Mobilidade Estratégias móveis: boas práticas que cabem em qualquer negócio

Estratégias móveis: boas práticas que cabem em qualquer negócio

Os telemóveis tornaram-se no principal meio de acesso à internet. Ter uma estratégia “mobile” já não é por isso uma opção, é indispensável, mas que caminhos pode seguir e o que não deve descurar?
Estratégias móveis: boas práticas que cabem em qualquer negócio
C-Studio 13 de setembro de 2017 às 16:51

No final de 2016, os dispositivos móveis suplantaram, pela primeira vez na História, os PC como meio de excelência para o acesso à internet. A tendência não voltou a inverter-se e os dados mais recentes da StatCounter mostram que, em Agosto, 52,6% dos acessos à internet em todo o mundo foram feitos a partir de telemóveis e 42,7% através de computadores. Os tablets completam o quadro com 4,6% dos acessos.

 

Os números deixam pouca margem para dúvidas relativamente à importância de delinear uma estratégia móvel para a sua empresa. Mesmo que, perante o cariz do negócio, vender ou mostrar em detalhe produtos online possa não ser uma prioridade ou fazer pouco sentido para já, a probabilidade de um cliente ou parceiro procurar informação sobre a empresa a partir de um dispositivo móvel é cada vez maior. E tende a crescer mais ainda.

 

Pelas contas da Cisco, entre 2016 e 2021, o tráfego gerado a partir de dispositivos móveis multiplicar-se-á por sete, o que significa que cada vez mais experiências, negócios e interacções online passarão por estes canais.    

 

Mas tal como é importante definir um posicionamento e uma estratégia antes de criar um site, ou um perfil numa rede social, a empresa deve começar por definir como e com que objectivos pretende chegar ao ecrã de um smartphone e só depois tomar decisões. O primeiro passo é por isso conhecer as opções disponíveis.

 

Se o arranque da estratégia "mobile" coincide com o arranque da estratégia digital da companhia, e com o lançamento de um site, vale a pena aproveitar a oportunidade para apostar de raiz em algo suportado em tecnologias que permitam a adaptação automática dos conteúdos a diferentes tamanhos de ecrã.

É uma forma de poupar recursos – financeiros e de tempo, no desenvolvimento do projecto – e uma garantia de que sempre que alguém escrever o nome da empresa num motor de pesquisa, ou o endereço do site na barra do "browser", vai encontrar informação à medida do tamanho do ecrã que utilizar e preparada para a interacção com um ecrã de toque.

 

Nos bastidores, o trabalho de desenvolvimento é feito com recurso à mesma base de código, o que significa que os programadores só terão de correr todo o processo uma vez, com a garantia de que o resultado final chegará em condições a diferentes tipos de dispositivos.

A desvantagem desta opção está na capacidade de afinar a optimização do site para os diferentes tipos de dispositivos existentes no mercado, que é mais limitada do que num site dedicado, ou numa app criada especificamente para um sistema operativo móvel. É um investimento mais direccionado, que vai privilegiar uma fatia específica de utilizadores, com uma experiência desenhada completamente à sua medida.

 

Criar uma app: sim ou não?

Outra opção a considerar numa estratégia "mobile" – que não deve dispensar a existência de site "mobile responsive" – é a criação de uma aplicação móvel. É uma tendência que tem cativado muitas empresas e percebe-se porquê.

 

Entre as grandes vantagens de criar uma aplicação móvel para iOS, Android ou outra plataforma está a garantia de que o conteúdo criado tira o melhor partido das características nativas do sistema operativo e do equipamento (GPS, câmara, etc.), porque todo o desenvolvimento pode seguir o guião do fabricante (kit de desenvolvimento), para assegurar a melhor integração.

Por outro lado, uma aplicação é descarregada para o equipamento, o que se traduz no poder de reservar um espaço próprio no dispositivo do cliente, ficando acessível (pelo menos em teoria) mais facilmente do que um site e com um acesso que não depende de uma ligação à internet. Neste universo, as apps híbridas também são uma opção.

 

Procuram o melhor de dois mundos, tentando unir a flexibilidade das linguagens web padrão, como HTML, JavaScript e CSS, tal como acontece num site optimizado para telemóvel, ao acesso a recursos nativos, para garantir maior rapidez de desenvolvimento e maior flexibilidade para alterações, embora percam para as apps nativas na capacidade de garantir a melhor experiência de utilizador. São usadas, por exemplo, para promover ou dar suporte a eventos, ou outros acontecimentos limitados no tempo.

 

A melhor opção depende de vários factores

Ficar-se pelo site e investir o orçamento disponível na melhor experiência multiplataforma possível, ou complementar essa presença com uma app, é uma decisão que deve ter em conta um conjunto de aspectos. Se a empresa tem poucos recursos financeiros e técnicos e precisa de gerar tráfego e chegar ao maior número de pessoas possível com a sua presença online, o site será a opção mais adequada.

 

É uma alternativa mais barata e mais simples de concretizar porque o número de programadores disponíveis no mercado para trabalhar com as linguagens web mais modernas ainda é maior do que o número de técnicos dedicados às plataformas móveis.

 

A curva de aprendizagem do primeiro também é menor. Por outro lado, um site está ao alcance de um motor de busca e, como tal, com os ingredientes certos (Search Engine Optimization) tem mais condições para atrair novas visualizações. Já se o objectivo é fidelizar clientes, vender ou disponibilizar algo, mesmo sem internet por perto, a aplicação pode fazer mais sentido.

 

As perguntas que vale a pena fazer

Conhecendo as várias opções, a decisão sobre a que melhor se adequa à sua empresa deve responder a um conjunto de questões. Entre elas, quanto tenho para investir; até que ponto é importante permitir ao cliente a personalização de conteúdos, tirar partido das funcionalidades do smartphone para passar a mensagem, ou disponibilizar um produto ou serviço. Vou usar o site para vender ou apenas para comunicar e com que frequência?

 

Qualquer que seja a opção, vale a pena ter em conta que os consumidores têm comportamentos diferentes consoante o dispositivo em que estão e valorizam formas de interacção distintas com os conteúdos que lhes são apresentados consoante o ecrã.

 

Outro aspecto importante é manter conteúdos actualizados e renovados com frequência. Uma app disputa espaço no smartphone de um cliente com milhares de outras propostas e, se deixar de ter interesse, rapidamente pode ser substituída. Da mesma forma, só valerá a pena voltar a um site se houver algo de novo para ver, algo que também é levado em consideração pelos motores de busca na altura de "arrumarem" os resultados de pesquisa.  

 

Outra boa prática, válida para qualquer que seja a plataforma na qual escolhe mostrar a sua empresa online, são o apelo e a correcção dos conteúdos. Um design cuidado, visualmente interessante, acompanhado de um conteúdo adequado e escrito também de forma apelativa e sem erros marca pontos e é um bom cartão-de-visita.