Weekend Berlim: Uma capital em constante mudança

Berlim: Uma capital em constante mudança

Não faltam motivos para conhecer esta cidade gigante e cheia de história e histórias. Agora, há uma série de mercados de Natal que merecem também uma visita, como o de Gendarmenmarkt.
Miguel Pedro Vieira 18 de Dezembro de 2016 às 10:00
Com um casaco bem quente vestido, porque o início do Inverno não é para brincadeiras, começamos o nosso passeio por Berlim na Unter den Linden, a principal avenida da cidade. E, desde logo, há aqui vários monumentos que valem a pena ser observados de forma demorada. Como a Porta de Brandemburgo, construída num estilo neoclássico, que esteve muitos anos encoberta pelo Muro de Berlim, que dividia a Alemanha Oriental da Ocidental e passava ali mesmo ao lado. A avenida das tílias, como também é conhecida, começa aqui, imediatamente no final do gigante Tiergarten, refúgio bastante popular entre os habitantes locais, mas em alturas mais quentes do ano, aos fins-de-semana; mostra-nos ali mesmo o parlamento alemão, o Reichstag, mas também edifícios emblemáticos, como o famoso Hotel Adlon, originalmente construído em 1907 e destruído na 2.ª Guerra Mundial; o que hoje vemos é uma réplica, que tentou não falhar nada do original. Ao lado está igualmente o memorial dos judeus mortos na Europa, uma obra de arte abstracta gigante, com muitos detalhes sobre o Holocausto.

Vale a pena perder um dia nesta zona da cidade. É a mais turística e por um bom motivo. Há outros edifícios que merecem ser vistos, como a Ópera ou a Biblioteca, que compõem a Bebelplatz, ou uma série de outros palácios, que nos lembram séculos de história. Um outro ponto impossível de perder é a Catedral de Berlim, elemento fundamental da chamada "ilha dos Museus", compondo o belíssimo Lustgarten. Esta ilha, que na verdade não o é mesmo, apesar de ser envolvida pelo Rio e pelo Canal Spree, tem cinco grandes museus, cada qual com as suas peculiaridades, e para os quais até existe um passe conjunto. O nosso passeio pela zona mais central da cidade, Mitte, termina umas centenas de metros mais à frente, na mítica Alexanderplatz, depois de passar o museu da RDA e a gigante torre da televisão alemã, da qual temos uma vista privilegiada da cidade. Toda esta zona fez parte da Alemanha de Leste, tendo muitos edifícios sido alvo de remodelações profundas, para além de terem aparecido cafés, restaurantes, bares ou galerias de arte, que tornam este num centro muito vivo. Há também muitos hotéis por ali, de cadeias internacionais ou pequenas unidades quase familiares.

Além deste passeio quase obrigatório, porque é ali que está a maioria dos pontos turísticos da cidade, há uma série de mercados de Natal que merecem também uma visita, alguns deles nesta zona. Aquele que é considerado o mais importante é o de Gendarmenmarkt, pela sua localização muito central, atraindo todos os anos cerca de 600 mil pessoas. Curioso é que, apesar do frio, são aos milhares os turistas que visitam Berlim nesta altura do ano. E não fogem muito das restantes atracções turísticas da cidade. Desde logo, as que lembram a Alemanha dividida, como o Checkpoint Charlie ou os fragmentos do muro derrubado em 1989, que se encontram um pouco por toda a cidade.

Os distritos que estão à volta de Mitte, todos muito centrais, fazem parte do chamado Centro Leste. É aqui que fica, por exemplo, Kreuzberg, uma área boémia, muito procurada por jovens, sejam estudantes ou artistas. É uma zona em crescimento e evolução constantes, tal como Friedrickshain, apesar de frequentemente conotada com militantes de esquerda e elevadas taxas de desemprego. A arquitectura é muito heterogénea, com construção de diversas décadas, ainda por cima porque o muro passava mesmo ali no meio.

Há ainda dois outros distritos principais. A Oeste, onde cresceu a Berlim da Alemanha Federal, encontra-se uma ampla zona comercial, em especial na Tauentzienstrasse, com lojas de luxo, bons restaurantes e hotéis de qualidade. Nesta zona encontra-se igualmente o Palácio de Charlottenburg, o já referido Tiergarten ou o Estádio Olímpico. A Leste, a zona oposta da cidade, encontra-se muito da história de Berlim influenciada pela União Soviética, para quem se interesse pelo assunto; é ali que se está, por exemplo, o Museu da Stasi (a polícia secreta da RDA).

Mas Berlim, cidade com mais de quatro milhões e meio de habitantes, prolonga-se igualmente para Norte e para Sul. A Norte, encontramos Spandau e Reinickendorf, pequenas localidades recheadas de história; mas também Pankow, famosa por ser o local onde viviam os líderes da Alemanha de Leste. O Sul é bem diferente: Zehlendorf é muito verde e um dos bairros mais ricos de Berlim; já Neukölln é um dos bairros mais pobres; Köpenick é famosa por estar junto ao lago Müggelsee, além de ser um antigo bairro charmoso.

Como é fácil de perceber, não faltam motivos de interesse para conhecer esta cidade gigante. Berlim está em mudança constante, atraindo muitos jovens, graças aos preços convidativos da habitação. O melhor mesmo é arranjar um bom guia e um mapa completo da cidade, escolhendo os locais a visitar, dependendo do tempo disponível. Tratando-se de uma metrópole, é impossível conseguir ver tudo de uma só vez; e depois há sempre surpresas no caminho, como a estátua do Molecule Man, algum edifício histórico ou algo que lembre os inúmeros problemas vividos na cidade durante várias décadas do século passado. Como se Berlim não bastasse, também é bastante popular uma visita a Potsdam, cidade recheada de palácios que se encontra a apenas meia hora de viagem do centro da cidade e é absolutamente imperdível.


Como ir

Berlim tem dois aeroportos internacionais. O Aeroporto de Tegel serve maioritariamente as companhias de bandeira e, além do táxi ou Uber, tem autocarros para o centro da cidade, nomeadamente Alexanderplatz, Jardim Zoológico e estação central de comboios, num percurso de demora cerca de 45 minutos e custa 2.70 euros; este aeroporto não é servido por qualquer linha de comboio. O Aeroporto de Schönefeld destina-se principalmente a companhias de baixo custo, sendo servido por comboios para o centro da cidade (o bilhete custa 3.20 euros). Estas duas portas de entrada da cidade dispõem ainda de serviço de transfer de e para o centro, com preços que dependem do nível de comodidade oferecido. Há vários voos directos desde Portugal, embora nem sempre diários: de Lisboa há companhias como a TAP, a Easyjet e a Ryanair; do Porto a Ryanair; de Faro Air Berlin.


Os mercados de Natal

Há vários mercados de Natal em Berlim, uma cidade muito procurada nesta altura do ano, apesar do clima começar a ser algo desagradável, devido ao frio e, dentro de pouco tempo, também à neve. Os cinco principais são os seguintes:

Gendarmenmarkt - É o mais central e, por isso, o mais procurado; funciona de 21 de Novembro a 31 de Dezembro e recebe nada menos que 600 mil visitantes. Devido à sua enorme afluência, cobra uma entrada de um euro, que é simbólica. É especializado em produtos feitos à mão e considerado o mais importante de todos os mercados de Natal da cidade.

Roten Rathaus - Junto a Alexanderplatz, funciona um mercado igualmente muito procurado por berlinenses e visitantes. É especialmente popular junto das crianças, devido a um elevado número de divertimentos e pelo facto de dispor de uma pista de gelo. Funciona de 21 de Novembro a 29 de Dezembro (fecha na véspera de Natal).

Potsdamer Platz - Outro mercado, outra localização central. Este mercado tem a particularidade de se localizar entre prédios altos bem no centro da cidade; dizem os organizadores que recebe 2 milhões e meio de visitantes entre 4 de Novembro e 1 de Janeiro, com entrada gratuita.

Alexa - Muito próximo de Alexanderplatz, na zona de Alexa, encontramos um outro mercado de Natal. É o mais moderno da cidade e dispõe de vários divertimentos, como uma roda gigante e uma montanha russa. É pequeno, muito típico mas atrai muitas famílias, abrindo de 21 de Novembro
e 23 de Dezembro.

Gedächtniskirche - Este mercado localiza-se na zona Oeste da cidade; não é propriamente central mas é muito fácil de encontrar. Além do mercado de Natal, está numa zona de compras e de muita história. Fica muito próximo do Jardim Zoológico, está aberto de 21 de Novembro a 1 de Janeiro e existe há nada menos que 33 anos.






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