Transformação Digital Como medir a maturidade digital da sua empresa?

Como medir a maturidade digital da sua empresa?

O Digital Transformation MaturityScape da IDC ajuda as organizações e os seus CXO a perceberem e a lidarem com os desafios e as oportunidades da transformação digital actualmente em curso.
Como medir a maturidade digital da sua empresa?
C-Studio 27 de setembro de 2017 às 09:55

A transformação digital dentro das organizações deverá ser encarada como uma estrada de sentido obrigatório e sem possibilidade de retorno. Na verdade, esta é uma estratégia que tem mesmo de ser adoptada pelos gestores sob pena de as suas empresas se deixarem ultrapassar por outras marcas no difícil mercado concorrencial.

 

No entanto, todo o processo de transformação digital não se assume como tarefa fácil de levar a cabo, obrigando os responsáveis das organizações a efectivar um conjunto de tarefas e a estar atentos a diferentes variáveis. Com o intuito de ajudar as organizações ao longo de todo este processo, a IDC desenvolveu o seu DX MaturityScape, explicando de forma fácil como lidar com os desafios e as oportunidades que as transformações digitais podem trazer para as empresas.

 

Segundo a IDC, "a DX é a abordagem através da qual as corporações introduzem mudanças nos seus modelos de negócio e ecossistemas, potencializando as competências digitais".


Recorrendo a este "modelo de assessment", conforme lhe chama Gabriel Coimbra, country manager da IDC Portugal, as organizações conseguem mais facilmente avaliar as suas capacidades e maturidade na transformação digital, fomentar o diálogo entre empresas e CXO sobre os objectivos e acções relativas às iniciativas de transformação digital, e ainda identificar áreas de capacidade de transformação digital que precisem de ser fortalecidas. De acordo com a IDC, o modelo assegura igualmente a possibilidade de se estabelecerem "padrões para seguir as iniciativas de transformação digital".

 

Na realidade, trata-se de identificar "as etapas, as dimensões, os resultados e as acções necessárias para as empresas transformarem digitalmente as suas operações, organizações, produtos e serviços".

Com a ajuda da IDC, as organizações avaliam a sua posição em função de cinco disciplinas cruciais em meio à transformação digital, a saber:

 

1. Liderança: perceber de que forma os líderes das empresas olham para esta temática. Em última análise, torna-se importante que assumam uma posição de maior sofisticação no seu conhecimento do ecossistema da empresa, incluindo a acessibilidade digital dos mercados, clientes e fornecedores de serviços, de forma a antecipar e desenvolver inovações operacionais e de produto que alarguem a quota de mercado e aumentem a receita, criando experiências digitais partilhadas que servem as necessidades dos clientes e parceiros móveis, socialmente ligados e digitalmente transformados;

 

2. Omni-experiência: diz respeito à capacidade de se criarem experiências para clientes e parceiros que juntem o mundo físico e o digital. Numa perspectiva de transformação digital, a IDC acredita que esta dimensão deverá incluir "a infinita combinação de experiências interactivas entre negócios digitalmente facilitados e os seus clientes, parceiros e funcionários, e as coisas que estão a transformar a forma como as pessoas comunicam entre si e com os produtos e serviços comerciais que são cada vez mais criados para satisfazer uma procura individualizada e única";


3. Modelo operacional: assume a forma como as organizações gerem os seus processos e os seus activos. No fundo, suportada em processos de transformação digital, esta dimensão "descreve a capacidade de realizar operações comerciais mais receptivas e eficazes, potenciando produtos/serviços, bens, pessoas e parceiros comerciais digitalmente ligados".

Uma organização mais madura neste campo terá "mais tempo e energia no desenvolvimento de novos produtos e serviços, integrando as ligações digitais externas da empresa nos seus mercados e fornecedores com os processos e projectos digitais internos", refere a IDC;

 

4. Força de trabalho: perceber de que forma as empresas gerem os seus recursos fora da organização e como lidam com o conceito de "crowdsourcing". Contas feitas, abrange a evolução de como as empresas irão atingir os objectivos de negócio através da contratação, implementação e integração de recursos internos (funcionários a tempo inteiro e a tempo parcial) e externos (contratos, "freelancers", parceiros);

 

5. Informação: trata-se de um nível transversal a todos os outros e que diz respeito à forma como as organizações gerem o seu principal activo. Em termos digitais, diz a IDC que se trata de uma abordagem focada na extracção e desenvolvimento do valor e utilidade da informação relativa aos clientes, mercados, transacções, serviços, produtos, bens físicos e experiências comerciais. Na realidade, as empresas transformadas "tratam dados e informação como tratariam qualquer outro bem de valor".

 

Em declarações ao Negócios.pt, Gabriel Coimbra explicou que, uma vez feita a avaliação, "as empresas são colocadas em um de cinco níveis". Assim sendo, o nível 1 abarca organizações mais resistentes ao conceito do digital, o nível 2 diz respeito a empresas que já começam a experimentar algumas das mais-valias do digital, e o nível 3, àquelas entidades que "se encontram bastante bem estruturadas e nas quais se verifica um grande alinhamento entre aquilo que é o negócio e o digital", diz Gabriel Coimbra.

 

Os dois níveis mais elevados, 4 e 5, integram, respectivamente, "as organizações que lideram no seu sector com recurso ao digital e ainda as organizações que criam já disrupção também com base no digital, como é o caso da Uber".

 

Apesar das definições estabelecidas para cada uma das etapas a ultrapassar neste "benchmark", Gabriel Coimbra recorda que se trata de "um modelo altamente dinâmico" fruto das próprias alterações do mercado, sendo que a chegada ao alvo se vai tornando "cada vez mais difícil quanto mais tarde se começar o processo de transformação digital". O country manager da IDC Portugal recorda ainda que este deve ser encarado como "um trabalho contínuo para as empresas".

 

Questionado sobre a realidade das organizações em Portugal e a respectiva maturidade do mercado nacional no que à transformação digital diz respeito, Gabriel Coimbra sublinhou que esta informação será brevemente apresentada no IDC Directions 2017, mas adiantou que se verifica uma ligeira diminuição da predominância de empresas no nível 1 "e um empolamento do nível 3". Quanto aos níveis 4 e 5, "não há aumentos significativos relativamente a 2016".

 

Na realidade, o estudo do último ano dava conta de que "em Portugal, as organizações estão ligeiramente menos maduras no processo de transformação digital quando comparado com os resultados das empresas na Europa Ocidental". Por seu turno, Portugal e a Europa "encontram-se ainda atrasados face aos níveis atingidos nos Estados Unidos da América", onde predominam as empresas "nos níveis 4 e 5 de maturidade", disse igualmente Gabriel Coimbra.

Maximize o valor da Digital Transformation MaturityScape

>> Avalie o nível de capacidade das empresas em cada uma das dimensões da DX: Leadership DX; Omni-Experience DX; Information DX; Operation Model DX; WorkSource DX;

 

>> Identifique o nível de maturidade ideal para a empresa no contexto da sua indústria, posição competitiva e necessidades de cliente/mercado para cada dimensão;

 

>> Em cada área, avalie o estado actual da equipa de liderança e a sua capacidade de criar e executar a visão para a transformação digital da empresa e do(s) seu(s) ecossistema(s);

 

>> Atribua papéis de liderança para o desenvolvimento de planos de DX e estruturas de governação para operações, marketing, infra-estrutura, cultura/organização, e assim por diante, conforme seja apropriado;

 

>> Avalie os pontos fortes da organização e desenvolva um plano e um processo para criar as competências necessárias em cada uma das cinco disciplinas.

(Fonte: IDC)