Weekend A memória do feito desportivo

A memória do feito desportivo

Um operador profissional português no mercado dos bens de desporto está a colocar-nos na primeira liga global deste sector, que capta cada vez mais entusiastas.
José Vegar 08 de abril de 2017 às 09:00
O modo como são guardados na memória os grandes feitos desportivos é uma das mais fascinantes questões dos homens, dos seus mundos e dos seus tempos. O que fica retido é aquele momento em que o mundo pára e um humano, ou um grupo unido numa entidade chamada equipa, supera os adversários e transforma-se em vencedor, trazendo para si a glória, por vezes imortal, e levando aos seus um momento raro de felicidade.

Estão por demais, e há muito tempo, disseminados os vários critérios de cumprimento necessários para a classificação de feito desportivo, do triunfo num campeonato a uma longa carreira triunfante de um atleta, e as estatísticas em torno do fenómeno são até, por vezes, avassaladoras, tal é a sua diversidade. No entanto, há um critério muito interessante, de medição mais complexa, que é o da distinção entre o que a comunidade considera um feito, e o que o indivíduo comum considera um feito.

A comunidade, mas nem sempre a nação, tende a classificar de feito o triunfo numa competição formatada e oficial, como é o campeonato nacional, europeu ou mundial numa determinada modalidade. Assim, o triunfo nesta tipologia de provas leva sempre a uma enorme festa, o conhecido acto de "parar o país". Já para o indivíduo o feito desportivo pode ser um acontecimento muito mais particular. As hipóteses são as mais variadas, e vão desde a vitória da sua equipa num campeonato secundário ao triunfo de um seu familiar num desporto minoritário.


Há ainda um critério muito mais fluído, que é o de um feito desportivo validado pela comunidade ter tido um enorme impacto no indivíduo, que acontece quando este marca o seu percurso com uma vitória de um atleta, considerando-o um momento alto da sua vida. Por exemplo, para uma geração de portugueses, a vitória de Carlos Lopes na maratona das Olimpíadas de Los Angeles jamais será esquecida, como para outra geração a eliminação de Portugal nas meias-finais do Europeu de 84 é uma tristeza nunca abandonada.

É neste mundo de memória e exaltação que trabalham, um pouco por todo o mundo, os agentes da oferta em bens culturais de desporto, tendo criado, nos últimos anos, um mercado que alcança boas valorizações. A oferta assenta, obviamente, nos objectos que fixam a memória dos grandes triunfos, e vai dos equipamentos, camisolas, chuteiras, bolas, até aos materiais administrativos e promocionais, como são os bilhetes, os programas, ou, muito valorizadas, as colecções de cromos.

Até há pouco tempo, o mercado nacional assentava apenas em coleccionadores móveis, mas o notável aparecimento da Sports - Coleccionismo de Desporto elevou o mercado. Situada em São Mamede de Infesta, a Sports (telefone: 22 902 7032; e-mail: coleccionismo.sports@gmail) é um operador profissional deste mercado, que procura seguir as regras internacionais. A oferta assenta em artigos únicos e originais, representativos dos grandes feitos desportivos nacionais. Há uma boa colecção de camisolas de jogadores de várias modalidades, do futebol ao ciclismo, bilhetes, programas, cartazes e outros objectos curiosos, bem como, claro, um excelente inventário das mais famosas colecções de cromos. É de visita obrigatória para quem tem interesse nestes bens.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.



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