Gestão & Administração Transformação digital está apenas a começar

Transformação digital está apenas a começar

A adopção de estratégias da digitalização começa a desenhar-se internamente envolvendo o departamento de TI e toda a organização de uma forma transversal. A everis ajuda na definição dos melhores caminhos a seguir.
Transformação digital está apenas a começar
C-Studio 06 de junho de 2017 às 16:33

É uma caminhada que está ainda no início. De uma maneira geral, nas empresas portuguesas, começa a sentir-se a necessidade de adoptar processos de transformação digital, mas muito há ainda a fazer até que esta seja uma efectiva realidade no mercado nacional.

A opinião é de Ricardo Lebre, director e responsável da unidade de Digital Experience da everis, que, em entrevista, explicou como é que este parceiro Liferay está a ajudar os seus clientes a gerirem todo o processo de forma bem-sucedida.

 

Quando falamos em transformação digital em Portugal, não vemos muita coisa. Sente que é uma necessidade?

É uma necessidade para dar uma resposta ao mercado, ou seja, as próprias empresas vêem aquilo que está a acontecer, muito provocado pelas start-ups ou até pelos próprios clientes, e querem avançar.

Estamos a falar de uma cada vez maior dependência das redes sociais, de cada vez mais despender tempo em canais que são diferentes daqueles canais onde as empresas estão actualmente e, ao fazer parte do mercado concorrencial, as próprias organizações percebem que têm de se transformar e adaptar a uma nova realidade.

E como se faz essa transformação?

Obviamente, esta transformação passa muito por, de um modo célere, tentar ter alguma resposta em função daquilo que está a acontecer; passa por pensar naquilo que os clientes necessitam e é essa transformação que ainda está em falta em Portugal.

 

Em falta porque não se consegue passar a mensagem? Porque as direcções não estão receptivas a ela? Porque não há orçamento?

Estamos no início do processo a nível nacional, a começar a definir uma estratégia e a identificar a pessoa-chave para liderar todo o processo. Porque qualquer transformação organizacional não se faz sem ter uma responsabilidade muito clara e um "empowerment" muito claro também.

 

Onde deve estar esse "empowerment": no CIO ou, pelo contrário, não deve estar sequer na equipa de TI?

Claramente, do nosso ponto de vista, não deve estar exclusivamente do lado das TI, apesar de a equipa de TI ter de estar profundamente envolvida porque faz parte de toda esta transformação.

A verdade é que o departamento de TI tem de trabalhar de forma diferente, mas a própria organização e a forma como conceptualizam necessidades de negócio, se definem prioridades e se fazem todos os projectos, devem mudar também.











Dizia que as empresas portuguesas estão muito no início do processo…

Existem projectos, mas estão a surgir muito ao nível "up to bottom", ou seja, está a trabalhar-se muito do lado da estratégia e, como qualquer decisão vertical, leva o seu tempo até ser adoptada. Portanto, neste momento, estamos na definição dos planos digitais, estamos a trabalhar nas alterações das metodologias, estamos a dotar as TI e o negócio de capacidade e de novos talentos, diferentes daqueles que existiam até ao momento.

Vejo ainda uma preocupação muito grande com todo o tema da experiência, do design e da interacção que até agora também ficava um pouco para trás. Cada vez mais nos pedem ajuda para termos uma melhor "user experience", por exemplo. E tudo isso leva o seu tempo.

 

Qual é a verba dos orçamentos de TI que começa a ser reservada para esta transformação?

As organizações que estão mais maduras o que fazem é separar claramente aquilo que é a visão do seu dia-a-dia e a forma como devem manter aquilo que nos dias de hoje já têm, ou seja, o serviço aos clientes, daquilo que são as alterações a fazer, todas elas muito focadas em novos modelos de negócio e em temas digitais.

Está, claramente, a surgir nas organizações mais maduras esta separação de orçamentos e estas empresas tentam cobrir de alguma forma toda a alteração necessária a nível digital, criando equipas diferentes, muitas delas já voltadas para aquilo que se pede, com outro tipo de resposta e "time-to-market", mas, uma vez mais, estamos ainda no início de todo um processo.

 

Quando fala em organizações maduras, quer dizer exactamente o quê?

Tipicamente, na everis temos maior visibilidade sobre as grandes organizações que são os nossos clientes. Estamos a falar de grandes empresas que a nível nacional, neste momento, já perceberam esta necessidade e que, no último ano, sobretudo, desenvolveram processos de transformação também internos, reestruturando as próprias equipas para conseguir ter uma resposta efectiva a este tipo de problemática.

Ao longo de 2017, acreditamos que vai notar-se um acentuar de tudo aquilo que foi o processo de definição que decorreu sobretudo no último ano e que vão arrancar "n" processos com "n" modelos de contratação distintos.

 

Há fundos comunitários para a inovação e a transformação digital. Começam a sentir que as empresas recorrem a estes mecanismos financeiros?

Passa sobretudo por organização e pela definição de um objectivo e de uma estratégia. Tendo uma estratégia, é óbvio que qualquer organização consegue direccionar os fundos dentro daquilo que é o seu negócio. Claro que estamos a falar de um novo paradigma e de um novo ecossistema; portanto, não olhar para estas novas formas de financiamento também seria perder uma oportunidade competitiva grande face a outras companhias.

Quase todas as empresas a nível nacional contam com uma área de inovação; quase todas elas estão muito atentas a todas estas questões; e as próprias consultoras que podem apoiar e ajudar esta transformação estão à procura destes prestadores de serviços para que possam aportar algo mais em termos de experiências não só nacionais, mas internacionais também.


A plataforma Liferay está pensada para a realidade das nossas empresas?

Sim, do nosso ponto de vista, claramente, ou seja, é uma excelente plataforma. Há clientes que já têm uma arquitectura tecnológica de base e a Liferay permite, de alguma forma, complementar essas arquitecturas que já existem, oferecendo capacidades de integração muito poderosas e, igualmente, muita facilidade em termos de tudo o que é "user experience".


Tudo junto, temos as condições reunidas dentro da plataforma para ser uma boa resposta ao negócio tendo em conta aquilo que são os seus objectivos.

A everis desenvolve e adapta de acordo com as necessidades a partir da plataforma?

Temos projectos distintos: desde aqueles que exigem mais desenvolvimento puro a projectos internos de transformação de processos dentro da organização; depois temos projectos em que se pretende apenas transformar um pouco a face de uma empresa para o exterior, geralmente associados mais aos sites institucionais e à forma