Celso  Filipe
Celso Filipe 26 de maio de 2017 às 00:01

Uma greve para picar o ponto

O título do trabalho que pode ler nas páginas seguintes sobre a paralisação da Função Pública, que se cumpre esta sexta-feira, resume o essencial: "Uma greve que dá jeito a todos (até ao Governo)."
De facto, para os sindicatos, esta greve da Função Pública é uma forma de combater o amorfismo e negar o seguidismo, constituindo assim uma prova de vida. Habituados a serem do contra, os sindicatos têm dificuldade de afirmação num quadro político em que o Bloco de Esquerda e o PCP, sobretudo este pela sua influência na CGTP, se constituem como aliados do Governo.

A mais forte das reivindicações (e impossível de satisfazer no curto prazo) é a de aumentos salariais. Outras, como as 35 horas semanais para todos os funcionários do Estado, são um processo que já está em marcha, e o pagamento de horas extraordinárias já foi prometido nos serviços de saúde. Por sua vez, a integração dos precários também está a fazer o seu caminho.

A greve serve para picar o ponto da contestação e marcar território com os olhos postos no Orçamento do Estado para 2018. E muitas das exigências agora feitas são pressupostos que o PCP e o Bloco irão levar para a mesa das negociações, aproveitando o cenário de um putativo crescimento da economia acima das previsões iniciais. Os sindicatos não querem perder a sua influência e como tal consideram que esta é uma boa ocasião para se colocarem na linha frente. E a greve é a arma que causa impacto e gera notoriedade.

Da parte do Governo, a greve da Função Pública é aceite como um direito e o tom do discurso é compreensivo. "Julgo que há um grande esforço de todos para que o diálogo seja reforçado, mas também para que as decisões sejam tomadas e os compromissos, concretizados, por isso, vejo a greve com naturalidade", declarou o ministro do Trabalho, Vieira da Silva.

Esta greve é uma forma de o Governo mostrar aos seus pares europeus que mantém a sua integridade ideológica e não aceita cegamente todas as exigências dos partidos que o suportam parlamentarmente, mas que ao mesmo tempo é capaz de construir pontes que garantem a estabilidade e diminuem a conflitualidade social.

Na greve de hoje não há tensão entre as partes nem um vislumbre de ruptura. Cada uma está a desempenhar o seu papel, ambas conscientes de que irão encontrar um acordo a meio do caminho. 
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mais votado IS 27.05.2017

Aparentemente o Dr António Costa mostra-se indiferente a esta contestação.

comentários mais recentes
IS 27.05.2017

Ao idiota ridículo sem nome "Ó Valha-nos Santa Ingrácia . . . ." [Leitor não registado] :
seria possível omitir a sua ignorância no espaço público - a forma deficiente como escreve algumas palavras, os erros ortográficos por falta de acentuação, o uso aleatório de maiúsculas - e arranjar um nome como qualquer pessoa normal para assinar a sua opinião?

IS 27.05.2017

Aparentemente o Dr António Costa mostra-se indiferente a esta contestação.

Ó Valha-nos Santa Ingrácia . . . . 27.05.2017

A função publica está cheia de parasitas.

ldr 27.05.2017

Caro AP,
Ninguém esquece, pelo menos no Privado, os Bancos, as PPP, as Swap, EDP, etc. Mas tb ninguém esquece q alguém não fez bem o seu trabalho, "alguém" não controlou devidamente. A FP está cheia de organismos controladores e absolutamente ineficazes. A irresponsabilização é algo mto fácil na FP

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