Banca & Seguros Como as fintech estão a pressionar a banca

Como as fintech estão a pressionar a banca

A indústria financeira como a conhecemos até hoje tem de mudar e a transformação digital está a permitir isso mesmo, criar a banca do futuro.
Como as fintech estão a pressionar a banca
C-Studio 15 de fevereiro de 2017 às 17:58

Os micropagamentos, a fraude na mobilidade, a telemática, a "digital finance", os desafios da banca móvel, a regulação e a desregulação, a cibersegurança e a "blockchain" são alguns dos temas que estão a mobilizar a banca para uma revolução obrigatória.

As fintech, empresas de base tecnológica que fornecem serviços financeiros e novas formas de compreender a economia financeira, estão a ganhar terreno, mobilizando a sociedade em torno das novas formas como poupamos, guardamos, pedimos emprestado, investimos, movemos, gastamos e protegemos o dinheiro.

Desde 2010, foram investidos globalmente mais de 45 mil milhões de euros em mais de 2.500 empresas que preconizam os novos modelos de negócio da indústria financeira. No primeiro trimestre de 2016, o investimento global em fintech atingiu os 5,3 mil milhões de dólares, o que representou um crescimento de 67% em relação ao mesmo período de 2015.

Estes novos modelos de negócio estão a criar vagas de transformação tanto no modo de se adquirir serviços financeiros como na forma como os diferentes operadores da indústria se estão a posicionar nos mercados, criando um ecossistema financeiro que, além da inovação, traz consigo um ambiente menos burocrático, ágil e eficiente.

Um clique pode fazer toda a diferença num minuto, elevando os serviços destas novas start-ups fintech que começam a desafiar a banca tradicional, prometendo formas mais ágeis, mais transparentes e mais baratas de gerir os activos financeiros.

Um estudo da PwC em que foram entrevistados 176 presidentes executivos de instituições financeiras de todo mundo revela que 81% desses gestores acreditam que o crescimento das suas instituições estará em risco se as mudanças tecnológicas continuarem a avançar no mercado e a conquistar os clientes pelo preço, eficiência e agilidade dos serviços que permitem disponibilizar.

As fintech já perceberam e os seus modelos de negócio surgem embebidos de tecnologias de nova geração. "Cloud", "apps" e mobilidade chegam aos clientes na forma de serviços, operações e processos simples, seguros, transparentes e com comissões baixas e em alguns casos inexistentes.

As fintech são uma ameaça para os bancos? Por enquanto são apenas um elemento desafiador. A banca começa a perceber que chegou a altura de mudar e os gestores estão a entrar na corrida da digitalização procurando acompanhar de muito perto as ágeis start-ups financeiras que, sem pesadas infra-estruturas físicas, possuem uma agilidade maior.

A regulação ainda permite que assim seja, mantendo as fintech controladas, mas o amanhã está a um passo de distância e a capacidade de inovação destas empresas depressa as fará descolar a alta velocidade rumo a uma banca desburocratizada e eficientemente transparente.

 

Da aliança entre as finanças e a tecnologia nasce uma nova geração de produtos financeiros mais simples de serem usados, intuitivos e disponíveis 24 horas, 365 dias. Na prática, o que a maioria dos clientes pretende ter de uma instituição financeira é uma nova experiência de serviço.


Há uma aceleradora para fintech em Portugal 

A PayForward resulta de uma parceria entre a SIBS e a Beta-i e pretende dinamizar iniciativas de aceleração de start-ups fintech, procurando soluções financeiras e de pagamentos inteligentes
"Vamos valorizar as equipas que demonstrem ter as competências para desenvolver a sua solução em conjunto com a SIBS, que consigam dar resposta aos desafios de negócio da SIBS, e às equipas que estejam disponíveis para dedicar tempo e empenho no crescimento do seu negócio", garante Manuel Tânger, "head of innovation" da Beta-i.
O primeiro programa já está em marcha e os projectos que irão beneficiar de aceleração serão conhecidos no dia 24 de Fevereiro.