Weekend Canhotos lançam Contador Tigre

Canhotos lançam Contador Tigre

Uma notável peça de arte indo-portuguesa feita em madeira está agora terminada e pronta a ir para o mercado. A família Canhoto voltou a criar com uma qualidade que hoje raramente se encontra no mundo.
Canhotos lançam Contador Tigre
José Vegar 16 de junho de 2018 às 14:00

A família Canhoto está de volta com uma das mais belas peças saídas da sua oficina nos últimos anos. Verdadeiros artesãos da elite mundial no capítulo do mobiliário de época, como tem sido repetidamente assinalado nesta página, com vénia e respeito, os Canhoto têm a sua grande inspiração no mobiliário indo-português dos séculos XVI a XVIII, quando a nossa arte em madeira dava cartas e arrancava suspiros de desejo e posse um pouco por todo o mundo.

 

Foi a este veio inesgotável de criação que os Canhoto foram novamente buscar referências, acabando por se dedicar a um dos móveis mais prestigiados, o contador. A tipologia da peça referida é considerada de topo por várias razões. Ao nível da arte em madeira, é apontada como uma das que permite maior criatividade e domínio técnico, revelando sempre o valor do artesão. Ao nível estético, é igualmente classificada como cimeira, porque "lhe cai bem" a anexação de outros materiais, na maior parte das vezes valiosos e raros, como o marfim ou as pedras preciosas.

 

Finalmente, ao contador reserva-se uma função nobre de armazenagem e esconderijo, para documentos, jóias, ou outros, porque é sempre criado com segredo, isto é, com compartimentos ocultos e com um mecanismo de abertura só conhecido pelo artesão e pelo proprietário.

 

O contador agora criado pelos Canhoto, numa edição assinada e limitada a 10 peças, recebeu o nome de Tigre, porque é inspirado nos móveis indo-portugueses concebidos em Goa, a partir do século XVI. Com três segredos e ainda uma gaveta secreta, o Tigre reproduz várias figuras da mitologia hindu em toda a sua superfície, bem como o animal que lhe dá o nome, e que era o mais nobre da região na altura. Foi criado com madeiras de origem de teca e pau-santo, mas também com casquinha e marfim, além de veludo nos interiores.

 

A primeira aparição pública do Contador Tigre será na Feira Internacional do Artesanato de Lisboa, que se realiza em Junho, mas uma visita ao Atelier Canhoto, perto de Mafra, é aconselhável, porque as peças tendem a desaparecer rapidamente. Tal deve-se ao facto de os artesãos Canhoto serem hoje dos poucos no mundo a dominarem esta arte, o que os faz estarem sempre na antena dos amantes deste tema, mas também daqueles que consideram as peças como investimento a prazo.

Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa. 




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