Sector Público Norte do país cada vez mais digital

Norte do país cada vez mais digital

Depois de Lisboa ter mantido a sua posição de liderança por vários anos, a capital foi agora ultrapassada pelas autarquias mais a norte, nomeadamente ao nível da facilidade de utilização dos sites e da disponibilização de serviços online.
Norte do país cada vez mais digital
C-Studio 09 de junho de 2017 às 19:03

Segundo dados da mais recente edição do Índice da Presença na Internet das Câmaras Municipais (Ipic 2016), agora divulgado, a Câmara Municipal de Murça assume a primeira posição globalmente ao nível das autarquias mais digitais, seguida de Vila do Bispo e Bragança.

 

Contas feitas, os municípios do Norte do país e também do Algarve ganham destaque no "ranking", relegando para segundo plano a região de Lisboa que perde assim a sua posição cimeira neste estudo.

 

Na realidade, a região de Lisboa surge apenas na quinta posição, representada aqui pela Câmara Municipal da Lourinhã, antecedida ainda pela autarquia da Ribeira Grande, representando os Açores.

 

De acordo com o mesmo trabalho, e à semelhança do que sucede desde 2009, as 308 câmaras municipais portuguesas têm presença na web conhecida.

 

Na realidade, ao longo dos anos, "tem-se vindo a assistir a uma melhoria gradual da presença na web das câmaras municipais portuguesas, estando, no entanto, esta evolução a efectuar-se a ritmos distintos em diferentes câmaras municipais", diz o mesmo trabalho.

 

Não obstante a melhoria notada, o valor médio do índice de presença na internet foi de 0,439 (em 2014 havia sido de 0,410 e em 2012 de 0,363), "o que constitui ainda um valor relativamente baixo face ao que seria desejável". Este valor médio resultará da existência de algumas câmaras municipais que apresentam avaliações muito baixas, o que provoca uma descida significativa do valor da média. Ainda assim, o valor máximo alcançado por uma câmara foi de apenas 0,626.

 

No que concerne a uma análise por critérios, foi possível constatar que o Critério 1 – Conteúdos: tipo e actualização – foi aquele em que, em termos médios, as câmaras alcançaram melhores valores.

 

O valor médio neste critério foi de 0,725, tendo registado uma subida face aos valores de 2014, em que havia sido 0,622, e de 2012, em que havia sido 0,535.

 

Diz o mesmo estudo que, neste critério, o indicador em que a pontuação média obtida foi mais baixa (0,479) foi o "C1.I4. Informação sobre os serviços municipais", que avalia a existência de informação sobre os serviços prestados pela câmara municipal, o que sucedeu também no estudo de 2014.

 

Dado tratar-se de informação relevante para o cidadão, nomeadamente quando este necessita de recorrer fisicamente aos serviços da sua câmara, "seria expectável que este critério tivesse obtido uma classificação superior", pode ler-se no estudo.

 

Para o cálculo do índice, são avaliados e classificados, por observação directa, os 308 websites camarários, divididos em 32 grupos de indicadores organizados em quatro critérios: Conteúdos: tipo e actualização; Acessibilidade, navegabilidade e facilidade de utilização, Serviços online e Participação.

 

No final das contas, foi possível perceber que o número de câmaras que obteve pontuação superior à média subiu em relação a 2014. Na realidade, segundo dados deste último estudo, houve agora 150 câmaras municipais – em 2014 foram 145 e em 2012 foram 154 – com pontuação superior à média.

 

O trabalho que está na base do "ranking" Ipic é totalmente desenvolvido no âmbito do Gávea – Laboratório de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade da Informação da Universidade do Minho.

Ranking das 10 autarquias mais digitais em 2016

1.ª  Câmara Municipal de Murça

2.ª Câmara Municipal de Vila do Bispo

3.ª Câmara Municipal de Bragança

4.ª Câmara Municipal da Ribeira Grande

5.ª ex aequo Câmara Municipal da Lourinhã e Câmara Municipal de Manteigas

6.ª Câmara Municipal de Guimarães

7.ª Câmara Municipal de Alenquer

8.ª Câmara Municipal de Leiria

9.ª Câmara Municipal de Alvaiázere

10.ª Câmara Municipal de Santo Tirso