Weekend A insurgência dos pequenos operadores

A insurgência dos pequenos operadores

Uma extensíssima plataforma virtual de leiloeiras e galerias mostra que no mundo do investimento em bens culturais há sempre lugar para o combate contra as potências imperiais.
A insurgência dos pequenos operadores
José Vegar 15 de julho de 2017 às 09:00
Dir-se-ia que no mundo dos leilões não haverá território além das quatro ou cinco grandes casas globais, a começar, claro, pela Sotheby's e pela Christie's. O domínio imperialista explica-se, primeiro, pelo valor dos bens. Sendo as líderes, as casas mencionadas captam para as suas sessões os bens de topo, não só na pintura, mas também em temas tão diferentes como os automóveis de colecção ou os relógios, para referir apenas alguns exemplos do arsenal que guardam e leiloam ao longo do ano.

Mas a opressão das imperiais estende-se a outras dimensões, porventura menos visíveis. Há, antes de mais, a presença física nas principais praças mundiais, como Londres e Nova Iorque, e depois o poder da sedução, isto é, vendedores e compradores desejam marcar presença nos leilões mais visíveis, que são também aqueles onde, em princípio, as melhores cotações serão atingidas. Não existirá, então, muito espaço para operadores de segunda linha.

Na verdade, não é bem assim. Logo para começar, o êxito e o volume de negócios das imperiais fazem com que se abra mais mercado, porque captam a vontade de vender ou de adquirir bens. E, de seguida, há o milagre sempre permanente da plataforma virtual, que permite agrupar, acoplar, nivelar e fundir um número altíssimo de ofertas e operadores.

Neste campo, uma das propostas mais interessantes é a Invaluable, acessível em www.invaluable.com, bem como na extensão co.uk. A grande força da Invaluable é a extensão fabulosa de operadores de pequena e média dimensão que consegue agrupar, sejam eles casas leiloeiras, galerias e particulares. Assim, através da plataforma, é possível aceder a "players" de todo o mundo, normalmente arredados tanto do mundo virtual como da primeira liga dos leilões.

O segundo trunfo do local virtual é que decalca as boas práticas das imperiais e tem um catálogo de oferta que atinge todos os temas de interesse. Assim, divididos nos campos Artes, Artes Decorativas, Joalharia, Mobiliário, Arte Asiática e Coleccionáveis, estão todos os temas relevantes, sejam eles artefactos gregos, brincos Chanel originais, carros Ferrari dos anos 50 em condição perfeita, "posters" dos primeiros concertos dos Beatles, relógios Patek Philippe, ou tantas outras peças que os investidores e coleccionadores dariam tudo para possuir.

Tal acontece porque a Invaluable assenta o seu modelo de negócio na abertura radical, isto é, na permissão do uso do seu espaço a todos aqueles que possuam bens, depois de certificados, e a todos aqueles que os procuram. Obviamente, a maior parte dos leilões são realizados em ambiente virtual, o que permite ainda mais conexões de qualquer ponto, para qualquer ponto. O modelo Invaluable é um bom exemplo de como os territórios virtuais permitem uma constante insurgência contra as potências imperiais, o que só eleva a qualidade do mercado, especialmente para os investidores.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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