Sector Público Treze anos chegam para mudar as competências digitais de um país?

Treze anos chegam para mudar as competências digitais de um país?

A Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 quer colocar Portugal ao lado dos melhores da Europa na capacidade de tirar partido das TI. Mas afinal qual o tamanho do desafio e qual o nosso ponto de partida?
Treze anos chegam para mudar as competências digitais de um país?
C-Studio 17 de julho de 2017 às 17:45

O Governo lançou recentemente aquilo a que chamou a Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 (Portugal INCoDe.2030); trata-se de um programa que visa agregar várias iniciativas nas mais diversas áreas, todas elas com o objectivo de colocar Portugal, por mérito próprio, no grupo dos melhores da Europa na capacidade de tirar partido das TI.

 

Esta é uma iniciativa interministerial que reúne as áreas governativas da modernização administrativa, da ciência, tecnologia e ensino superior, da educação, do trabalho, do planeamento e das infra-estruturas e da economia, e que pretende reforçar as competências básicas em tecnologias de informação e comunicação entre a população portuguesa, preparando-a para as oportunidades de emprego emergentes e baseadas no digital.

 

Na realidade, a Portugal INCoDe.2030 procura garantir a literacia e a inclusão digitais assegurando assim o exercício pleno da cidadania, ao mesmo tempo que vem também estimular a especialização em tecnologias e aplicações digitais para qualificar o emprego e tornar a economia mais competitiva. Uma outra meta a atingir diz respeito à capacidade de se conseguir produzir, em Portugal, novos conhecimentos científicos, mas tirando aqui partido de tudo o que seja cooperação internacional.

 

Estes três objectivos principais enquadram a Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 num país onde, segundo dados do próprio programa, em 2016 se contava com 60% de utilizadores frequentes de internet contra 71% em média na União Europeia; a meta é chegar aos 90% em 2030. Já no que diz respeito às competências digitais ou mais do que básicas, em 2016, Portugal contava com uma percentagem de 47% sendo que o programa pretende chegar aos 80% em 2030. Esta é também a percentagem que se procura obter ao nível dos utilizadores de internet no emprego, sendo que no ano passado não iam além dos 36%.

 

Outros dados importantes que o programa pretende ver alterados dizem respeito ao nível digital dentro das PME, que se pretende elevado. Actualmente, a média situa-se nos 17,7%, devendo chegar aos 40% em 2030, na medida em que os utilizadores de banca digital vão crescer dos actuais 29% para os 90%.

 

Finalmente, com este programa o Governo pretende ainda aumentar o numero de utilizadores de eGov em Portugal. Em 2016, apenas 45% recorreram aos serviços públicos através de plataformas digitais (muito próxima da média verificada na União Europeia que é de 48%); em 2030 devem ser 90%.

 

Este é o ponto de partida, no país, para a implementação de um vasto conjunto de medidas que visam promover e reforçar as competências digitais. Para já são 33 medidas entre as quais se contam programas de formação em competências digitais, em especial para os utilizadores denominados info-excluídos, para pessoas com deficiência e necessidades especiais e ainda a certificação de competências digitais do cidadão.

 

No que às empresas diz respeito, o INCoDe.2030 compreende um importante domínio da qualificação para o emprego que integra cursos online de curta duração e cursos técnicos superiores em competências digitais, bem assim como formação para licenciados que se encontrem no desemprego e ainda para desempregados de longa duração. O programa abarca igualmente acções que visam promover a formação superior inicial e pós-graduada e a qualificação digital de trabalhadores em funções públicas.

 

Na área da investigação, o programa vai assegurar a criação de uma biblioteca académica digital cujo objectivo passa por partilhar a informação de universidades e institutos politécnicos. Prevê-se ainda o incentivo a actividades em computação científica, em ciências e tecnologias quânticas, inteligência artificial e media digitais, neste caso, através do desenvolvimento de parcerias internacionais, nomeadamente com países mediterrânicos e africanos.

 

A reunião de um leque alargado de actores sociais em torno do programa Portugal INCoDe.2030 ficará nas mãos do, agora criado, Fórum Permanente para as Competências Digitais, presidido por Rogério Carapuça (o também presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações).