Weekend Bohol: Uma obra-prima da natureza

Bohol: Uma obra-prima da natureza

A ilha de Bohol, nas Filipinas, foi abençoada pela natureza. Um dos seus grandes atractivos, senão o maior, está nas "chocolate hills", as suas colinas de chocolate. Umas férias aqui são garantia de escapar ao turismo de massas.
Vanda Cipriano 22 de janeiro de 2017 às 10:00
Não é das ilhas mais conhecidas ou turísticas das Filipinas, mas é das que, indiscutivelmente, merece uma visita de vários dias. Bohol, que em Outubro de 2013 viu boa parte dos seus monumentos e igrejas serem destruídos por um tremor de terra de 7.2 na escala de Richter, é uma ilha localizada na província de Visayas Central e, além de praias paradisíacas, foi abençoada pela natureza. Umas férias aqui são garantia de escapar ao turismo de massas que invade a mundialmente conhecida, e também agradável, Boracay.

Comecemos pelas praias. As mais procuradas estão na região de Panglao, não querendo isso dizer que, tendo um espírito mais aventureiro e dias para descobrir a ilha, não possa deslocar-se para outras zonas e "estacionar" em praias virgens, igualmente de areia branca e água em tons de azul cristalino. O segredo aqui é ir ficando, embora as mais próximas da capital Tagbilaran sejam, naturalmente, as que mais turistas recebem.

A verdade é que praias paradisíacas não faltam nas Filipinas, como será normal num país constituído por mais de 7 mil ilhas. Portanto, não se desloque a Bohol apenas pelas praias - arriscaria até dizer que há melhores, mais exclusivas e especiais noutras ilhas. Bohol tem outros encantos. Ali é possível visitarmos o mais pequeno primata do mundo. Tem traços de macaco, mas não o é, chamam-se társios, por aqueles lados "tarsiers", e merecem uma visita prolongada [ver outro texto].

Um dos grandes atractivos de Bohol, senão o maior, são as "chocolate hills", que é como quem diz as colinas de chocolate. Nada têm que ver com esta iguaria, naturalmente, a não ser o aspecto de cor acastanhada responsável pelo nome, mas que pode ser enganador se as visitar numa época de chuvas, e na qual a vegetação é mais verde. Mas as colinas existem, são mais de 1.200, e provocam um fenómeno geológico único, difícil de explicar, mas que muitos apontam estar relacionado com a subida dos corais e que, juntamente, com a chuva, a erosão e o vento formam estas montanhas que ocupam uma área superior a 50 quilómetros quadrados.

Chegar às colinas não é difícil e pode fazê-lo através de transportes públicos desde Tagbilaran, de táxi ou numa excursão, que pode acontecer em grupo ou de forma privada.

Vale a pena? Definitivamente. Não é de tirar a respiração, mas ali podemos fazer autênticos postais fotográficos num cenário diferente e único no mundo inteiro.

Emoção na floresta

Algures no caminho, entre a visita aos társios e as colinas de chocolate, poderá parar na ponte suspensa de bambu, que liga as duas margens do rio Sipatan, em Sevilla, e que é relativamente fácil de encontrar. O desvio da rota principal é de dois quilómetros e qualquer habitante sabe onde fica e como chegar.

A ponte parece assustadora e os primeiros dos 40 metros podem causar um imenso desconforto, já que a estrutura - actualmente presa por cabos de aço, para aumentar a segurança - abana. E consegue abanar muito, dependendo do número de pessoas que está em cima dela. Mas é uma experiência que vai querer viver, sobretudo sendo um verdadeiro apaixonado pela natureza. Emoção não lhe vai faltar. Há, porém, alguns cuidados a ter: inicie a travessia apenas se tiver a certeza que consegue voltar, sob pena de ficar no lado errado do rio. E se estiver acompanhado por crianças tenha cuidado redobrado, especialmente se a zona tiver muitos turistas. Nestas alturas, a ponte mexe-se muito mais do que o habitual e os mais pequenos podem ficar assustados.

Bohol tem muito mais para lhe oferecer, mas aproveitando o facto de estar nas Filipinas, o país mais católico de todo o continente asiático - e está até no pódio mundial - não deixe de visitar a igreja Baclayon, uma das mais antigas da Ásia e a mais antiga do país feita em pedra de coral. Rodeada por uma paisagem única, bem juntinho ao mar, o edifício, também conhecido como igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição terá sido construída em 1727, segundo a Sociedade de Conservação de Património das Filipinas.

Se não tiver muito tempo e quiser dividi-lo por várias ilhas do país, não deixe de visitar Bohol, facilmente alcançável por barco desde Cebu [ver outro texto]. Ali chegado, tem sempre a hipótese de contratar um "tour" privado, que pode custar entre 50 e 70 euros o dia inteiro, com todas estas visitas no roteiro. Pelo meio ainda visitará uma tribo étnica, que vive no meio da floresta. Este é claramente um ponto turístico, onde terá de ter alguma paciência para evitar as fotografias ao lado de pessoas que não conhece, mas este facto, por si só, não é motivo para evitar a visita. O sorriso dos meninos da tribo pode encher-lhe o coração.


Como chegar

Tagbilaran pode ser alcançável de barco, desde Cebu, a cidade mais antiga do país e que dá nome à ilha. Dali pode apanhar um barco para Bohol, que custará 15 euros (ida e volta). O primeiro barco a fazer a travessia de Cebu para Tagbilaran tem saída prevista para as 6 horas da madrugada e o último do regresso é às 18h30. Tenha em atenção que não está na Europa e, sobretudo se viajar por sua conta, previna-se contra atrasos e talvez não seja má ideia passar uma noite em Bohol.

Quando ir

Ao contrário de outras regiões das Filipinas, a de Visayas Central costuma ser bastante afectada por tufões. Evite, por isso, os meses de Junho a Setembro, pelo menos se quer fugir de emoções deste género. A época das chuvas acontece até Novembro, mas é mais marcada na região de Manila.
Sem garantia total de bom tempo, a melhor altura para visitar as Filipinas é entre Dezembro e Abril, quando as condições atmosféricas são verdadeiramente agradáveis, o que por estes lados significa claramente que os termómetros vão estar acima dos 30 graus, quase a mesma sensação que vai sentir ao entrar na água do mar.

Pequenos e envergonhados primatas 

São apresentados como o primata mais pequeno do mundo e cabem na palma de uma mão. Os társios podem parecer assustadores à primeira vista, mas, na verdade, agradecem que não nos aproximemos deles e são envergonhados, evitando
o mais possível o contacto com os humanos. Têm uma boa visão nocturna e uns olhos enormes, comparativamente ao resto do corpo.
Os társios são uma espécie endémica na ilha de Bohol, e em locais muito restritos da Malásia e da Indonésia. É aqui, nesta zona das Filipinas, que existe um projecto de conservação, numa espécie de santuário. É em mais de um hectare de floresta que os társios vivem e se reproduzem e é ali que é possível saber um pouco mais sobre a espécie. Aprenderá a lidar de perto com os társios, ficando a saber como se comportar quando tiver a sorte de se cruzar com um dos que estão a pular de árvore em árvore. Não faça barulho, fale baixo e não se aproxime demasiado. Se respeitar estas regras, terá oportunidade de tirar fotografias, talvez únicas, com uma espécie rara.
Há mais do que um local em Bohol para visitar os társios, mas se quer vê-los em habitat natural, o melhor será dirigir-se à cidade de Corella, onde existe o santuário. No entanto, outras opções, como Loboc, também são válidas. Lembre-se, no entanto, que está no meio da floresta e que, a qualquer momento, por muito calor que esteja, podem cair aguaceiros. Um impermeável leve é aconselhável. 




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