Weekend Hoi An: A cidade onde o mundo parece ter parado

Hoi An: A cidade onde o mundo parece ter parado

Em Hoi An, cidade histórica do Vietname, encontramos a simplicidade. Nesta pequena localidade, há casas de inspiração japonesa e uma ponte coberta que é também o seu símbolo. Se a isto juntarmos a simpatia das gentes, Hoi An é o local ideal para umas férias.
Miguel Pedro Vieira 15 de janeiro de 2017 às 11:00
Quem estiver de férias no Vietname vai encontrar de tudo um pouco; basta ler a experiência de outros viajantes ou consultar um qualquer guia de viagem. A tranquilidade e o frio das montanhas de Sapa, a incrível confusão das ruas de Hanói, todo o esplendor e riqueza de Halong Bay, a cidade imperial de Hue, as praias paradisíacas e a animação nocturna de Nha Trang, a arrumação e a longa história de Ho Chi Minh, o descanso total da ilha de Phu Quoc. Tudo isto no mesmo país, que é estreito, mas dispõe de uma invejável costa com quase três mil quilómetros, junto ao mar da China Meridional, fazendo fronteira com a China a Norte, o Laos e o Cambodja a Oeste.

Em Hoi An, cidade histórica localizada no centro do país, junto à costa, e a pouco mais de 800 quilómetros de Hanói (a Norte) e de Ho Chi Minh (a Sul) pode encontrar-se a simplicidade. O principal atractivo desta pequena localidade são as casas de inspiração japonesa e uma ponte coberta que é também o seu símbolo, construída em 1596, mas alvo de uma outra reconstrução mais recente (1986). Se juntarmos a isto a arquitectura local, templos chineses e tudo o que os turistas desejam ter na zona mais central, como hotéis, restaurantes e bares, então este é o local ideal para passar alguns dias de férias.

Hoi An é continuamente habitada há cerca de 2.200 anos, mas desde o século XIX os barcos de carga deixaram de poder subir todo o rio Thu Bon para atracar nos seus pequenos portos. Se assim fosse, a cidade estaria hoje bem diferente e não seria talvez um destino tão convidativo. Ali, parece que o tempo parou. É possível caminhar simplesmente pelas suas ruas, conversar com os comerciantes e habitantes locais, contemplar o rio ou fazer um passeio de barco.

Uma boa parte da cidade pode ser percorrida a pé, seja para explorar o mercado, onde se encontram frutas, legumes e peixes, seja para observar todas as lojas com artigos locais, muitas delas vocacionadas para o turismo, como os de pronto-a-vestir, que até fazem roupas por medida para entregar em dois ou três dias, por preços incríveis.

Algumas das suas habitações históricas são hoje uma espécie de museus. Há um bilhete único para visitar toda a cidade, que custa apenas 5 euros e que permite visitar algumas das habitações. Apesar de apenas pouco mais de umas dezenas estarem abertas ao público, há mais de 800 casas cuidadosamente conservadas por toda a cidade, e que mereceram ao centro histórico de Hoi An a classificação de Património Mundial pela UNESCO. A ponte coberta japonesa, sendo simples, é muito invulgar, uma vez que não se conhece qualquer outra no país; é por isso especial, para os locais e para muitos visitantes. É muito difícil ter um minuto de ponte só para nós, para aquela fotografia mais especial com os nossos companheiros de viagem. Parece que toda a cidade vive à sua volta.

Se o centro da cidade é muito fácil de percorrer a pé, ainda por cima com tantos pontos de interesse para um local tão pequeno, é também possível ir um pouco mais longe. Há alguns hotéis que emprestam bicicletas sem qualquer custo, mas há igualmente lojas por toda a cidade que as alugam, por preços que podem rondar os 90 cêntimos de euro por dia; as motos podem ser alugadas também ao dia, variando entre os 5 e os 10 euros.


Explorar tudo de bicicleta

Um meio de transporte permite-nos uma outra liberdade, como explorar os campos de arroz das redondezas, observando os seus agricultores naquela pose tantas vezes repetida em fotografias, com os seus chapéus característicos em forma de cone. Uma moto ou bicicleta serve-nos também para chegar às praias da região; embora não seja um destino de praia, há dois locais que são imperdíveis para quem quiser variar um pouco e não sair da região. Apenas a cinco quilómetros de Hoi An existe a praia de Cua Dai, atravessando-se arrozais para lá chegar; no entanto, o rápido desenvolvimento do local, com a construção de casas e hotéis, torna-a menos apetecível. É preferível percorrer mais três quilómetros para chegar à praia de An Bang, essa sim com uma grande extensão de areia e muito pouca gente a apanhar sol.

Perto de Hoi An há mais dois locais a não perder. A pequena localidade de Tranh Ha, que fica apenas a três quilómetros da cidade e é a capital vietnamita das peças de cerâmica, merecendo uma visita, mesmo que pouco demorada. A ilha de Cam Kim é a sede dos mestres da madeira, tendo sido dali que surgiram os detalhes que existem nas casas históricas de Hoi An; é preciso apanhar um barco para lá chegar, que custa menos de um euro, demorando 30 minutos. Para ambos, a bicicleta pode ser muito útil, já que mais rapidamente se podem encontrar os locais mais turísticos, além de que pode ser transportada no barco para Cam Kim.

Uma cidade tão interessante não fica por aqui em termos de oferta. Em frente a Hoi An, mar adentro, podem encontrar-se as ilhas graníticas de Cham, uma reserva marinha e uma óptima oportunidade para um dia de excursão; mesmo sendo muito bonitas, estão já povoadas e por vezes recebem barcos carregados de turistas, o que pode torná-las um pouco menos atractivas.

Uma semana será o tempo perfeito para uma visita completa a Hoi An, apesar de o Vietname ter muito mais para oferecer; há quem ali passe apenas três dias, somente para apreciar o essencial de uma cidade tão rica; mas já se leram histórias de meses de férias naquela região, sem dúvida uma das mais encantadoras do país. Se juntarmos a isto a simpatia das suas gentes e os preços muito convidativos, está então encontrado o local ideal para relaxar.


Como ir

Ninguém visita Hoi An a não ser como parte de uma viagem pelo Vietname. Qualquer uma das grandes companhias europeias voa para as duas principais cidades do país, Hanói e Ho Chi Minh. De qualquer uma delas há avião até Danang, que demora cerca de 75 minutos e custa cerca de 30 euros. Para chegar a Danang são 29 quilómetros (à volta de 30 minutos) e tem de pedir ao seu hotel para o ir buscar num carro privado (cerca de 20 euros), apanhar um táxi (18 euros) ou um autocarro (menos de um euro). Se estiver a fazer a clássica ligação entre as duas grandes cidades e utilizar o comboio, então o melhor mesmo é sair em Danang (os preços são variáveis) e usar as ligações atrás descritas.

Moeda

Cada euro vale 27 mil dong, a moeda do Vietname. É fácil levantar dinheiro em caixas multibanco ou então trocar, seja euros ou dólares norte-americanos; neste caso, o melhor mesmo são os bancos, que oferecem uma taxa de câmbio, já que na rua as flutuações de preço são muito menores e os valores são arredondados.

Visto

Para entrar no Vietname é exigido o pagamento de um visto que ronda os 40 euros. É pago à entrada do país, nos aeroportos ou nas fronteiras terrestres e deve ser pago em dinheiro (45 dólares ou um milhão de dong). É ainda exigida uma carta de aprovação (custa 17 dólares), que pode ser tratada online e na qual devem constar os dados pessoais dos passageiros.

Línguas

O vietnamita é a língua oficial do país, mas muito facilmente se encontra quem fale inglês ou francês, embora muito básico. Toda a gente diz algumas palavras, seja nos restaurantes, transportes ou hotéis.

Onde ficar

Há uma diversidade enorme de pequenos hotéis por toda a cidade de Hoi An, ou mesmo junto às suas entradas. O preço para um quarto duplo com casa de banho varia entre os 30 e os 60 euros. Mas há opções bem mais caras (um resort com spa pode atingir os 200 euros por noite), ou não passar dos 10 euros, por uma cama num dormitório de hostel com casa de banho partilhada.

Onde comer

Encontra-se sempre quem ofereça comida italiana (massas ou pizzas), mas o que mais abunda são os pequenos restaurantes locais, com pratos deliciosos e preços muito convidativos (podem custar 2 a 3 euros). Os sumos de fruta são muito populares, tal como a cerveja, que é a bebida nacional e não custa mais de 50 cêntimos de euro.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub
pub