Sector Público Do eGov à transformação digital: ideias para uma política bem-sucedida

Do eGov à transformação digital: ideias para uma política bem-sucedida

Os desafios são grandes e nem sempre fáceis de realizar pelo que importa perceber o que deve fazer, afinal, a administração pública portuguesa para abraçar, com sucesso, o processo de modernização tecnológica.
Do eGov à transformação digital: ideias para uma política bem-sucedida
C-Studio 07 de julho de 2017 às 15:13

O processo de modernização e reforma da administração pública portuguesa tem vindo a ser encarado como algo complexo e difícil de levar a bom porto. Nos primeiros tempos, tudo parecia impossível de concretizar, os silos de informação eram demasiados, os sistemas estanques e sem permitir a interligação entre eles, em suma, ninguém comunicava com ninguém.


Esta realidade tem vindo, paulatinamente, a sofrer alterações fruto, primeiro, de pequenas medidas todas elas muito discretas e associadas ao governo electrónico, mas que foram permitindo conquistas importantes neste campo e, mais tarde, com a implementação do Programa Simplex. Este último veio assegurar uma nova abordagem à reforma da administração pública aproximando todo o processo dos cidadãos, ao torná-lo mais participativo e, ao mesmo tempo, permitiu ainda trabalhar projectos transversais e estruturantes.


Na verdade, Portugal conta actualmente com uma administração pública mais moderna e, em vários sectores, um verdadeiro caso de estudo em termos internacionais. Seremos, talvez, um dos poucos países que têm processos tão digitais ao nível da Autoridade Tributária – casos das declarações de IRS, IRC, IMI e outras –, mas também da saúde – através, por exemplo, da receita electrónica – ou do IMT Online – que permite realizar via internet um conjunto de serviços relacionados com a carta de condução, como pedidos de alteração, renovação ou de substituição –, para mencionar apenas alguns.


Mas até atingir o ponto óptimo ao nível do processo de modernização tecnológica e transformação digital, há um conjunto de práticas a seguir que passam por:

 

 

1. Agilizar é palavra de ordem

A estrutura associada à administração pública deverá ser algo bem oleado e atento à necessidade de se agilizarem serviços e de assegurar, o mais rápido possível, processos de transformação digital internos.

O país conta com vários programas sectoriais para as tecnologias de informação que podem ter aqui um papel relevante, mas também, e acima de tudo, com o Simplex+ 2017 – recentemente apresentado – e que se revela uma ferramenta de trabalho muito útil e totalmente indispensável. Igualmente a ter em conta é o Portugal 2020, um importante acelerador dos processos transformacionais.

Entre os diferentes processos que precisam ainda de atenção, destaque para a necessidade de se agilizar a partilha de informação entre os diferentes serviços, o que, em última análise, acabará por permitir a disponibilização de mais e melhores serviços públicos.

 

2. O sucesso também passa por saber comunicar

Em qualquer processo transformacional, pode surgir o receio da novidade e a resistência à mudança. Nas tecnologias esta não é uma realidade diferente; tendo em conta estes factores, importa reforçar a comunicação interna entre os diferentes intervenientes e a forma de a fazer.

O foco nos objectivos próprios não pode e nem deve ser descurado, mas isso não implica uma menor atenção à forma de os transmitir e de os fazer perceber a toda uma equipa de profissionais que terá de lidar com este tipo de novidades no seu dia-a-dia de trabalho.

 

3. Projectar digital, agir digital

Identificar os factores-chave que podem ter impacto no bom desenrolar do projecto é condição determinante para se atingir a meta com sucesso. Nesse sentido, quem comanda a transformação digital nas diferentes entidades da administração pública deverá ter consigo uma agenda de acções a desenvolver e de factores e/ou medidas a ter em conta no curto, médio e longo prazo.

Contas feitas, abraçar a transformação digital é determinante para mais e melhores projectos neste campo.

No final, ganham as entidades públicas, ganham os profissionais que lá trabalham, ganha o cidadão que passa a usufruir de serviços mais modernos e mais fluidos e ganha o país pela imagem de inovação e modernidade que transmite.