Tiago Freire
Tiago Freire 26 de outubro de 2017 às 09:00

Trump e a rebelião no seio do Partido Republicano 

É o caso mais grave de oposição pública de membros do Partido Republicano contra Donald Trump.

O almoço com os membros republicanos do Senado, que serviria para mostrar a união em torno da proposta sobre a reforma fiscal, transformou-se numa divisão cujas consequências ainda não são totalmente claras. O tiro de partida foi dado por Bob Corker, que já tem vindo a ser muito vocal nas críticas. A surpresa veio da intervenção de Jeff Flake, senador do Arizona, que aproveitou para anunciar que não se recandidatará e, num discurso duríssimo, questionou toda a estratégia de Trump e para onde ela está a levar o país.

"Um comportamento irresponsável, escandaloso e indigno passou a ser tolerado e considerado dizer as coisas como elas são, quando na verdade é uma coisa apenas irresponsável, escandalosa e indigna", afirmou. "Senhor Presidente, hoje eu levanto-me para dizer: chega", sentenciou.

No New York Times, o colunista Ross Douthat salienta uma coisa: tanto Corker como Flake, como vários outros antes deles, recusaram-se a pactuar com o Presidente, mas saíram, em vez de lutar. "Há uma pequena, mas significativa oposição republicana a Trump, mas as suas figuras de proa continuam a não querer ir para a guerra com ele directamente, preferindo ataques filosóficos e retiradas tácticas a um confronto e à provável derrota", sintetiza.

Do outro lado do Atlântico, no Guardian, Jonathan Freedland foca exactamente o mesmo ponto, traçando um paralelismo entre os opositores ao Brexit e os opositores a Trump. "Corker e Flake sugeriram uma saída do corredor de espelhos. Não podiam mais defender um Presidente que consideram indefensável, por isso deixaram de tentar", ilustra. "A má notícia é que este movimento sugere que o preço a pagar pela oposição a Trump é a própria carreira de quem se opõe", conclui. 

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