Transformação Digital Caminho digital para a indústria

Caminho digital para a indústria

Disseminar a utilização da tecnologia entre a indústria, promovendo uma crescente maturidade e ajudando a retirar mais-valias da sua utilização são premissas que dão corpo à nova “revolução industrial”.
Caminho digital para a indústria
Negócios 12 de outubro de 2017 às 15:47

O termo surgiu na Alemanha e, no seu sentido mais lato, reflecte aquela que pode ser considerada a quarta revolução industrial, baseada na integração digital das diferentes etapas da cadeia produtiva. Contas feitas, trata-se de apostar fortemente no reforço da transformação digital dentro das organizações, quer no que diz respeito aos seus processos produtivos, tornando-os mais céleres e claramente mais rentáveis, quer também naquele que é o relacionamento da indústria com parceiros e clientes.

A verdade é que a revolução tecnológica e todos os conceitos que lhe estão associados sempre aguçaram a curiosidade do Homem e dominaram a sua imaginação. O contacto com robôs e máquinas autónomas chega de tempos imemoriais e, se bem que dificilmente aceitáveis na altura, hoje em dia acabam por se revelar totalmente ultrapassados, dando lugar a sistemas avançados de inteligência artificial, a capacidades de interacção homem-máquina ou máquina-máquina e, até mesmo, à interacção autónoma de uma linha de produção industrial.

Já nada disto assusta ou admira quem, hoje em dia, vive e interage na era das tecnologias disruptivas.

O conceito de Indústria 4.0 é tudo isto ao mesmo tempo, conforme a define a PwC no seu estudo "Indústria 4.0 – Construir a Empresa Digital": "É a quarta revolução industrial, focada na digitalização de processos e integração de sistemas, aplicada à indústria tradicional, com os vários parceiros da cadeia de valor."

Embora tenha entrado no radar de muitas empresas logo em 2014, na altura ainda só na Alemanha, a verdade é que só nos últimos dois anos se começou a notar uma aposta forte na modernização tecnológica.

Segundo dados da PwC, o conceito de Indústria 4.0 deverá suportar-se em três pilares distintos começando, desde logo, pela necessária digitalização e integração das cadeias de valor vertical e horizontal. O segundo factor, de acordo com a PwC, diz respeito à digitalização de produtos e serviços e, finalmente, uma terceira condição surge suportada nos modelos de negócio digitais e no consequente acesso do consumidor.

No seu estudo "Construir a Empresa Digital", a PwC dá conta de que, em cinco anos, 86% dos decisores do sector em Portugal esperam um aumento dos níveis de digitalização abrangendo aqui os seus processos das cadeias de valor horizontal e vertical.

Em termos de vantagens, diz a consultora que "a digitalização vai permitir ganhos significativos na performance" com uma redução expectável de custos anuais (até 2020) de 28 mil milhões de dólares no ramo automóvel, de 52 mil milhões de dólares na produção industrial ou de 61 mil milhões de dólares nos transportes e logística.

O mesmo estudo revela ainda que 57% das empresas nacionais do sector esperam um aumento médio da sua receita através do digital até 10%; 55% têm como expectativa uma redução de custos acima dos 10%; e cerca de 70% esperam obter ganhos de eficiência acima dos 10%.

Na realidade, oito em cada 10 empresas planeiam introduzir pelo menos um dos produtos ou serviços digitais e 67% apontam uma crescente utilização de "big data" (a cinco anos) para melhorar a relação com os consumidores durante o ciclo de vida do produto.

Diz a PwC que "a Indústria 4.0 veio aumentar significativamente as oportunidades de reter e melhorar a relação com os clientes, tornando a disputa por estes ainda mais intensa". A verdade é que estes conceitos já integram plenamente as estratégias empresariais no nosso país com a indústria a tirar partido também de vários programas comunitários e nacionais que vão sendo lançados, como é o caso do Vale Indústria 4.0.