Banca & Seguros Pagamentos contactless ganham tracção no retalho

Pagamentos contactless ganham tracção no retalho

Até 2019, o valor global das transacções deverá atingir o trilião de dólares segundo dados da Juniper. Em Portugal, a tecnologia começa a descolar.
Pagamentos contactless ganham tracção no retalho
C-Studio 12 de junho de 2017 às 12:16

O valor global das transacções efectuadas com recurso a tecnologia contactless – feitas por meio de cartões de pagamento, telemóveis ou através dos denominados "wearables" – deverá atingir os 1,3 triliões já em 2019, mais do que duplicando face ao valor deste ano que se situa na casa dos 590 mil milhões de dólares.

 

Os dados são de um estudo recente da Juniper Research, levado a cabo a partir de pesquisas feitas por diferentes analistas "fintech". O trabalho "Contactless Payments: NFC Handsets, Wearables & Payments Cards 2017 – 2021" dá ainda conta de que os níveis de utilização dos cartões sem contacto vão continuar a dominar as transacções, representando 80% do total das operações realizadas em 2019. A pesquisa prevê que as transacções sem contacto via cartões de débito/crédito vão acabar por ultrapassar os dois triliões de dólares, a nível mundial até 2021.

 

Competir através dos cartões

A pesquisa efectuada pela Juniper Research aponta ainda que vários mercados com uma infra-estrutura contactless relativamente bem desenvolvida foram suportados pelos provedores de cartões, "embora com diferentes níveis de sucesso".

 

A Juniper chama a atenção para o facto de, em 2016, enquanto os cartões representavam mais de 90% do valor das transacções em muitos mercados europeus (por exemplo, aumentando para 99% em Espanha), já no mercado norte-americano esta posição estava totalmente invertida. Na verdade, ali este tipo de carteiras móveis representava 90% do total de transacções sem contacto.

 

"Numa perspectiva puramente de pagamentos e conveniência, será difícil para os fornecedores de carteiras móveis assegurarem quotas de mercado a partir, meramente, de cartões contactless. Assim sendo, devem antes optar pela prestação de serviços inovadores através dos quais a carteira móvel se tornará o mecanismo de pagamento padrão", referiu o autor da pesquisa, Nitin Bhas.

 

Portugal ainda a despertar

No mercado nacional, a utilização de cartões contactless está ainda numa fase muito embrionária não existindo quer por parte dos utilizadores quer dos retalhistas o hábito de a eles recorrer.

 

Segundo vários especialistas do sector da banca, a solução poderá passar por um maior investimento neste campo, assegurando uma cada vez maior dispersão da infra-estrutura necessária para dar suporte a este tipo de cartões.

 

Do lado do cliente, diz quem sabe que "o hábito faz o monge" pelo que se torna urgente passar a disponibilizar esta oferta em cada vez mais espaços por forma a tornar a sua utilização um hábito efectivo.

 

Ainda assim, e segundo dados recentes da Mastercard, "os locais que aceitam pagamentos contactless aumentaram 110%". Já o valor gasto com este tipo de cartões "cresceu 800%", tendo o número de transacções aumentado "791%, um crescimento muito superior ao que se verificou em 2015", refere ainda a companhia.

 

Emergem novos serviços de pagamentos

A Juniper Research aproveitou ainda o mesmo estudo para apontar uma nova tendência neste sector dos pagamentos: uma oportunidade significativa para as ONG utilizarem os pagamentos sem contacto e digitalizarem as transacções.

 

Por exemplo, no Reino Unido e na Irlanda, a Visa está a trabalhar no desenvolvimento de caixas de doações que integram já leitores contactless. A Juniper prevê que as caixas de caridade, juntamente com outras iniciativas similares, vão continuar a "crescer a um ritmo incrível a par do segmento dos pagamentos contactless móveis".