Gestão & Administração Há uma quarta revolução industrial à espreita

Há uma quarta revolução industrial à espreita

A Internet das Coisas, o “big data” ou a impressão 3D são algumas das variáveis que compõem a nova revolução.
Há uma quarta revolução industrial à espreita
C-Studio 15 de fevereiro de 2017 às 17:45

Vivemos num período desafiante para empresários, gestores e organizações de uma maneira geral. O mundo como o conhecemos está a mudar radicalmente, alterando no seu percurso a forma como trabalhamos, produzimos e fazemos negócios.

 

Há quem diga que estamos perante uma nova revolução industrial, a quarta, que marca a convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

 

Depois de a máquina a vapor ter assinalado a primeira revolução industrial, a electricidade e a linha de montagem terem marcado a segunda, e a electrónica, a robótica e as telecomunicações estarem na origem da terceira revolução industrial, é agora chegado o primado das tecnologias, enquadradas em conceitos como o "big data", o "cloud computing", a Internet das Coisas e a mobilidade.

 

Conjugadas eficazmente, estas tecnologias moldam a economia do futuro, com os novos poderes a fazerem-se sentir, por exemplo, em áreas como a neurotecnologia ou a engenharia genética, actualmente mais perto do cidadão comum do que alguma vez poderíamos ter a ousadia de imaginar.

 

A Revolução 4.0 – como também lhe chamam – faz-se não pela evolução, mas antes por uma mudança de paradigma que todos os estudiosos da área assumem estar em curso.

 

A Internet das Coisas, o "big data" ou a impressão 3D são algumas das variáveis que compõem a equação. De acordo com diferentes estimativas, o sucesso na adopção destas novas tecnologias pode vir a estimular a produtividade global da mesma forma que os computadores pessoais e a internet o fizeram no final dos anos 90.

 

Para os investidores e as organizações, a quarta revolução garante oportunidade de mais e melhores negócios. Mas esta nova era implica mais do que apenas ciência, tecnologia ou empreendedorismo; requer que a tecnologia seja efectivamente adoptada e difundida na vida do dia-a-dia. 

 

E requer igualmente profissionais habilitados para lidarem com estes novos paradigmas. De uma forma global, é certo e sabido que as economias mundiais precisam de investir em educação e inovação para garantirem a fórmula do sucesso.

 

A verdade é que se assim não for, o cenário futuro poderá desenhar-se um tudo-nada menos cor-de-rosa havendo quem defenda que a quarta revolução industrial poderá ter um impacto negativo ao nível da criação de emprego.

 

Segundo o último World Economic Forum, podemos estar a falar na perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos nas principais economias mundiais.

 

Os números são esmagadores e assustam até porque os especialistas presentes em Davos vão mais longe ao assegurar que, além de tudo o mais, esta nova revolução provocará também grandes perturbações não só no modelo dos negócios como nas políticas mundiais.

 

A formação de profissionais torna-se aqui relevante, habilitando-os a lidarem com uma revolução em que a diferença entre máquinas e Homem acabará por se atenuar, se não mesmo extinguir, e o valor central passará a estar na informação e nos dados.

 

Do lado das organizações, mais do que intimidante, este é um momento entusiasmante. Dados do último Barómetro Global de Inovação apontam para o facto de 70% das empresas terem expectativas positivas face à quarta revolução industrial.

 

De qualquer forma, a distribuição regional não é, de todo, uniforme, com os mercados emergentes da Ásia a adoptarem as transformações de uma forma mais intensa e efectiva do que está a acontecer nos mercados das economias mais desenvolvidas.

 

Com as cartas em cima da mesa, é tempo de puxar da balança e pesar bem os prós e os contras de uma realidade que se apresenta já como efectiva. Cabe a empresários e gestores terem a capacidade de se moldarem a estes novos desafios e criarem as condições internas necessárias para que o negócio e as suas equipas consigam, efectivamente, dominar esta quarta revolução industrial. Com sucesso!