Celso  Filipe
Celso Filipe 11 de Outubro de 2016 às 00:01

Táxis, os melhores amigos da Uber

Os táxis, refastelados na sua poltrona monopolista, continuam a achar que a melhor maneira de defender o seu negócio é proibir a Uber e a Cabify ou então transformá-las em táxis.

O protesto dos taxistas contra a legalização da Uber e da Cabify deu no que se esperava. Pelo menos em Lisboa. Imagens de indignação, nervos à flor da pele, a polícia em alerta máximo, um ataque estúpido a um condutor de um Uber, danificando-lhe o carro, e um taxista a apontar o dedo a um outro Uber, numa bomba de gasolina, acusando-o de ser ilegal, ao mesmo tempo que fumava num local onde é proibido fazê-lo.

 

Uma situação como esta, em que uma dúzia de energúmenos captam as atenções das câmaras pelas piores razões, é sempre penalizadora para uma classe na qual (como em todas) existem profissionais competentes e dedicados.

 

Contudo, o problema começa na abordagem que os representantes dos taxistas fazem do surgimento de plataformas como a Uber e a Cabify. Num artigo publicado ontem no Público, Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi tropeça nesse erro. Escreve ele: os taxistas foram forçados ao protesto "para promover um amanhã de legalidade, onde todos têm direito ao trabalho com as mesmas regras… Para a mesma função, a mesma exigência".

 

Este padrão único, reivindicado por Carlos Ramos, resulta de um duplo logro de análise: 1) o de querer que a Uber e a Cabify sejam iguais aos táxis; 2) o de defender princípios igualitários que vão contra as mais elementares regras da concorrência.

 

Por absurdo, aquilo que Carlos Ramos e seus pares defendem seria o mesmo que impor a toda a indústria de panificação que fizesse pão exactamente da mesma maneira e que cada empresa pagasse rigorosamente o mesmo salário aos seus funcionários. Por sua vez, os consumidores seriam todos obrigados a comerem esse pão, gostassem ou não.

 

Os táxis, refastelados na sua poltrona monopolista, continuam a achar que a melhor maneira de defender o seu negócio é proibir a Uber e a Cabify ou então transformá-las em táxis. Uma espécie de totalitarismo da oferta impossível de sobreviver na sociedade actual, marcada pela pluralidade dos serviços disponibilizados aos cidadãos nas mais diversas áreas.

 

A legislação que o Governo propõe para legalizar a Uber e a Cabify é equilibrada. Mais coisa, menos coisa, protege os direitos dos taxistas e impõe uma série de obrigações a estas plataformas que permitem uma concorrência saudável entre ambos e dão opção de escolha aos consumidores.

A impopularidade da luta dos taxistas devia ser suficiente para que os seus representantes se questionassem sobre o porquê da mesma. Infelizmente, continuam a apontar culpas a terceiros, quando boa parte da responsabilidade pelo crescimento de plataformas com a Uber e a Cabify é sua. 

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mais votado Mr.Tuga Há 3 semanas

Porrada nessa SEMclasse de ciganada arruaceira e mal formada! Uns porc*os!

Só mesmo em tugaLãndia qualquer cigano iletrado e arruaceiro compra licença de tRaxista e IMPORTA UMA VOITURE MERCEDOLA COM 20 ANOS; SUCATA POLUIDORA E IMPEDIDA DE CIRCULAR NO RESTO DA EUROPA, e conduz alegremente pelas ruelas a insultar, praguejar, ROUBAR CLIENTES e a POLUIR o ambiente!

Nem em Marrocos!

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Anónimo Há 1 semana

E ainda

Univ Há 3 semanas

Afinal os taxis também já têm uma App de nível mundial, igual à da uber e 100% portuguesa. Segundo os engenheiros portugueses, a mesma tem mais funcionalidades e conta também com direito a avaliação (5 Estrelas) e comentários no final de cada corrida ( www.taxi-link.com ).

amartins5 Há 3 semanas

Como é possivel a UBER que se gaba de ter 1000 condutores, fazer um milhão de viagens, só pagar 46 ooo euros de impostos sobre o rendimento,em Portugal. Em Amesterdão paga 471 milhões de euros. Como é possivel ?

amartins5 Há 3 semanas

O que é estrangeiro é que é bom. Na UBER todos são a favor da multinacional rica ( impostos para fora do país), e contra ao taxi pobre (impostos pagos em Portugal). Aleluia!!!

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