Weekend A procura da excepção na Feira Internacional do Artesanato

A procura da excepção na Feira Internacional do Artesanato

A Feira Internacional do Artesanato abre amanhã em Lisboa. É um momento importante para os investidores em bens culturais, se tiverem a paciência necessária para detectar valor.
A procura da excepção na Feira Internacional do Artesanato
José Vegar 24 de junho de 2017 às 09:00
Estará aberta a partir de amanhã, e durante uma semana, a Feira Internacional do Artesanato (FIA), nos pavilhões da FIL, no Parque das Nações. A feira, embora com as limitações sérias que serão referidas mais abaixo neste texto, é um ponto de passagem obrigatório para quem se interessa pelo sector dos bens culturais, numa variedade apreciável de temas. Assim, a cerâmica e a marcenaria costumam estar bem representadas, como é também o caso das mais variadas tipologias das artes têxteis, e ainda da cortiça.

Há igualmente alguns bons representantes no vidro, na joalharia e nos metais, só para destacar os principais temas representados. O investidor que decida percorrer os estreitos e demasiado cheios corredores da feira – a primeira nota negativa a apontar – deve ter dois objectivos, que poderão ser complementares: o da descoberta e o do investimento. Decididamente, o investidor ocupará muito mais tempo com o primeiro objectivo do que com o segundo.

A descoberta tem essencialmente a ver com a presença do reduzido número de criativos e artesãos que ainda criam peças individuais ou em pequenas quantidades, com arte e função assinalável, e por vezes em áreas que lutam desesperadamente contra a moda dos tempos. Poderá ser, por exemplo, um marceneiro do Norte de Portugal que ainda cria estojos de jóias em madeira com segredo, ou um mestre da filigrana minhota, que tenta aliar as técnicas tradicionais do ofício a designs contemporâneos, ou um designer que tenta encontrar objectos com funcionalidade para aplicar cortiça, ou ainda séries limitadas de azulejaria.

Desenvolvendo um pouco as possibilidades geradas pelo "objectivo descoberta", trata-se no fundo de identificar criadores e artesãos ainda capazes de trabalhar em artes e ofícios seculares, mas que possuem pouca visibilidade e normalmente não estão presentes nos circuitos dominantes. A partir daqui, o investidor deverá seleccionar os melhores artesãos e as melhores peças, e investir, segundo as regras do mercado global. Infelizmente, e este é o principal problema da FIA, para cumprir os seus objectivos, o investidor necessita de bastante tempo e paciência. Na verdade, o grosso da oferta da feira, especialmente a nível internacional, é de fabrico massivo, o que lhe retira interesse e valor.



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