Sector Público Desafios de um gestor público face ao governo electrónico

Desafios de um gestor público face ao governo electrónico

Fruto das novas tecnologias e da consequente transformação digital, são vários os desafios que um gestor público enfrenta actualmente no sentido de assegurar uma efectiva governação online.
Desafios de um gestor público face ao governo electrónico
C-Studio 21 de agosto de 2017 às 10:38

As novas tecnologias de informação e comunicação chegam com cada vez maior facilidade e rapidez ao utilizador comum, entram nas empresas e transformam-nas de forma relevante e são também o rastilho de mudança no âmbito da governação e dos serviços que a administração pública presta ao cidadão.

 

E se, há uns anos, lidar com a administração pública poderia muito bem ser uma grande dor de cabeça, obrigando a várias deslocações a cada serviço e ao preenchimento de um sem-número de requerimentos – já que nenhum se encontrava digitalmente conectado –, hoje em dia a realidade poderá ser bem diferente… para melhor!

 

A transformação digital e, consequentemente, as tecnologias que a suportam vieram ajudar a melhorar e a agilizar todos os processos, ao mesmo tempo que aproximam os cidadãos dos serviços e os tornam mais transparentes.   

 

Na realidade, a tendência de governos cada mais conectados faz com que as instituições públicas fiquem mais próximas do seu público-alvo, o cidadão, que está maioritariamente online e que "exige" ver as suas necessidades atendidas também desta forma.

 

Em última análise, o objectivo passará certamente por "criar um modelo que permita, cada vez mais e de forma sustentável, oferecer serviços personalizados a cada cidadão e antecipar as suas necessidades". A ideia foi deixada há já quase um ano pela ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, mas continua tão actual como antes.

 



Quatro desafios que o gestor público deveá ultrapassar na caminhada em direcção ao governo electrónico



1. Inclusão

A internet e os serviços online são para todos e é também isso que se pretende aquando do desenvolvimento de uma oferta maioritariamente digital. Mais e melhores serviços públicos e privados online embora seja importante ter em linha de conta que, actualmente, cerca de 30% dos cidadãos ainda não utilizam a internet.

A info-exclusão é uma realidade à qual se deverá fazer frente até mesmo no sentido de combater desigualdades dentro do país. O segredo poderá passar pelo investimento em programas de formação de competências básicas no âmbito da informática e das tecnologias para adultos, por exemplo.


2. Usabilidade

Não se trata apenas de mais um "chavão" associado às novas tecnologias; o conceito de usabilidade ganha importância renovada no âmbito de serviços que se querem fluidos, rápidos e eficazes. Afinal de contas, qual é o tempo médio que um utilizador comum necessita para aceder a um serviço público via web?

A resposta surge associada ao conceito de usabilidade cujo objectivo é simplificar e evitar que os processos digitais sejam apenas e só uma extensão da antiga burocracia que antes existia em papel.

A introdução de automatismos neste campo e o desenvolvimento de novas soluções e ofertas que tenham em conta conceitos de usabilidade são, por isso, determinantes. Foi também tendo em conta esta realidade que a AMA desenvolveu o seu Portal de Boas Práticas de Usabilidade através do qual apresenta e define quais as melhores práticas neste campo e que deverão ser seguidas pelas instituições para o desenvolvimento de qualquer portal/site nas diversas áreas de governação da administração pública.


3. Inovação

Inovar deverá ser palavra de ordem em qualquer serviço da administração pública e no âmbito daquilo que é o governo online, sendo, por isso mesmo, uma preocupação central do gestor público.

Falamos aqui da necessidade de desenhar um serviço ou produto de forma diferente, mas testando-o sempre antes de o colocar à disposição do cidadão, de forma a reduzir riscos e corrigir eventuais erros que possam surgir.


4. Reforço das competências digitais

Este será, talvez, um dos maiores desafios que se colocam ao gestor público nos dias que correm: o reforço das competências digitais, um passo inevitável no sentido de fazer face à escassez de recursos humanos que actualmente se sente neste campo.

A falta de recursos humanos especializados, como se sabe, não é um problema exclusivamente português, mas antes da indústria a nível mundial.

No que ao nosso país diz respeito, o Governo português apresentou já uma iniciativa para melhorar as competências digitais a nível nacional. Trata-se do INCoDe.2030 que, entre outras medidas, conta com a formação de info-excluídos, de pessoas com deficiência e necessidades especiais, de professores e de desempregados, bem como a certificação das competências digitais dos cidadãos.

Entre as medidas, constam ainda o desenvolvimento de recursos educativos digitais e o incentivo à investigação científica em ciências e tecnologias quânticas, inteligência artificial e meios de comunicação digitais.

O Portugal INCoDe.2030, que decorrerá entre 2017 e 2030, tem como objectivos generalizar a literacia digital, estimular a empregabilidade, a capacitação e a especialização profissional em tecnologias e aplicações digitais e a produção de novos conhecimentos nas áreas digitais.