Weekend Ilhas Perhentian: Vale a pena parar o relógio

Ilhas Perhentian: Vale a pena parar o relógio

Quem atravessa a Malásia para ali chegar, quase na fronteira com o sul da Tailândia, procura momentos de serenidade. O paraíso em forma de duas ilhas, tão diferentes e tão acolhedoras.
Ilhas Perhentian: Vale a pena parar o relógio
Vanda Cipriano 30 de Outubro de 2016 às 10:00
A Malásia tem muito mais do que apenas praias para oferecer ao viajante. Da cosmopolita Kuala Lumpur, ou da muito portuguesa Malaca falaremos mais tarde, embora qualquer uma destas cidades mereça uma visita. E sem pressas. Mas nada melhor para combater o tempo cinzento da Europa do que uma estada, longa de preferência, em duas ilhas no Nordeste do país. São as Perhentian, que em malaio significa qualquer coisa como "para parar". Parar, viver, relaxar e aproveitar, dizemos nós. Desligar do "stress" quotidiano.

Quase na fronteira com a Tailândia, e banhada pelo seu Golfo, as Perhentian são ilhas separadas por uma curta travessia de 20 minutos de barco, mas com atmosferas muito diferentes. Quem atravessa a Malásia para chegar a estas ilhas terá como objectivo levar ao limite a máxima do "dolce fare niente". Só que aqui num cenário idílico. Por ali, os dias passam devagar entre mergulhos nas cristalinas águas azul-turquesa e horas de descanso inigualáveis. Pelo menos para quem fica na Pulau Besar, ou seja, na ilha grande, onde o ambiente é mais propício ao descanso, mais familiar e com os "resorts", regra geral, a terem melhores condições. Se é festas que procura, este não é, definitivamente, o sítio. Aqui, o máximo que consegue é um jantar, preferencialmente de peixe e marisco, à beira-mar. Além do luar, terá apenas a luz das velas a acompanhar o som do mar a bater-lhe nos pés.


Se perder a noção do tempo, não querer olhar para o relógio e fazer pouco mais do que rápidos passeios a pé ou de lancha não fazem parte do seu plano de visita às Perhentian, opte por ficar na Pulau Kecil, ilha mais pequena mas mais concorrida do que a vizinha, mais festiva, e com mais oferta de restauração. Os hotéis sucedem-se e há para vários preços. Dos (muito) baratos aos de preço médio, mas note que na Kecil não será fácil encontrar "resorts" de nível superior, tendo em conta os "standards" europeus. Aqui, os finais de tarde são animados, com os turistas a sentarem-se na praia, enquanto desfrutam de um bom "reggae" e conversam com amigos, muitos deles feitos ali mesmo.

Tenha em atenção que as Perhentian são ainda um território pouco explorado e, por isso, boa parte das duas ilhas é terra intocada, que é como quem diz tem uma floresta tropical densa e onde vivem esquilos, várias espécies de macacos, e até cobras, claro (!). Mas não se preocupe, pelo menos em demasia, porque, regra geral, não se aproximam de zonas com densidade populacional. Os lagartos-monitor, que atingem os 3 metros de comprimento e são conhecidos por serem das subespécies mais inteligente do mundo, têm ali um "habitat" natural. Alguns, os que estão visíveis, são "adoptados" pelos "resorts" e convivem diariamente com os visitantes, pelo que não constituem grande perigo para os humanos, mesmo que se mantenha alerta por se tratarem de animais selvagens.

Povo afável

Se ficar vários dias pelas Perhentian, pode dividir-se entre as duas atmosferas ou apenas viajar até à ilha em frente, seja ela qual for. A travessia é acessível e acertada com qualquer um dos habitantes que estão pela praia, durante o dia. Nunca se esqueça que os imprevistos acontecem, sobretudo num clima tropical e, por isso, não permita que uma chuva, mesmo que forte, arruine um dia que seja das suas férias. Os habitantes das Perhentian tratam os turistas de forma diferenciada e têm em atenção, regra geral, os costumes muito diferentes por estas zonas do globo. Falemos na primeira pessoa para lhe contar um acontecimento que marca a nossa visita à Kecil.

Chegámos à "Long beach" muito a tempo de aproveitar a praia e o ambiente diferente do sossego que vivíamos diariamente do outro lado. Fomos surpreendidos, então, por uma tempestade que levantou dúvidas em relação à viabilidade de regressarmos à outra ilha num pequeno barco de pescadores. A nós e ao Alim, que nos havia transportado até lá. 22 horas - altura combinada para voltar à Besar. Sentados à beira-mar e a olhar para o céu, a pedir que não enviasse nenhuma descarga na próxima hora, vimos o Alim a aproximar-se no barco. "O mar está agitado e mais perigoso", disse, esperando a inevitável reacção de receio da nossa parte. Mas ele tinha um plano e fomos divididos em dois grupos, para que a travessia se fizesse em dois tempos.


Consciente do desconforto da situação, o Alim explicou, então, que havia trazido a mulher para que a viagem das mulheres se fizesse sem qualquer desconfiança, numa noite escura e de tempestade. Ele voltaria depois para apanhar os quatro homens, já sozinho. Uma surpresa que nos tranquilizou a todos.

Note que a Malásia tem 30 milhões de habitantes, dos quais 60% são muçulmanos. É um país mais conservador no que às convicções religiosas diz respeito, mas não tem propriamente um "dress code". São raras as mulheres que abdicam do uso do "hijab", acessório que está a transformar-se num ícone de moda.

O facto de ser um país muçulmano não será, certamente, um problema para quem visita as Perhentian, embora as bebidas alcoólicas sejam escassas e, por isso, mais caras, sobretudo na Besar. Ainda assim, e regra geral, mesmo os "resorts" que não vendem álcool - quase todos - não se opõem a que compre as suas bebidas noutro sítio e as consuma por lá, inclusivamente em refeições servidas nas suas instalações. No fundo, é a forma de respeitar as ideologias de cada um, sendo importante que esse seja um sentimento mútuo. Mesmo que isto signifique estar a nadar no mar ao lado de uma mulher vestida e de cabeça coberta. Seja discreto.

Nadar com tubarões

Um dos muito atractivos da travessia de barco entre as duas ilhas passa pela possibilidade de ver tartarugas gigantes a espreitarem para fora de água e mergulharem de novo até às profundezas. São muitas e estão concentradas numa zona devidamente assinalada: qualquer local o pode levar em passeio para as observar.

A fauna e flora marinha nas Perhentian convence os mais cépticos, mesmo em zonas mais exploradas pelo turismo, o que, para o caso, é sempre relativo. Não se admire se estiver à beira-mar e um cardume resolver nadar à sua volta. Acontece frequentemente. Mas, acima de tudo, arrisque e faça uma saída de "snorkeling" para poder dizer que nadou ao lado de… tubarões. São inofensivos, supostamente bebés (alguns desmentem a teoria com o seu tamanho) e estão habituadíssimos à presença humana. Mesmo que entre a medo, lembre-se que não são todos que nadam no "shark point" e podem comprová-lo com fotos. Não se esqueça, óbvio, da máquina fotográfica subaquática.


Praticar "snorkeling" ou até fazer um curso de mergulho são actividades recorrentes em muitos dos viajantes que chegam às Perhentian. Se tem esse objectivo, aproveite, porque em terras europeias não terá oportunidade de fazer um curso completo "Open water" por 300 euros.

Como ir O aeroporto mais próximo é o de Kota Bharu, cidade de onde terá de apanhar um táxi para Kuala Besut, de onde poderá apanhar o barco para as Perhentian, o que não deverá custar mais do que 20 euros. Uma hipótese alternativa é atravessar a Malásia no comboio nocturno, que sai de KL Sentral pelas 20 horas e chega a Tanah Merah às primeiras horas de sol. Terá sempre de negociar o táxi e pode fazê-lo desde Portugal. A "Anjung holidays", sediada em Kuala Besut, é uma boa hipótese para organizar a sua viagem.
Uma taxa de conservação de 1,10 é pedida a todos os que entram nas ilhas - as crianças até aos 12 anos pagam metade.

Quando viajar:
De finais de Outubro ao início de Março, são as monções e muitos "resorts" das ilhas estão encerrados. Não sendo muito conhecidas internacionalmente, as Perhentian são um destino de eleição para os malaios e habitantes de Singapura. Por isso, em férias escolares, marque tudo com antecedência.

Moeda:
Ringgit. 1€: 4,50 RM
(Consulte sempre o câmbio actual)

Visto:
os cidadãos portugueses estão dispensados de visto para estadas inferiores a 30 dias. Ter passaporte válido por seis meses após a data prevista de saída da Malásia é condição obrigatória para entrar.

Línguas:
O inglês é fluente na Malásia, mesmo em sítios mais remotos. A língua oficial é o malaio. 






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