André  Veríssimo
André Veríssimo 06 de novembro de 2017 às 23:00

Web Summit, versão 2.0

Web Summit está de volta. Lisboa transfigura-se no Olimpo da tecnologia e durante uma semana podemos imaginar-nos uma Silicon Valley do Atlântico. O frémito já se sente na cidade, mas não será como a primeira vez.

Da primeira vez, o Web Summit chegou com uma promessa de renascimento. A recessão já ficara para trás, mas subsistiam ainda dúvidas razoáveis sobre a sustentabilidade do trajecto que vinha a ser seguido – aumentadas por uma solução de governo apoiada na extrema-esquerda – e engulhos vários por resolver. Depois das privações dos anos anteriores, o Web Summit trazia uma terra prometida de modernidade, inovação e progresso económico. Nem que fosse por uma ilusória semana.


O Web Summit está de volta. O espírito é o mesmo e deixará sementes. Mas recebemo-lo menos carentes. Há outras boas novas, começamos a habituar-nos – apesar das assimetrias entre Lisboa e o resto do litoral e mais ainda o interior – a uma nova normalidade, mais positiva. É o turismo, o imobiliário, os centros tecnológicos, a Ladurée na Avenida da Liberdade.


Os grandes investidores, os primeiros a saltar fora do barco quando começa a meter água, estão de regresso. Desde logo os financeiros. A dívida portuguesa, de que antes se fugia como da peste, é agora a coqueluche que os bancos internacionais se orgulham de vender aos clientes e exibir os resultados. É, novamente este ano, uma das que mais valoriza no mundo.


A venda do Novo Banco, mesmo com todos os erros que a precederam, permitiu fechar o capítulo que mantinha aberto o livro das incógnitas sobre o país. E um novo capítulo abriu-se a partir do momento em que a S&P retirou o "rating" de Portugal do lixo.

As grandes gestoras de activos e patrimónios, as JPMorgan deste mundo, olham agora para um país com taxas de crescimento robustas e trazem para cá negócio. Vêm promover-se, reforçam equipas, querem o nosso dinheiro.


Há uns dias, durante um almoço, um destes investidores dizia: "Antes vínhamos a Portugal perguntar se havia alguma coisa a correr bem. Agora queremos saber se há alguma coisa que possa correr mal." É um oceano de diferença. Antes vinham atrás de motivos para decidir arriscar. Agora querem saber se há algum gato escondido que os impeça de subir a parada.


A formulação não é despicienda. Querem saber "se há alguma coisa que possa correr mal". Cá dentro, porque sabem se alguma coisa correr mal na envolvente externa Portugal continua demasiado vulnerável. Ora, cá dentro, orçamentos de despesa eleitoralista e aumento de impostos para empresas são o género de coisas que, a prazo, nos vão deixar em maus lençóis. Até lá, viva o Web Summit!

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mais votado Anónimo Há 1 semana

Basta ler o último parágrafo. Diz tudo.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Basta ler o último parágrafo. Diz tudo.

Mr.Tuga Há 1 semana

Mais um evento WEBMERDICE.... Contribuição par ao PIB?!?!?

Só gajos na passeata e alimentar os cromos da hotelaria e restauração.... NADA MAIS!

surpreso Há 1 semana

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