Transformação Digital Banco de Portugal enquadra transformação digital na banca

Banco de Portugal enquadra transformação digital na banca

Questões relacionadas com a segurança, protecção de dados pessoais e da privacidade ou a contratação transfronteiriça são algumas das temáticas que centram atenções por parte do BdP.
Banco de Portugal enquadra transformação digital na banca
C-Studio 03 de agosto de 2017 às 17:42
A digitalização da banca é um dado adquirido há vários anos. Não por acaso se tem defendido que este é um sector considerado "early adopter" em matéria de novas tecnologias. Na verdade, tem sido dos que mais rapidamente se vem a modernizar e, mesmo em tempo de crise económica, tentou não perder o comboio das novas tecnologias, embora moderando e refreando o seu ímpeto em alguns projectos.

A realidade da transformação digital tem permitido mudanças profundas no sector, nomeadamente ao nível do serviço ao cliente, promovendo-se novas formas de atendimento, de movimentação do dinheiro e de acesso às contas, por exemplo.

Atento a estas questões, o Banco de Portugal (BdP) analisa a realidade que se vive – em conjunto com outras entidades internacionais –, sendo que as principais questões analisadas se prendem com a segurança e como prevenir e resolver situações de fraude e de ciberataque.

Outras temáticas que merecem igual atenção dizem respeito à protecção de dados pessoais e da privacidade dos consumidores ou à contratação de serviços financeiros através de canais digitais. Neste último caso, trata-se de uma situação transfronteiriça pelo que importa perceber a melhor forma "de regular, supervisionar e sancionar agentes com sede ou estabelecimento num outro Estado-membro e que actuem ao abrigo da livre prestação de serviços", adianta o BdP.

Entre as várias hipóteses a ter em conta, o supervisor nacional fala na possibilidade de contar "com quadros normativos tecnologicamente neutros, que assegurem ao consumidor o mesmo nível de protecção independentemente do canal que estes escolham para contratar um serviço bancário". De resto, esta é também a opinião defendida por "várias organizações internacionais".

Mas a digitalização do sector bancário vai ainda mais além, fruto de uma oferta tecnológica que não deixa de mudar, colocando preocupações como a necessidade de transparência e informação num contexto de contratação através de canais digitais.

Neste caso, o BdP chama a atenção para a necessidade de se assegurar que "o consumidor é realmente informado e que toma consciência das condições que subscreve na contratação de serviços financeiros". Aqui é internacionalmente reconhecida "a importância da actuação também do lado da procura de serviços bancários, através de iniciativas de educação financeira".

A preocupação com a digitalização do sector bancário e todos os seus processos reflecte-se igualmente em algumas iniciativas promovidas pela própria União Europeia (UE) que adoptou já um conjunto de medidas para realizar um mercado único de serviços financeiros prestados ao consumidor, mas potenciado pela digitalização.

Estas medidas incluem a directiva relativa às contas de pagamento, que aumenta a transparência das taxas aplicáveis às contas bancárias (através, nomeadamente, da criação de websites comparativos de comissões bancárias em todos os Estados-membros). Ao mesmo tempo a directiva em causa vai permitir assegurar uma facilitação na mudança de contas bancárias.

Outra iniciativa desenvolvida pela UE foi a Estratégia para o Mercado Único Digital da Comissão, que procura intensificar o acesso aos produtos e serviços digitais.