Celso  Filipe
Celso Filipe 25 de outubro de 2017 às 09:10

Xi Jinping ganha o estatuto de novo Mao

A marcha lenta da China, que visa transformar o país na maior superpotência mundial, continua. A China já tinha inventado o conceito de capitalismo de Estado, internacionalizando a influência das suas empresas, que em última análise estão nas mãos do Partido Comunista.
Agora, o comité central deu mais um passo em frente na sua pós-modernidade centralista, ao adicionar o pensamento político do seu líder, Xi Jinping, à constituição do partido, que por sua vez é a constituição do país, uma honra à qual até agora só Mao Tsé-Tung havia tido direito. Pós-modernidade porque se trata da viragem de um capítulo na História da China, onde o estatuto de Mao é mitigado à custa da ascensão de Xi Jinping.

O antigo primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, constata este facto no Financial Times. "Há cinco anos disse que ele [Xi Jinping] seria o líder mais poderoso da China desde Deng Xiaoping. Estava errado. Ele é agora o líder mais poderoso da China desde Mao Tsé-Tung", escreveu Rudd.

Para Jude Blanchette, um estudioso do Partido Comunista da China, em declarações à Reuters, a inclusão do pensamento do líder na constituição "é uma forma de eliminar qualquer distinção entre Xi Jinping e o partido".

Bill Bishop, editor do boletim informativo Sinocismo sobre política chinesa, considera que o nascimento do "pensamento Xi Jinping" confirma os raros níveis de poder e prestígio do seu criador. "Isso significa que Xi é efectivamente inatacável. Se você desafiar Xi, você estará a desafiar o partido - e você nunca quer estar contra ao partido." Estas mudanças acontecem num ambiente de optimismo. Há uma crescente confiança oficial em Pequim - a roçar a arrogância - de que a China está em ascensão, enquanto o Ocidente está em declínio, escreve Gideon Rachman, colunista do Financial Times.
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