiam demais, fogem demais aos impostos, privilegiados demais, etc... É uma classe que tudo tem e pouco dá ou nada!... Baralham partem e dão mas, ficam sempre com a melhor parte, que é o dinheiro e os outros com os papeis!... Quem pode acreditar nestes parasitas e chulos da Sociedade?...

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