Trading JPMorgan e BlackRock alertam para sinais de contágio na crise dos emergentes  

JPMorgan e BlackRock alertam para sinais de contágio na crise dos emergentes  

Os analistas acreditam que os mercados emergentes vão continuar em queda, com a crise na Argentina e Turquia a contagiar outros mercados.
JPMorgan e BlackRock alertam para sinais de contágio na crise dos emergentes   
Negócios com Bloomberg 05 de setembro de 2018 às 17:41

Primeiro foi o sell-off na Argentina. Depois na Turquia. Agora a África do Sul, Brasil e Indonésia estão a ser apanhados pela onda de vendas que está esmagar todos os mercados emergentes.

 

Trata-se de um fenómeno que vários investidores e analistas, do JPMorgan ao BlackRock, descrevem numa simples palavra: contágio.

 

O argumento é este: apesar dos activos oferecerem valor no longo prazo, os investidores vão vender mesmo os que consideram seguros para compensar as perdas nos mercados mais vulneráveis ou, pior ainda, tratar todos os mercados emergentes como um só e vender de forma indiscriminada. O efeito manada assumiu o controlo, pelo que independentemente do risco individual de cada país, os investidores que continuarem a comprar activos destes mercados correm o risco de ficarem presos numa armadilha.

 

A forte turbulência que tem abalado os mercados emergentes não dá sinais de acalmia, com a maioria das moedas em queda na sessão desta quarta-feira e o índice de referência que agrega acções de mais de duas dezenas de países em desenvolvimento a caminho de "bear market".

 

Na sessão de hoje as descidas das divisas são lideradas pelo rand da África do Sul, que já chegou a perder mais de 2% face ao dólar, para negociar no valor mais baixo desde Junho de 2016. O peso da Argentina, que atingiu um mínimo histórico no passado dia 30 de Agosto, cai 0,39% face ao dólar, elevando para mais de 52% a queda acumulada desde o início do ano. O índice que agrega a evolução das moedas de mercados emergentes atingiu um mínimo de Maio de 2017.

 

"Estamos a assistir a uma crise de confiança nos mercados emergentes com a presença de um certo nível de contágio", afirmou Pablo Goldberg, gestor de activos da BlackRock em Nova Iorque, citado pela Bloomberg.

 

Além dos casos específicos de cada mercado, as tensões relacionadas com a guerra comercial, a força do dólar e a perspectiva de mais subidas nas taxas de juro por parte da Reserva Federal também explicam a crise dos emergentes. Em Agosto os investidores retiraram 2,2 mil milhões de dólares destes mercados, abaixo dos 13,7 mil milhões de dólares registados em Julho.

 

"Esta não é uma boa história para os mercados emergentes", refere Anastasia Amoroso, especialista da gestora de activos do JPMorgan, à Bloomberg TV. "Enquanto a guerra comercial continuar e a Fed mantiver o ritmo de subida de juros acima do resto do mundo, penso que estamos num ambiente favorável para um dólar mais forte", acrescentou. Neste cenário, Amoroso acredita que a fuga de capital dos mercados emergentes vai persistir.

 

Há contudo investidores que vêem este sell-off como uma oportunidade de compra, citando fundamentais fortes, com o abrandamento da inflação, excedentes comerciais e alargamento do diferencial do crescimento económico entre economias desenvolvidas e emergentes.

 

"Uma coisa interessante dos contágios é que este sell-off afecta os fracos e os fortes", refere Arjuran Jayraman, da Causeway Capital Management. "É nestas alturas que temos que acelerar e comprar as moedas mais fortes e os activos de países com maiores exportações e excedentes de conta corrente", argumenta.

 

Jayraman recomenda acções da Índia, Coreia do Sul e Taiwan, que parecem "atractivas no actual ambiente". Amoroso recomenda dívida local de alguns emergentes.

 

Mas a recomendação mais consensual é de cautela. "Por agora vai persistir a pressão nos emergentes, com destaque para Turquia, Argentina, África do Sul, Paquistão, Brasil e Índia", refere a Wolfe Research.

 

 

    



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