Transformação Digital A cultura da sua organização está pronta para a transformação digital?

A cultura da sua organização está pronta para a transformação digital?

Para que a transformação digital tenha sucesso, a cultura organizacional deve estar orientada para aceitar e envolver-se com a mudança. O que deve a sua empresa fazer para lá chegar?
A cultura da sua organização está pronta para a transformação digital?
C-Studio 22 de dezembro de 2017 às 17:39

A generalidade das empresas enfrenta hoje tempos de mudança, enquanto procura o melhor caminho para tirar partido de um mundo de novas ferramentas digitais e de tecnologias capazes de transformar o negócio e criar oportunidades inexploradas.

A tecnologia é um elemento central na transformação digital que cada organização procura operar internamente mas, só por si, isso está longe de garantir o sucesso de uma mudança, que se quer dinamizadora de um novo contexto de trabalho.


A era dos negócios digitais mudou muito na realidade das empresas, mas não alterou o essencial: as pessoas continuam a ser a pedra basilar de qualquer organização. E para que qualquer alteração de fundo ao funcionamento de uma empresa seja bem-sucedida, é essencial contar com elas e envolvê-las nos processos.


Vários estudos têm analisado o tema, no que se refere à transformação digital, e são unânimes: a cultura empresarial é um dos grandes obstáculos à mudança. Uma das pesquisas recentes a apontar neste sentido foi realizada pela Logicalis, junto de 890 CIO em 23 países, que coloca o desafio em pé de igualdade com outros tão relevantes como a complexidade, os custos, a segurança ou as competências.


Uma das dificuldades que se destacam passa por vencer a falta de sintonia entre colaboradores e gestão, a vários níveis. Da inovação à colaboração, passando pelo nível de preparação para uma cultura digital, na mesma empresa há visões muito diferentes sobre os mesmos temas, o que revela falhas importantes na disseminação das ideias e, consequentemente, na implementação.


Um estudo da Capgemini
revela, por exemplo, que para 40% dos gestores as suas empresas têm uma cultura digital, quando entre os colaboradores só 27% partilham da mesma opinião. O mesmo acontece no que se refere à inovação: 75% dos gestores entendem-na como prioritária na organização, mas só 37% dos empregados pensam o mesmo; ou no incentivo à colaboração, uma realidade para 85% dos gestores, só percepcionada por 41% dos colaboradores.


Estreitar distâncias e garantir que todos os envolvidos nos processos os entendem da mesma forma deve por isso ser um dos pontos de partida para uma estratégia de sucesso. É bom não esquecer que os colaboradores também são consumidores e, por essa via, muitos estão sensíveis e em contacto com toda a evolução tecnológica dos últimos anos.


As empresas podem (e devem) saber tirar partido desta predisposição para o uso de novas ferramentas digitais, aplicadas ao contexto de trabalho, mas para que assim seja têm de partilhar uma visão, um caminho, e disponibilizar as ferramentas para o percorrer.

 

Mãos à obra

Estratégias claras, bem comunicadas e que juntem às metas de longo prazo pequenos projectos, capazes de alcançar resultados rápidos e de impacto visível e mensurável, é importante para sintonizar todos os intervenientes.


Lideranças de topo e intermédias bem informadas e motivadas pelo potencial das mudanças em curso são igualmente fundamentais para conseguir chegar a quem no dia-a-dia vai beneficiar de toda as transformações em marcha e para acelerar processos. É por isso importante que a empresa consiga identificar e pôr no terreno verdadeiros líderes digitais, que façam a ponte com os colaboradores e saibam potenciar sinergias e troca de competências entre equipas.


Contar com as competências digitais adequadas é fundamental para ser bem-sucedido num processo de transformação, como é importante manter uma aposta generalizada numa cultura de destreza digital, como sublinha a Gartner em várias análises. A empresa provavelmente precisará de contratar novos recursos, com formação e experiência em novas áreas, mas também deve preocupar-se com a adaptação das competências que já existem na organização, às novas necessidades. Esta não é só uma forma de acelerar processos, como é também um meio para envolver os colaboradores na mudança, integrá-los nela e mostrar que há espaço para que continuem a desempenhar um papel no futuro.

Seis boas práticas para preparar uma equipa para a transformação digital

1. Identificar agentes de mudança e dar-lhes um papel relevante no processo e no envolvimento das equipas;

2. Comunicar de forma clara, simples e direccionada à realidade dos diferentes sectores;

3. Melhorar a comunicação entre equipas, dando mais visibilidade a cada projecto, aos avanços alcançados e aos benefícios concretos para os utilizadores;

4. Investir na formação em competências digitais;

5. Rever indicadores de desempenho e adequá-los aos novos desafios da organização;

6. Promover a colaboração entre equipas com competências distintas, disseminando conhecimento e fomentando novas ideias.