Transformação Digital Melhorar a densidade digital pode significar crescimento económico

Melhorar a densidade digital pode significar crescimento económico

Portugal poderá vir a beneficiar de um crescimento na casa dos 3,2 mil milhões de euros até 2020 se optar por apostar fortemente na economia digital.
Melhorar a densidade digital pode significar crescimento económico
C-Studio 24 de novembro de 2017 às 12:15

O aumento do Índice de Densidade Digital (IDD) "terá um impacto significativo na produtividade e no crescimento anual do PIB nacional". A ideia foi defendida pela Accenture Strategy, que, juntamente com a Oxford Economics, desenvolveu pelo terceiro ano consecutivo um indicador que identifica a real penetração das tecnologias nas economias de vários países.

 

Neste trabalho, Portugal surge entre as 25 primeiras economias do mundo analisadas pelo estudo, numa posição superior quando comparado com o PIB dos restantes países analisados.

 

O IDD realça que o impacto "é tanto maior quanto menor a maturidade digital do país – pelo que o ‘gap’ se traduz numa oportunidade clara de aumentar o ritmo de crescimento económico em Portugal".

 

De acordo com Luís Pedro Duarte, vice-presidente da Accenture e responsável pelo estudo, "o papel das tecnologias digitais está a mudar – deixou de ser fundamentalmente de ganhos de eficiência para servir de base à inovação e disrupção em estreita relação com a estratégia de negócio".

 

Entre as iniciativas propostas para o desenvolvimento da economia digital em Portugal, o estudo da Accenture Strategy começa por identificar as dimensões em que se verifica um maior distanciamento face aos casos de referência.

Áreas de intervenção prioritária

 

1. Duplicação do peso dos especialistas de tecnologia na força de trabalho, de 2,5% para 5%;

2. A proporção do investimento anual das empresas em "analytics" e em soluções de "cloud" deve aumentar em 35% e 250%, respectivamente;

 

3. Incremento de aceleradores.

 

No primeiro caso, diz o estudo que as competências tecnológicas digitais dominam a lista das mais procuradas pelas empresas – ex.: "cloud", "data mining", "mobile development" e cibersegurança – e o número de novos alunos formados pelas universidades nestas áreas "não chega para responder aos empresários portugueses".

 

Na verdade, a percentagem de diplomados no ensino superior na área de ciências, matemática e informática em Portugal é de 7% (na Alemanha, por exemplo, é de 14%). "É assim crítico que Portugal ponha em marcha acções de capacitação digital" como a adopção de modelos de recrutamento flexíveis (ex.: aquisição de competências através da atracção de recursos internacionais) ou o fomento da reconversão de perfis para o digital.

 

Relativamente ao segundo vector, a Accenture Strategy acredita ser "fundamental intensificar os esforços do desenvolvimento de ‘analytics’ para obter um maior conhecimento do cliente e garantir serviços mais personalizados e simplificados". Com um investimento de cerca de 40 milhões de euros neste domínio (dados de 2016), "Portugal utiliza apenas 0,6% do orçamento do software das empresas de tecnologia".

 

Já no que diz respeito ao "cloud computing", "menos de 20% das empresas portuguesas utilizam este serviço, sendo um factor de inibição a falta de sensibilização dos decisores".

 

Em termos de aceleradores, o estudo defende que o Estado desempenha "um papel fulcral na potenciação de políticas e iniciativas que impulsionem as empresas e os cidadãos na adopção do digital".

 

Assim sendo, numa primeira instância, a promoção da literacia digital dos cidadãos está no caminho crítico para o desenvolvimento da economia digital.

 

Em Portugal, 26% dos indivíduos nunca usaram internet, comparativamente com 14% na UE 28, revela o mesmo trabalho, pelo que deverá ser "incentivada a formação de cidadãos no digital".

 

A base deste estudo da Accenture Strategy centra-se no cálculo do Índice de Densidade Digital (IDD) dos países, analisando a evolução de mais de 30 indicadores que de forma ponderada representam o nível de competências digitais, a utilização de métodos de trabalho digitais, o investimento em novas tecnologias, as infra-estruturas do país e as políticas e estímulos ao desenvolvimento de uma economia digital, entre outras variáveis.