Gestão & Administração Como deve evoluir a direcção dos recursos humanos?

Como deve evoluir a direcção dos recursos humanos?

Avançamos possibilidades em relação ao novo papel do director de recursos humanos e à sua função de verdadeiro parceiro no negócio num mundo em plena transformação digital.
Como deve evoluir a direcção dos recursos humanos?
C-Studio 03 de julho de 2017 às 15:53

Numa altura em que as empresas cruzam fronteiras e integram várias culturas, diferentes gerações e a pressão de usar cada vez mais tecnologia, até para substituir funções humanas, os holofotes viram-se para os gestores de recursos humanos. A pergunta que se impõe é: e agora?

 

As empresas enfrentam hoje momentos de mudança. Não importa o sector, a dimensão ou a solidez do negócio, somam um conjunto de desafios que bebem da mesma fonte. O desenvolvimento acelerado da tecnologia em poucos anos mudou a forma como nos relacionamos, como trabalhamos e como gozamos momentos de lazer e isso reflecte-se na forma de fazer negócios.

 

Enquanto esta transformação operava, cresceu uma geração, que já chegou ao mercado de trabalho e que foi influenciada em todo o seu percurso pelas inovações dos últimos anos e pelas novas formas de interacção que daí resultam. Não sabe viver nem trabalhar sem elas.

 

Para quem gere recursos humanos numa empresa o desafio é grande. É preciso fazer fluir mudanças nos processos de negócio, gerir equipas com expectativas, motivações e formas de trabalhar distintas. Pessoas que são marcadas, não apenas pelas diferenças de idades, mas sobretudo por vivências e hábitos distintos, em empresas cada vez mais marcadas pela globalização. Onde expansão é sinónimo de saltar fronteiras e integrar novas culturas no universo de colaboradores.

 

Conseguir harmonizar diferenças é por isso um dos desafios que, como nunca, se colocam aos gestores de recursos humanos numa organização. E tudo isto se desenrola num contexto de escassez de perfis em várias áreas, que impõe estratégias criativas e até agressivas de recrutamento, que só vale a pena seguir se as organizações estiverem preparadas para dar sequência a esse esforço com políticas de retenção de talento eficazes.

 

Se há caraterística que a generalidade dos estudos atribui à nova geração de profissionais no mercado de trabalho é o desprendimento em relação ao conceito de emprego para a vida. Encaram com naturalidade a possibilidade de passar por várias experiências profissionais, em empresas distintas, enquanto constroem a carreira.

 

Assumida que está a importância do factor humano no sucesso das organizações, as expectativas que motivam cada colaborador, ou cada grupo de colaboradores, estão longe de ser uma questão secundária em qualquer estratégia de gestão de recursos humanos. Como tal, implementar políticas que garantam uma boa integração de todos os membros de uma equipa tem de ser uma prioridade para os gestores de RH da actualidade.

 

A capacidade de promover estratégias capazes de absorver a diversidade, de processos e pessoas que hoje compõem uma empresa, tornou-se crítica. Em organizações espalhadas por diferentes pontos do mundo a missão é ainda mais complexa, pelo que é importante conhecer bem as diferentes formas de trabalhar de cada grupo em cada país e ter a flexibilidade e a capacidade de reconhecer as melhores e espalhá-las por toda a organização. Algo que não pode ser feito de costas voltadas para os objectivos do negócio e que tem de ser feito cada vez mais em sintonia com essas metas e contribuindo para as atingir.


Mais desafios no horizonte

Gerir as novas formas de comunicação que a empresa está a integrar internamente e a usar para cativar novos talentos é outro dos grandes desafios da actualidade na gestão de recursos humanos. Dentro e fora da empresa, os destinatários desta comunicação são um público heterogéneo que exige diferentes estratégias. É preciso saber conquistá-lo, como é necessário interiorizar que muitas destas ferramentas não são apenas um instrumento de imagem, mas um ingrediente central para introduzir ganhos de eficiência que podem converter-se em mais negócio.

 

Num futuro próximo perspectivam-se mais desafios, igualmente complexos. Com a crescente utilização de tecnologias nas empresas para automatizar tarefas é preciso não só garantir a adaptação dos colaboradores aos novos processos de trabalho como gerir os impactos de uma crescente ocupação do espaço, que hoje ainda é preenchido por humanos, mas que gradualmente será território das máquinas.

É necessário afinar estratégias que ajudem a alinhar as competências dos colaboradores com esta evolução, procurando incluir todos numa mudança que é inevitável
e fundamental. Conseguir mostrar o valor que esta pode ter para cada membro da equipa é uma missão de longo prazo e uma das mais importantes para transformar grupos de colaboradores em verdadeiras equipas, prontas a vestir a camisola e a acompanhar as mudanças que não podem deixar de ser feitas.