Celso  Filipe
Celso Filipe 20 de agosto de 2017 às 23:00

Um silêncio que mata

Entre os séculos XI e XIII os europeus mataram muçulmanos em nome de Deus e da superioridade do cristianismo sobre as outras religiões.
A disseminação da fé foi o pretexto então invocado para sujeitar outros povos e pilhar as suas riquezas. Outros tempos, onde o conhecimento era imberbe, o poder se exercia de forma unívoca, através de um rei, cujo poder era legitimado por um Papa e onde a democracia era um conceito inexistente.

No século XXI temos a ressurreição do barbárie sob a forma de ataques terroristas, onde uma determinada corrente islâmica mata em nome da superioridade da sua religião. O obscurantismo, dez séculos depois, é indesculpável, ainda que se invoquem atenuantes como o segregacionismo ou a exclusão social. Nenhum argumento é suficientemente forte e muito menos plausível para justificar atentados como o que aconteceu na quinta-feira em Barcelona.

Estes actos resultam do ódio, da ignorância e da manipulação de religião islâmica. É por isso imperioso exigir responsabilidades aos líderes desta religião que se encontram na Europa. Já não basta colocarem-se ao lado dos familiares das vítimas e verbalizarem a sua solidariedade, porque eles próprios são parte do problema e as mesquitas que administram transformaram-se, em muitos casos, nos locais privilegiados para fazer o recrutamento de terroristas. O proselitismo vence porque se aproveita das vulnerabilidades dos seus alvos e os faz acreditar que há algo capaz de os tornar únicos. O terror alimenta a intolerância e esta só beneficia os extremismos.

Os líderes religiosos islâmicos têm, assim, de ser mais activos na defesa da integridade dos espaços de culto e muito mais assertivos no combate verbal aos irmãos de fé que matam em nome de Alá e contrariam os ensinamentos do profeta Maomé: "Não é forte quem derruba os outros; forte é quem domina a sua ira".

Entre as cruzadas do século XI e o século XXI existiu um percurso de crescimento civilizacional e de separação entre os poderes religioso e político. O terrorismo islâmico parou algures no tempo e baseia-se numa estrutura de pensamento medieval e no preconceito de uma supremacia religiosa descabida de sentido.

Quem tem o poder de influenciar os seguidores da fé islâmica (Estados e líderes religiosos), tem também o dever de combater os mentores e autores destes actos hediondos. Caso contrário tornar-se-ão, por omissão, cúmplices destas atrocidades.
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mais votado surpreso Há 1 dia

Ou seja,recuperar o Al-Andaluz ,parece um bom e justo objectivo

comentários mais recentes
Anónimo Há 6 horas

O que move estes elementos criminosos a maioria de nós não chega lá. Bastava perguntarmos quem vende as armas aos terroristas. Há pouco os EUA venderam 210 biliões á ditadura Saudita, (andamos a brincar)
Só que nos habituaram a clickar e deixamos de pensar.

ccc Há 1 dia

O Celso tenho aqui 3 amigos marroquinos que precisam de asilo em tua casa, pode ser?

... SEM QUE POSSAM SER EXPULSOS ! ! ! Há 1 dia

O sr. ANTÓNIO COSTA, pelos vistos, fartou-se de vivar num país conhecido pela sua relativa paz, face ao q se vê pela Europa, e, vai daí, com a ajuda do PCP e BE, aprovou a execrável nova LEI DOS IMIGRANTES, q escancara as nossos fronteiras, sem qq filtro, a todo e qq criminoso que queira entrar...

PARIS ESTÁ JÁ A PROVAR O QUE SÃO OS MUÇULMANOS Há 1 dia

Há um amigo q reside em Paris, cidade praticamente tomada por muçulmanos.
Quando ele vai, pacificamente, num passeio e vê, ao longe, um grupo dessa gente, conta-me q a sua segurança - EM PLENA PARIS, NOTE-SE - aconselha que mude de passeio, visto que, se passar junto, é provocado sem qq motivo.

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