Weekend A Ferrari como nunca a viu

A Ferrari como nunca a viu

A obsessão de um cidadão comum pela mítica scuderia italiana gerou a mais completa exposição sobre uma marca de automóveis que gera paixão em todo o mundo.
A Ferrari como nunca a viu
José Vegar 18 de novembro de 2017 às 11:00
A paixão de um cidadão do mundo pela Scuderia Ferrari gerou aquela que, até ao momento, é provavelmente a mais ambiciosa exposição sobre a mítica marca italiana de automóveis.

A história desta paixão duradoura conta-se em poucos parágrafos, mas não é por isso que tem menos intensidade. Em 1975, movido apenas pela sua paixão pela Ferrari, o inglês Ronald Stern deslocou-se a Maranello, perto de Modena, em Itália, onde estava e continua a estar o complexo fabril da marca. Stern não tinha um encontro marcado, não tinha um plano, queria apenas conhecer a sua Mecca. Deu-se o acaso de, nesse dia, almoçar perto do fundador da marca, Enzo Ferrari, mas não falou com ele e pouco mais aconteceu, com uma excepção. Do lado de fora da fábrica, Stern ouviu o rugido de um motor de um Ferrari de Fórmula 1. Bastou isso, confessou ao Financial Times, para desencadear a paixão.

Desta audição até aos dias de hoje, Stern nunca parou de investir em objectos relacionados com a "Scuderia" e com o seu fundador. No seu caso, é mesmo uma obsessão com os seus bens de paixão. A diferença criada pela metodologia de Stern está no seu sentido extenso de património e memória. Numa linha de aquisição, Stern tem para partilhar alguns Ferraris. Tem também uma longa lista de objectos mais adorados pelos coleccionadores de automóveis, como são os capacetes, os fatos e as luvas dos pilotos de F1, componentes dos vários modelos, estátuas e troféus, e até relógios que eram oferecidos por Enzo Ferrari aos seus trabalhadores.


Mas onde o inglês apaixonado, com uma rara visão de génio nesta área, investiu com mais método e devoção foi nos objectos esquecidos, mas fundamentais quando falamos de preservação. Stern procurou e encontrou, na maior parte das vezes, os documentos técnicos de construção dos modelos, bem como os catálogos descritivos de cada modelo, referências absolutamente fundamentais. Coleccionou também cartazes e outros documentos de publicidade. E, acima de tudo, tem a colecção mais preciosa de correspondência de Enzo Ferrari com membros da família, amigos e com os pilotos da Scuderia.

Assim, a exposição "Ferrari: Under the Skin", que poderá ser vista no Design Museum, em Londres, até Abril, tem duas valências importantes. Para os apaixonados da marca, é uma rara oportunidade de ver num só espaço a mais completa e rica exposição sobre a Ferrari. Mas, para os investidores em bens culturais, é muito mais do que isso. É um momento para perceber que quando um cidadão comum seduzido alia paixão, método e paciência, é possível construir uma memória material e executar um acto fantástico de preservação do Património da Humanidade.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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