Rui  Neves
Rui Neves 25 de fevereiro de 2014 às 20:41

Sexo antes do casamento (não) é pecado

De 1.000 (anos) passará, mas a 2.000 não chegará. Esta é uma profecia sobre o prazo de vida do Homem na Terra que popularmente se atribui (leia-se os crentes) a Jesus Cristo, mas que não existe na Bíblia – logo, ele nunca a proferiu.


Educado na religião católica pela minha querida e conservadora mãe, acreditei até tarde que foi da costela do homem que Deus fez a mulher, que o nosso mundo iria acabar cedo, que o macaco nada teve que ver com a nossa evolução, que os bebés que morrem sem terem sido baptizados vão para o "limbo", que fazer sexo antes do casamento é pecado.

Como qualquer outra criança, eu acreditava em tudo – que tinha sido depositado nos braços da minha mãe por uma cegonha branca, que os fantasmas eram reais, que havia os maus e os bons (sem misturas nem zonas cinzentas), que existia extraterrestres e que a Fada do Dente iria trocar o meu "de leite" por um pequeno presente.

Foi a descoberta da inexistência do Pai Natal que fez desabar todo o meu universo de crenças. O desgosto foi tão grande e marcante que passei a duvidar de tudo. E assim nasceu a minha vocação profissional. Tinha nove anos, frequentava a antiga 4.ª classe e passei a devorar (sou tão exagerado!) jornais.

A sede de saber mais, de ter opinião, de querer participar na discussão, nunca mais parou. Eu não queria voltar a ser enganado. Tornei-me então céptico, agnóstico e liberal. Ainda cheguei a ser menino de coro, no final da adolescência, mas por razões pouco católicas.

Chegado à idade adulta, passei a exercer o direito de voto. Fui lá duas vezes no primeiro ano, em 1989 – para as Europeias e para as Autárquicas. Confesso que muito tenho votado: à esquerda, à direita, ao centro, em branco. Que rico cata-vento me saí! Só devo ter falhado duas ou três eleições. Porquê votar? Lugar ao lugar-comum: porque ainda não inventaram outro regime melhor do que a democracia.

Mas voto sempre sem convicção. Por virtude intrínseca, experiência pessoal e defeito profissional, há 33 anos (ai Jesus!) que deixei de acreditar em histórias da carochinha, que não me comovo com lágrimas de crocodilo e não me deixo levar pelos amanhãs que cantam. De resto, políticos do meu País, contem sempre comigo – aqui, deste lado, nunca vos deixarei sozinhos. Nem que Cristo desça à Terra. Mesmo!

*Coordenador do Negócios Porto

Visto por dentro é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios

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