Mobilidade A mobilidade está a assumir o comando dos negócios

A mobilidade está a assumir o comando dos negócios

Os dispositivos móveis estão hoje no centro das comunicações. A adopção massiva destas soluções está a “empurrar” as empresas para um mundo novo de oportunidades, mas também de desafios. Os números falam por si e mostram que há muito a fazer, mas começar pelo mais elementar pode ser boa política.
A mobilidade está a assumir o comando dos negócios
C-Studio 30 de março de 2017 às 11:55
Nos últimos cinco anos, a Google acompanhou a evolução no mercado de smartphones, num estudo que inquiriu 625 mil pessoas em todo o mundo e concluiu que se em 2012 uma em cada três tinha acesso a telemóveis inteligentes, cinco anos depois a percentagem aumentou para 70%. Em Portugal, o estudo apurou um avanço dos 18% para os 59% e os números do Instituto Nacional de Estatística chegam ainda mais longe, revelando que o telemóvel é usado por 78% dos portugueses para navegar na internet, enquanto os portáteis têm a mesma função para 73% dos inquiridos.

Qualquer um dos dados deixa pouca margem para dúvida relativamente à mudança de hábitos que um pouco por todo o mundo se verifica, graças à proliferação das redes de quarta geração, à redução no preço das comunicações e dos próprios equipamentos. As empresas não podem – e não têm – ficado indiferentes a esta mudança. A grande questão é saber se estão a adaptar-se a ela no ritmo e na direcção mais correcta.

Alguns sinais indicam que sim, outros nem tanto. No desenvolvimento de aplicações e de sites a lógica do "mobile first" já impera. O facto de a Google ter passado a dar preferência na indexação dos resultados de pesquisa do seu motor de busca aos sites optimizados para a visualização a partir de dispositivos móveis foi uma boa razão para acelerar esta tendência, mas também foi uma consequência. A empresa deu o seu contributo para forçar no mercado a mudança que na verdade já tinha acontecido, registando que a maior parte das pesquisas já era realizada através de dispositivos móveis. Hoje há uma consciência generalizada nas empresas da importância em assegurar uma presença online à medida de um ecrã de telemóvel. A consciência é generalizada, a prática ainda não.

O crescimento estrondoso das aplicações móveis é outro sinal irrefutável de que o consumo de serviços, as compras e o entretenimento estão cada vez mais na palma da mão. Números actualizados do site de estatísticas App Brain indicam que estão hoje disponíveis mais de 2,8 milhões de aplicações para Android, a maior plataforma móvel do mercado. Juntam-se cerca de dois milhões de aplicações para iOS e muitos milhares de outras opções, que não cabem na disputa Google vs. Apple. E todos os meses surgem entre 60 a 65 mil novas apps só para Android, números difíceis de medir em receitas, mas que revelam uma dinâmica que não pode ser ignorada por quem está no mercado. Embora analistas como a Gartner já antecipem uma era pós-apps, em que "bots" e assistentes pessoais vão apropriar-se de muito daquilo que hoje é fornecido pelas apps, a pressão das empresas para comunicarem com os clientes por esta via, estenderem para este ecossistema os seus produtos e os seus canais de vendas é enorme e, no formato actual ou noutros, não se prevê que diminua. Pelo contrário.

O número de dispositivos móveis ligados à internet e o potencial para daí extrair dados, criar novas soluções e novos negócios tende a crescer a um ritmo cada vez mais acelerado. Para a Cisco, como refere o relatório Visual Networking Index divulgado no início deste ano, chegaremos a 2021 com 12 mil milhões de dispositivos móveis ligados à internet e uma população mundial de 7,8 mil milhões de habitantes. Os módulos máquina-a-máquina asseguram o que vai além das ligações "humanas".

Mas estar preparado para os desafios da mobilidade fora de portas inclui grandes mudanças dentro de portas. A começar pelo mais elementar: dar aos colaboradores as mesmas ferramentas para trabalhar que já não dispensam em contexto privado. Os benefícios são óbvios e muitas vezes já quantificados. A Aruba, uma empresa da Hewlett Packard Enterprise, revelava em finais do ano passado um conjunto de conclusões sobre a adopção de soluções de mobilidade, com base em 1.800 inquéritos a empresas. Os ganhos médios do investimento ao nível da produtividade nessas organizações rondavam os 16%, o equivalente a 6,4 horas semanais e a 41 dias de trabalho por ano. Além destes, as companhias identificavam a satisfação (23%) e a lealdade à empresa (21%), como outros ganhos importantes da mudança.

Em Portugal, uma análise Sage/IDC concluiu que embora os empresários portugueses reconheçam o impacto das soluções de mobilidade na produtividade dos colaboradores e no relacionamento com os clientes, os investimentos em processos de gestão, tecnologia e competências para enfrentar os desafios da mobilidade são tímidos. A ausência de estratégias globais e o desconhecimento dos riscos associados ao investimento em soluções pontuais são o que mais falha na abordagem local ao tema. O mesmo estudo, divulgado no início de 2016, prevê que em 2018, 2,8 milhões de colaboradores estarão a usar soluções de mobilidade em Portugal. Faltam números que permitam dar uma ideia do negócio que já é gerado graças à aposta na mobilidade, nas mais diversas vertentes do conceito.