Tiago Freire
Tiago Freire 12 de dezembro de 2016 às 00:01

Teodora e o curto prazo

A extensa entrevista que Teodora Cardoso deu ao Negócios e à Antena 1 não traz qualquer novidade. Aquilo que seria uma fragilidade noutras circunstâncias, é aqui um pormenor.

É que a economista diz agora aquilo que sempre disse, sem ligar aos ventos de quem ocupa o poder numa ou noutra fase. Só há um problema: é que, apesar de ela ter toda a razão, parece que ninguém a ouve.


Um dos focos do seu raciocínio tem a ver com a utilidade da política orçamental e económica. No fundo, para que deveria servir. E bate bastante na tecla estratégica e do pensamento a médio e longo prazo, ou seja, que haja uma visão plurianual do exercício orçamental e do seu impacto sobre a economia. Quanto a isto, penso que ninguém discordaria. Só falta agora que quem quer que ocupe o governo passe do raciocínio aos actos.

Olhemos para os dois últimos orçamentos. Um Governo (voluntariamente) amarrado a uma política de devolução de rendimentos, com aumento da despesa, forçado a compensá-lo no campo orçamental com o corte severo no investimento, que poderia ajudar ao crescimento económico. Nos impostos, a estratégia do costume, calculam-se as despesas e depois ajusta-se a tributação, como se os responsáveis ignorassem que uma política fiscal mais suave (e muitíssimo mais previsível) é uma das melhores formas de atrair o tão necessitado investimento estrangeiro.

Compreende-se a limitação do actual Executivo, que sabe que tem de renovar ano a ano os votos de casamento com os parceiros parlamentares. Antes, a prioridade máxima era, necessariamente, sair do programa de assistência, e as prioridades de curtíssimo prazo atiraram para as calendas muitas das reformas essenciais (onde está a reforma do Estado?).

E assim vamos, cantando e rindo, vivendo um dia de cada vez, um Orçamento de cada vez, uma negociação parlamentar de cada vez. No ano a seguir, logo se vê.

Como diz Teodora Cardoso, se e quando a conversa da reestruturação da dívida chegar, já devíamos ter avançada a reestruturação da economia, com foco nas exportações, no investimento e num quadro fiscal claro, estável e que esteja ao serviço do crescimento.

A culpa, naturalmente, não é só dos políticos. É também do patronato, dos sindicatos e de todos nós, eleitores, que preferimos uma promessa tangível hoje do que uma abstracção mais sustentável lá mais para a frente.

Até lá, Teodora Cardoso e outros vão pregando no deserto. Que não lhes falte a voz.
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mais votado Anónimo 15.12.2016


Os ladrões de esquerda

PS - e seus apoiantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES

EMIGRAÇÃO FORÇADA

Os Portugueses foram obrigados a emigrar devido à bancarrota do Socrates! …

e ao brutal aumento de impostos, ordenado pelo TC, para sustentar os privilégios dos ladrões FP e CGA.

(claro que os xux.as e FP tentam esconder esta realidade)

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Anónimo 15.12.2016


Os ladrões de esquerda

PS - e seus apoiantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES

EMIGRAÇÃO FORÇADA

Os Portugueses foram obrigados a emigrar devido à bancarrota do Socrates! …

e ao brutal aumento de impostos, ordenado pelo TC, para sustentar os privilégios dos ladrões FP e CGA.

(claro que os xux.as e FP tentam esconder esta realidade)

Essa velha é direitola 13.12.2016

É mais uma que quer o Diabo e a desgraça. Esta escumalha devia perder a nacionalidade.

Filipempv 12.12.2016

... e que continuem a ser "irritantemente" coerentes!

Paulo 12.12.2016

Pois...que me lembre todos os governos se preocuparam muito com um futuro especulativo e esquecendo se do presente condenaram o país a recessão atrás de recessão! Todas as políticas são questionáveis mas para os lambe botas do Coelho eu questiono: quanto cresceu Portugal nesse periodo....

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