Alexandra  Machado
Alexandra Machado 18 de maio de 2015 às 21:14

Crime é crime, não é futebol

Fui ao futebol. Como vou tantas vezes. Mas este domingo tinha um desafio diferente. Fui ao futebol a Guimarães.

 

Fui ao futebol. Como vou tantas vezes. Mas este domingo tinha um desafio diferente. Fui ao futebol a Guimarães. Fui avisada. Mas não quis acreditar. Munida de cachecol e camisola lá fui na expectativa de comemorar o bicampeonato do Benfica. À chegada, novos avisos. Desta feita de pessoas que vivem em Guimarães. Tirem o cachecol e a camisola e vistam-na apenas dentro do estádio. "Aqui há pessoas que são malucas (sic)". Agora sim, acreditei.

Entrei no estádio. E que gosto é ver um estádio cheio e ver as gentes de Guimarães a puxar (e bem) pelo seu Vitória. Houvesse mais clubes (sem ser os grandes) com este apoio e a Liga seria melhor, muito melhor.


No fim do jogo... uma hora dentro do estádio à espera de poder sair. Aconteceu em Guimarães, mas acontece em muitos outros estádios em algumas ocasiões. Poucas vezes, é certo. Mas não aproveitei para vandalizar. Não será difícil identificar criminosos e levá-los a tribunal, proibindo-os de voltarem a entrar num estádio (no mínimo). Aproveitei para comemorar. A saída, demorada, com a insegurança de muitas pessoas terem de sair afuniladas, antecipava problemas. Não os vi. Mas existiram. Felizmente, há televisões que o mostram e jornalistas que o testemunham.


E foi na televisão que o país viu o abuso da autoridade. Concordo com muito do que já foi dito. Nada justifica aquela agressão. E da mesma maneira que os adeptos não deveriam voltar a entrar no estádio, também o polícia não devia voltar a vestir a farda.

"Aqui há pessoas que são malucas", voltam a dizer no regresso. Mas foi preciso chegar a Lisboa para voltar a sentir a pressão de Guimarães. Aqui também há pessoas "malucas" (no mínimo). Em Lisboa, o abuso de poder foi dos adeptos. Sem explicação. Nada justifica as provocações, os arremessos, o fim da festa. Fui ao futebol. Vou voltar a ir ao futebol. Porque o que se passou é crime. Não futebol.


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