Ouro
Metal amarelo à prova de bala
02 Julho 2012, 09:58 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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O ouro é uma das poucas soluções para se escudar de uma catástrofe financeira. Todavia, de acordo com a análise da PROTESTE INVESTE, não há garantia de valorização
A última década foi uma das piores de sempre para os investidores em ações: o fim da bolha tecnológica deprimiu as bolsas de valores, que nunca chegaram a recuperar devido às perturbações dos problemas do crédito hipotecário de alto risco dos Estados Unidos da América (que esteve na origem do colapso do sistema financeiro mundial) e à crise da dívida soberana na Europa.

Há, todavia, um ativo que vingou nesta década: o ouro. Desde o final do ano 2000, o preço do metal amarelo nos mercados internacionais aumentou mais de 480 por cento. O ouro, tal como outros metais preciosos, serviu de refúgio aos investidores que queriam evitar o cenário sombrio da economia e dos investimentos.

Nesse clima de crise, o ouro pode mostrar o seu brilho. O facto de constituir uma reserva de valor tornou-se extremamente valioso perante a desconfiança nos mercados. Quando não se sabe se os bancos, as empresas, os Estados vão assumir as suas dívidas, nada mais seguro do que deter ouro.

O agravamento dos problemas na zona euro e a forte crise económica em Portugal trouxeram o ouro de novo para o vocabulário diário dos portugueses. Para uns, a compra do metal dourado é a solução para colocar a salvo as suas poupanças de uma catástrofe como a saída do nosso país do euro. Para outros, a venda dos seus objetos de ouro é o último recurso para poderem atenuar situações de desemprego e de sobreendividamento.

Este novo vigor do ouro é visível no multiplicar de empresas dedicadas à compra e venda um pouco por todo o país. Contudo, a história pode não se repetir.

Ouro protetor
Desde o seu pico histórico alcançado em setembro (1899 dólares norte-americanos), o preço do ouro desceu 16 por cento, mas isso não quer dizer que está barato. É extremamente difícil avaliar o metal dourado. O conjunto de fatores psicológicos associados à procura do ouro está longe de ser mensurável. Portanto, a decisão de comprar ouro depende bastante da sua atitude. Procura uma proteção para o seu dinheiro contra uma catástrofe económica ou bolsista?

Ou, ao invés, tem como objetivo rentabilizar mais racionalmente as suas poupanças?

Não acreditamos que Portugal vá abandonar o euro na sequência da atual crise. É uma hipótese extremamente remota. Porém, nessa eventualidade, o ouro seria uma das poucas formas de proteger as suas poupanças. O regresso do escudo provocaria um disparo da inflação e um colapso da bolsa e dos bancos, aniquilando o valor da maioria das poupanças.

Se acredita nesta visão apocalíptica, então deverá adquirir ouro. Deverá optar por ouro físico sob a forma de barras e moedas. São mais facilmente negociáveis, as transações estão isentas de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e a sua avaliação é simples: valem o seu peso em ouro! Atualmente, uma barra de 10 gramas custa cerca de 407 euros. Quando se trata de joias e outros objetos de ouro, o valor tende a ser superior, mas é muito subjetivo. No limite, poderá receber apenas dinheiro pelo peso do ouro se tiver necessidade de vendê-los rapidamente.

Alternativa na bolsa

Os investidores mais experientes poderão optar pela compra de ETF dedicados ao investimento em ouro físico. Trata-se de fundos de investimento cotados na bolsa cujo património é constituído exclusivamente por ouro (e não contratos sobre o seu preço). Neste caso, mesmo que haja perturbações no sistema financeiro, o valor do investimento está salvaguardado.

O SPDR Gold Shares, negociado em Nova Iorque, é o maior fundo do género: tem mais de 1268 toneladas de ouro, o equivalente a 3,3 vezes as reservas auríferas no Banco de Portugal. Às cotações mais recentes, esse fundo vale cerca de 50 mil milhões de euros. Em teoria, investir num ETF de ouro é idêntico a comprar moedas ou barras. Contudo, na prática, são bem diferentes. No primeiro caso, sabe que as suas barras de ouro estão salvaguardadas no cofre do seu banco. No segundo, não tem efetivamente ouro, mas direitos sobre uma pequena parte do ouro guardado algures num banco estrangeiro. Em relação aos fundos de empresas de ouro não recomendamos a compra, mas se já tem pode manter.

Sem rendimentos a contabilizar
Por ter cotação internacional, o preço do ouro sofre oscilações. Nesse aspeto comprar ouro não oferece nenhuma garantia de reaver o capital investido. O ouro também não gera rendimentos periódicos. Não paga dividendos nem juros.

O ganho, ou a perda, de quem investe em ouro reside na diferença entre o preço de venda e de compra. Logo, aplicar em ouro tem risco, ao contrário do que se possa pensar. É uma ilusão perigosa acreditar-se que o preço do ouro não pode descer. A queda nos meses mais recentes é uma prova.

Entre 2001 e 2011, a procura anual de ouro aumentou 26%, enquanto o preço disparou 352 por cento. Essa procura inclui o ouro utilizado como investimento. Há, por isso, claramente o risco do preço incorporar em demasia o papel de refúgio do metal. Uma mudança de sentimento dos investidores pode provocar uma queda acentuada da sua cotação. Mas, sem qualquer dúvida, uma subida do nível geral das taxas de juro diretoras terá um impacto negativo no ouro, pois torna mais apelativas outras aplicações financeiras. Para já, a crise atou as mãos aos bancos centrais, mas, no médio prazo, uma subida dos juros é inevitável.

Se quer ter, pelo menos, parte das poupanças sob a proteção do ouro, deve estar consciente que pode vir a perder dinheiro quando chegar o momento de o vender.

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