Weekend Guardião da tradição

Guardião da tradição

Quando se escuta o CEO da Panerai falar do mar e da forma como recuperou um dos belos veleiros presentes nesta regata, o “Eilean”, percebe-se a relação perfeita entre o mar e o tempo
Guardião da tradição
Fernando Sobral 23 de setembro de 2017 às 09:00

Sem horizontes, sem amarras, sem limites: não há cenário mais misterioso do que o mar. Desde sempre, ao longo dos séculos, o mar tornou-se o espaço desconhecido perfeito, aquele que não se pode domar nem conquistar. Os mares não têm fronteiras. O horizonte parece estar sempre mais além, pronto a ser conquistado com tempo e com o vento a favor. É essa a grande aventura dos veleiros e dos homens que os manobram.

Só que manejar um veleiro, podendo ser uma aventura, é também um exercício calculado e planeado. Um barco é como uma empresa, em que se lida com tempestades e com a calma. E raramente navega em linha recta. Quando se chega ao porto de Mahon, em Menorca, e se olha para a magnificência dos veleiros da Panerai Classic Yachts Challenge, a respiração pára por momentos. São barcos imponentes que ali estão, daqueles que os seus longos mastros e grandes velas cruzam os mares, à boleia do vento.

Compreende-se o fascínio da Panerai, a marca de relógios conhecida pela sua paixão pelo mar e pelos seus segredos, pelo circuito internacional de veleiros. E quando se escuta o CEO da Panerai há duas décadas, Angelo Bonati, falar do mar e da forma como descobriu e recuperou um dos belos veleiros presentes nesta regata, o Eilean, percebe-se esta relação perfeita entre o mar e o tempo, entre a tradição e a modernidade. Inspirada pelas primeiras regatas Classic Yachts Challenge, a Panerai tornou-se parte desta aventura. E este ano Angelo Bonati aqui está novamente, dividido entre a paixão pelos relógios da Panerai e pelo mar.

Cada peça tem um segredo

Tudo recomeçou em 1997, quando Angelo Bonati chegou à liderança da marca: "Nessa altura, tínhamos uma estratégia para os anos seguintes e sabíamos onde colocar a marca para termos sucesso. Foi muito gratificante toda essa experiência. Nunca tinha experimentado algo assim. E agora, olhando para trás, estou muito contente com o que alcançámos." E como foi possível o sucesso? A voz de Angelo Bonati é sempre calma: "O sucesso constrói-se com inteligência, entusiasmo, paixão, com análise e a concretização dos objectivos.

Tudo feito de forma calma. Mas, sobretudo, o sucesso depende de pessoas excepcionais. Foi isso que conseguimos na Panerai." E aí voltamos ao mar: a sua paixão por navegar já existia? "Sim, é uma paixão muito antiga. Mas também sempre gostei de relógios. São as minhas grandes paixões. Lembro-me de que quando deixei a Cartier para abraçar outro projecto, senti muito a falta dos relógios. Mas acabou por surgir a Panerai."

E, na marca, voltou a reencontrar a ligação ao mar. Na I Guerra Mundial, os instrumentos de precisão da Panerai fizeram parte do arsenal militar italiano, e nas décadas seguintes essa ligação reforçou-se. Giuseppe Panerai criou os famosos relógios Radiomir e Luminor que, após 1938, começaram a equipar os diferentes sectores da marinha de guerra italiana. O Luminor (onde a substância luminescente é feita a partir do trítio) acaba por substituir os Radiomir a partir de 1949. Eles são os símbolos maiores da marca.

Como diz Angelo Bonati: "Não orientei a marca para o mar porque gostava dele. Apenas percebi melhor as potencialidades que temos na Panerai. Deu-me essa vantagem. Mas, apesar do mar, continuamos sempre a recordar a nossa origem, Florença. É o ADN da marca. Hoje, muitas marcas falam de Florença, mas para isso precisamos de legitimidade. Nós temos isso. Começámos lá". Pergunto-lhe: não se consegue agarrar a água na mão, mas nela consegue agarrar-se um relógio da Panerai.

Qual é o segredo? "O segredo é que posso ficar com o relógio. E não com a água do mar." Isso tem que ver com as referências: "Temos duas caixas-base e desenvolvemo-las, mas sempre mantendo a base. São as nossas características. O Radiomir e o Luminor são referências. Digo sempre que prefiro ter um negócio pequeno, mas com longa vida do que ter um durante pouco tempo para ganhar muito dinheiro só nesse período. Estou orgulhoso com a tecnologia que usamos e com a autenticidade que temos."

Talvez seja por isso que Angelo Bonati recusa escolher um relógio que ame mais: "Gosto de todos. Que pai recusa um filho face aos outros? É certo que o Luminor Marina continua ser o relógio mais conhecido da Panerai. Não é um favorito, mas é uma imagem muito forte." Então, qual é o maior segredo da Panerai? "Não é um segredo. Cada peça tem um segredo, mas o maior é a paixão que cada pessoa na marca tem pelo trabalho que faz. E é ainda um grande projecto a desenvolver."




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