Weekend A ousadia da marca De Grisogono de Isabel dos Santos

A ousadia da marca De Grisogono de Isabel dos Santos

A marca de bens de luxo de Isabel dos Santos ataca sozinha num mercado, o dos bens de luxo, dominada por alguns dos mais poderosos conglomerados globais.
A ousadia da marca De Grisogono de Isabel dos Santos
José Vegar 08 de outubro de 2016 às 10:15
A estratégia da De Grisogono para se fixar no topo do mercado da joalharia e da alta relojoaria é verdadeiramente ousada. O que a marca, que tem a curiosidade de ter como maior accionista a empresária angolana Isabel dos Santos, está a tentar é combater o efeito prolongado da erosão dos termos exclusividade, luxo e qualidade.

Com efeito, os termos referidos são actualmente dos mais gastos que existem, dado que a indústria do luxo, um conceito que abrange uma série de bens e de marcas, que produzem bens no sector da joalharia, da relojoaria e da moda, essencialmente, desmultiplica-se hoje em tanta oferta e em tantas variações, que se torna muito difícil, para as marcas, convencer o mercado que tem algo de singular.

A estratégia de produção, ou de criação, e de comunicação da De Grisogono, com esta última a comunicar em todos os principais media mundiais, procura exactamente recuperar valor para os três conceitos referidos. A exclusividade, para a marca, assenta na compra de matéria-prima superior à de toda a concorrência e na criação de peças únicas.

É deste modo que a marca, em associação com a empresa de extracção de diamantes Nemesis, tem comprado alguns dos mais raros e valiosos diamantes em bruto descobertos, como é o caso do Constellation, uma pedra de 813 carats descoberta no Botswana, que custou 63 milhões de dólares, que é apenas o mais recente de vários diamantes de qualidade superior que a marca adquiriu.

A mensagem de exclusividade não acaba aqui. Segundo a marca, o Constellation, e outras pedras já utilizadas, são cortados por especialistas, mas já com o conselho dos designers de jóias e relógios "da casa", com o objectivo de serem criadas peças únicas. Exactamente, a mais recente peça única, ou seja, sem qualquer réplica, é um anel centrado num diamante branco de 16 carats, "cercado" por pequenos diamantes brancos e esmeraldas. Preço sob consulta, claro, e futuro comprador anónimo, ainda mais claro.

O luxo para a De Grisogono pode ser reinventado com o recurso ao mesmo processo, matéria-prima de topo exclusiva, mas também com a feitura, através daquela, de produtos de joalharia e relojoaria que estão num patamar acima da concorrência, em valor estético, defende a marca, mas também em valor de mercado. A ideia aqui é a de o mercado acreditar que, no nicho de topo do mercado de luxo, que já é um nicho, é possível escavar ainda um lugar mais cimeiro.

Assim, para a De Grisogono, exclusividade e luxo formam as bases de reinvenção do conceito mais gasto de todos, o da qualidade, isto é, um produto ter um valor justo por aquilo que oferece. Perante o investimento gigantesco que a marca está a fazer em matéria-prima, design e comunicação, a curiosidade é imensa para se saber como vai o mercado responder.

Sozinha no topo Num mercado que vale, desde 2010, à volta de 200 a 250 mil milhões de euros anuais, e não dá sinais de perder força, o grande poder está nos conglomerados, com o LVMH Moët Hennessy, que detém, entre outras, a Louis Vuitton e Bulgari, e a Richemont, que inclui no seu portefólio a Cartier e a Montblanc, a liderarem as dez empresas mais poderosas. Também aqui a curiosidade é a de ver qual o lugar que a De Grisogono consegue atingir, já que opera sozinha contra "casas" que conseguem levantar tremendas sinergias de grupo.

*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.  





A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado coolstreamcomments Há 2 semanas

Muito bem! Cada diamante desses dava para alimentar muitos milhares de angolanos.

comentários mais recentes
Jornalismo de Sarjeta Há 2 semanas

Quanto recebes-te miseravel, para porpagandear os Corrupotos Santos, e seus Roubos ao Povo Angolano quando eles ate sao Zairenses.Nojo de Jornalecas Vendidos como uma simples Vadia.

coolstreamcomments Há 2 semanas

Muito bem! Cada diamante desses dava para alimentar muitos milhares de angolanos.

Onix Há 2 semanas

Bela Joia!

É o diamante verde tal como grande sportinguista que é a EngªIsabel dos Santos.

Mila Rodrigues Há 2 semanas

Dela, ou de Angola????.

ver mais comentários
pub