Gestão & Administração Portugal é uma prioridade para a Liferay

Portugal é uma prioridade para a Liferay

A empresa traçou objectivos ambiciosos em termos de receitas para Portugal. Até ao final do ano deverá duplicar o número de parceiros e começar a apostar fortemente no sector privado.
Portugal é uma prioridade para a Liferay
C-Studio 30 de junho de 2017 às 16:16

"Portugal é uma prioridade para a Liferay, não só este ano como também nos próximos." A garantia foi deixada por Óscar González, salesdirector da Liferay em Portugal e Espanha, que, em entrevista ao Negócios, traçou o perfil da empresa e explicou a estratégia a seguir no nosso país. Com uma importante presença na administração pública (AP), a Liferay está a reforçar as suas parcerias e a focar-se mais fortemente no mercado privado. Óscar González diz acreditar no potencial de Portugal, país ao qual tanto o produto como os serviços Liferay podem aportar muito valor.

 

Que tipo de empresa é a Liferay?

A Liferay é uma "software house" norte-americana fundada em 2004 na Califórnia; fazemos todos os nossos produtos em "open source", baseando-nos em standards e disponibilizamos a nossa oferta – Digital Experience Platform (Liferay DXP) –, que é a ferramenta que colocamos à disposição das empresas e da administração pública nos diferentes países em que actuamos, para realizarem a sua transformação digital.

 

De que forma podem ajudar as empresas no seu processo de transformação digital?

Com a Liferay DXP ajudamos as empresas em três níveis distintos. No primeiro nível, assegurando a criação e a unificação das experiências do utilizador; no segundo, ajudando a transformar as operações de negócio e, no terceiro nível, no desenvolvimento de uma estratégia digital.

 

Pode explicar melhor cada um deles?

No que diz respeito ao primeiro nível, o que a Liferay faz é colocar em cima da mesa a possibilidade de se criarem os canais que o cliente precisa, utilizando a nossa tecnologia. Mas não se trata só de criar os canais, mas também de ter a capacidade de os interligar a todos entre si para que seja possível ter uma visão única do cliente; além do mais, oferecemos uma experiência personalizada tirando partido dos dados que já temos dos nossos clientes.

 

Em segundo lugar, falamos de transformar as operações dentro da nossa própria empresa. Concordamos com a Forrester quando diz que a principal barreira que as empresas e a administração pública enfrentam quando se transformam digitalmente e ligam os seus silos de informação.

 

A Liferay responde a isto porque se criou logo como uma plataforma de integração de sistemas e assim consegue romper com os silos que existem dentro das empresas.

 

E finalmente, gostaria de destacar a inovação; quando uma empresa ou a administração pública tem de escolher uma plataforma, aquilo que nós dizemos é: deve ter presente que a escolha tem de ser válida e utilizável durante muito tempo e deve ainda permitir fomentar a inovação; hoje em dia falamos de "big data", de robôs e de "wearables", mas o que será que vai acontecer dentro de um ano? Podemos estar a falar de outras coisas, quase de certeza. O cliente deve escolher uma tecnologia que lhe permita flexibilidade.



A plataforma Liferay DXP ajuda as empresas em três níveis distintos. No primeiro nível, assegurando a criação e a unificação das experiências do utilizador; no segundo, ajudando a transformar as operações de negócio e, no terceiro nível, no desenvolvimento de uma estratégia digital.

 

A tecnologia "open source" é importante?

Sem dúvida o facto de sermos uma software house "open source" ajuda sobretudo em temas mais relacionados com a inovação. Qualquer outra empresa que não seja "open source" pode ter muitíssimos empregados, mas nunca terá uma comunidade tão grande como nós, que somos "open source"; temos uma comunidade de mais de 130 mil utilizadores que estão a ver como fazemos código e podem dar sugestões quase no momento.

 

O "open source" tem sido fundamental para conseguir que os ciclos de inovação sejam mais rápidos e, ao mesmo tempo, conseguir tirar partido das ideias de muita gente.

 

Se uma empresa portuguesa quer utilizar Liferay, o que deve fazer?

A Liferay faz o seu produto e presta serviços sobre o seu produto. O produto é o DXP e os serviços são manutenção e suporte, mas também consultoria especializada; logo, não desenvolvemos projectos para o cliente final.

 

Ou seja, um eventual futuro cliente deve começar por falar connosco, Liferay; nós ajudamos a tomar a decisão mais indicada ao seu caso. Uma vez isso decidido, o cliente deverá falar com um parceiro Liferay em Portugal que recorre à nossa tecnologia e desenvolve um projecto à medida para cada um dos nossos clientes.

 

Como é que as empresas portuguesas estão a receber a mensagem de transformação digital?

A nossa visão é que há ainda muita margem para trabalhar tal como acontece em Espanha. No âmbito concreto da administração pública, aqui em Portugal estamos um passo mais à frente, sendo que a AP portuguesa no seu processo de transformação digital recorre muito ao "open source".

Em Espanha não é assim, não se valoriza tanto esse tipo de tecnologia. Por outro lado, também o trabalho desenvolvido na AP portuguesa está mais avançado do que aquilo que se tem feito em Espanha.

 

E no sector privado?

No sector privado não temos tantos dados de mercado. A Liferay é uma plataforma horizontal que não está especializada em nenhum sector específico da indústria. Temos mais clientes no sector da banca e nos seguros. Estamos agora a começar a apostar mais no sector privado.

 

Têm dois parceiros em Portugal, um deles é recente. As duas parcerias são nos mesmos moldes?

Nós classificamos os parceiros em vários níveis e os dois parceiros portugueses estão no mesmo nível. Gostaríamos de aumentar o número de parceiros em Portugal. O objectivo interno é acabar o ano com quatro parceiros.

 

Que perfil procuram?

Desde logo valorizamos o facto de ser uma empresa séria; o tamanho não nos importa tanto; temos parceiros muito grandes, como a everis ou a Accenture, e temos parceiros mais pequenos e que são muito focados. Os dois tipos acabam por se complementar.

 

As grandes consultoras, como as que referiu, também trabalham em Portugal?

Sim. No caso concreto da Accenture, é um parceiro a nível mundial e que pode trabalhar em Portugal. Em Espanha, temos 16 parceiros locais e em Portugal temos dois, para já, a everis e a GFI.