Cinema Lisbon & Estoril Film Festival: Longa passadeira de imagens
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Lisbon & Estoril Film Festival: Longa passadeira de imagens

O percurso arranca esta sexta-feira, sempre entre Lisboa e Estoril. O difícil vai ser mesmo escolher: 140 filmes, espectáculos, exposições e encontros com nomes incontornáveis da Sétima Arte. Um festival em contra-relógio até 15 de Novembro.
Lisbon & Estoril Film Festival: Longa passadeira de imagens
Wilson Ledo 07 de novembro de 2015 às 12:00

Aqui não há favores. Entre revelações e nomes consagrados, só os melhores chegam aos ecrãs do LEFFEST. Para contrariar um esquecimento bem português, o de olhar o cinema como arte.
"As obras têm segredos escondidos. Queremos abrir algumas portas para que eles possam ser mais visíveis". Escancará-las, de Lisboa ao Estoril, fazendo a reflexão circular na corrente de ar. "Em Portugal esquecemos uma das facetas. O cinema é também uma arte, uma criação artística".

Paulo Branco anseia ir mais longe, mostrar que o cinema é muito mais que lazer. "Pretendemos chamar a atenção do que pode ser a fruição de uma obra cinematográfica". Na nona edição do Lisbon & Estoril Film Festival (LEFFEST) não está sozinho nesta meta. Nanni Moretti, Wim Wenders, Benoît Jacquot, Laurie Anderson, Jonathan Demme ou Louis Garrel juntam-se. Entre estreias e repetições, referências do panorama artístico.

Mas este não é um desfile de vaidades. "A grande vantagem deste festival é que não é uma passadeira vermelha onde os artistas se vêm mostrar para os fotógrafos. Pelo contrário, eles vêm aqui, muitas vezes evitando os fotógrafos, para poder partilhar as suas experiências com o público".

A intenção é diversificar o máximo possível. Ao longo do ano, o director do LEFFEST percorre os principais certames de cinema. Aqui e acolá vai juntando peças para criar um único conjunto, o seu festival. "Isto é uma visão do que de melhor se produz em termos de cinematografias mundiais. Logicamente que há alguns filmes que não podem estar".

Sempre sem medo de apostar no cinema comercial. "Filmes que parecem de uma enorme simplicidade têm, por vezes, uma complexidade muito maior. E são muito mais enriquecedores. Este não é um festival que evita o cinema dito comercial. Pelo contrário, quer integrá-lo numa reflexão". Daí que não faltem as antestreias de alguns dos filmes mais esperados dos próximos meses.

Há também cinema português, mas "aqui não fazemos favores". "O ano passado não tivemos nenhum filme português em competição". "Montanha", de João Salaviza está agora na corrida. E não falta a homenagem a um nome incontornável: "temos uma obrigação com esse enorme actor que é o Luís Miguel Cintra". Um aplauso especial escolhido antes de Cintra ter anunciado a sua decisão de abandonar o palco. Pisa-o pela última a 15 de Novembro, coincidindo com o derradeiro dia de LEFFEST.

"Tentamos sempre ter uma presença portuguesa forte no nosso festival, inclusivamente para dá-lo a conhecer aos convidados estrangeiros". Hoje, Paulo Branco não acredita que o cinema nacional é mais valorizado fora de fronteiras do que cá dentro. "A projecção internacional de Manoel de Oliveira acabou por abrir os olhos a muita gente sobre a qualidade do cinema português. Penso que isso já não acontece. Já é mais um cliché do que outra coisa. Pelo contrário, às vezes penso que até é um bocadinho sobrevalorizado. Ainda bem, espero que assim continue".

O interesse de realizadores estrangeiros em filmar no país também é crescente. A diversidade de paisagens facilita, o produtor estende-lhes a mão. "Procuro sobretudo projectos que tenham genuinamente a ver com Portugal, que o país não sirva simplesmente como uma imitação". Por exemplo, em Janeiro do próximo ano parte para o Buçaco com a realizadora Fanny Ardant.

Paulo Branco gostaria de trazer novos nomes para rodar em Portugal. Tem alguns em mente, mas não abre o jogo. "Gosto de falar em projectos concretos quando existem. Esses sonhos guardo-os para mim. Quando se tornarem quase realidade, poderei começar a falar neles". E será a décima edição do festival que criou uma realidade? "Vamos ver. Caminhando se faz o caminho".

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