Tiago Freire
Tiago Freire 29 de maio de 2017 às 00:01

Zombies e outras aventuras

A Cimpor vai finalmente sair da bolsa portuguesa. É um momento triste, mas pouco mais que simbólico. Aquela que foi uma grande empresa portuguesa já não é portuguesa, e já não é tão grande e poderosa como foi outrora.
Sai agora de bolsa, e se a informação que dela o público tinha era escassa, com toda a certeza, será agora ainda menor. Tirando isso, pouco mais se perde. É um zombie, como vários outros que se arrastam no mercado com "free-float" e liquidez reduzidas.

Na semana em que se soube da saída desta histórica cotada – há 23 anos na bolsa nacional –, realizou-se a conferência Via Bolsa, organizada pela Euronext Lisbon. Que teve entre os seus temas fortes, como habitualmente, a míngua de novas empresas que se queiram cotar no mercado português. Não pode deixar de se salientar o caso de várias companhias convidadas a falar no evento e que, de uma forma até algo embaraçosa para os organizadores, afirmaram que ir para a bolsa sim, mas não para a nossa.

É verdade que o perfil da empresa portuguesa está a mudar. Os candidatos mais prováveis são, agora, empresas com um pendor tecnológico mais forte, e que encontram – antes de um IPO – capital junto de investidores endinheirados de várias partes do mundo. Mas também não deixa de ser verdade que as experiências de empresas portuguesas que quiseram cotar-se lá fora têm sido uma desilusão. O maior exemplo foi a Mota-Engil África, que em Portugal seria uma empresa de PSI-20 e que em Amesterdão passou despercebida no meio de um menu mais diversificado e concorrencial.

Há vantagens óbvias para o país em ter na sua bolsa mais empresas nacionais, sobretudo em sectores ainda pouco representados. Mas há também vantagens para as empresas. Basta referir o acompanhamento mediático e a consequente visibilidade que teriam no nosso mercado, comparando com a provável indiferença e possível desconhecimento da comunidade financeira de um outro país. Não há uma única via, mas ainda não é de todo claro que uma aventura numa bolsa estrangeira – com toda a ambição louvável e legítima que isso representa – seja necessariamente o melhor caminho.

O discurso de Paulo Rodrigues da Silva, novo presidente da bolsa portuguesa, é realista, perante as dificuldades de captar novas companhias. É seu trabalho fazer valer as vantagens do mercado nacional e impedir um círculo vicioso: é que quanto mais o mercado encolhe mais difícil é "vendê-lo" como o mais atractivo para novas empresas. 

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mais votado Anónimo 29.05.2017

Perdeu-se a Cimpor, a PT, a EDP , os bancos todos com o direito adquirido no 25 de abril;So resta o socialismo que para tudo isso contribuiu; Ha que correr com ele do pais para fora !!!

comentários mais recentes
xras45 29.05.2017

Caso típico de pato bravo que nunca tinha tido tando dinheiro. Decide comprar uma cimenteira e depois não aguenta o investimento feito. No final teve que vender quase obrigado aos brasucas que a partiram todinha num instante. É caso para dizer: Trabalho de amador resulta em drama de milhares de familias. Bom trabalho Teixeira Duarte

Anónimo 29.05.2017

Perdeu-se a Cimpor, a PT, a EDP , os bancos todos com o direito adquirido no 25 de abril;So resta o socialismo que para tudo isso contribuiu; Ha que correr com ele do pais para fora !!!