Opinião Isto vai de mal a pior e a orquestra continua a tocar

Isto vai de mal a pior e a orquestra continua a tocar

O Conselho de Finanças Públicas diz que não devemos voltar aos "mercados" em 2013. À frente desta instituição está uma considerada economista, a prof.ª Teodora Cardoso, que, sem alvoroço mas com firmeza, nos adverte da gravidade da situação.
Baptista Bastos 25 de Maio de 2012 às 12:35
O Conselho de Finanças Públicas diz que não devemos voltar aos "mercados" em 2013. À frente desta instituição está uma considerada economista, a prof.ª Teodora Cardoso, que, sem alvoroço mas com firmeza, nos adverte da gravidade da situação. O Governo diz que não: está tudo no "bom caminho" e não há razões para nos inquietarmos. Não que não há. A OCDE, por seu turno, informa que Portugal tem de pedir mais dinheiro emprestado. O Governo tenta apaziguar os ânimos e tranquilizar-nos com um discurso tonto, que contraria tudo aquilo proveniente de estudos e de pessoas qualificadas.

Não há clareza no que diz o Executivo. Tudo o que diz o Executivo é nebuloso, contraditório, um processo de negação das evidências, que começa a assustar mais do que os sustos diários embutidos por esta gente. Vai-se sabendo, perante os factos e as circunstâncias, que a perturbação política e a barafunda mental dos governantes atinge aspectos medonhos.

O patronato também não sabe o que fazer, depois de ter feito o que fez, com aquela miserável concertação social, na qual João Proença (já arrependido, ao que se deduz pelos seus ziguezagues) expôs um pouco o papel de sendeiro, depois de posar de leão. A incompetência generalizada dos membros do Executivo sobressalta. Veio, agora, o dr. Ferraz da Costa, presidente do Fórum para a Competitividade, declarar que o ministro da Economia, o romancista Álvaro Santos Pereira, autor desse admirável "Diário de um Deus Criacionista" (dizem que também é professor, valha-nos a Providência Divina!) não percebe nada do que diz e muito menos do que pratica. Está desfasado da realidade portuguesa, acrescenta, grave, o dr. Ferraz.

Pouco a pouco, fomo-nos apercebendo de que este Governo do dr. Passos Coelho é um almofariz de ineptos, e as críticas mais aceradas provêm de gente como a dr.ª Manuela Ferreira Leite, que não perde uma vezada sem ferrar uma picadela nos governantes, por sinal do seu partido. Sabe-se que a dr.ª Manuela detesta o dr. Passos e, acaso, estas ferroadas comportem algum ressentimento; mas que fazem doer, lá isso…

Também o Pacheco Pereira (que Eduardo Prado Coelho desprezava, e a quem designava por "o pobre Pacheco") aplica cada sarrafada nos lombos de Passos e sua gente, que dá que pensar. É claro que o Pacheco também sofre de mal do ressentido, e o seu despeito chega a ser ridículo - mas as coisas e os actos são o que são. Nada a fazer.

A frase oficial "estamos no bom caminho" não é só um ludíbrio como insultuosa. Estamos no bom caminho de quê? Do precipício, como tudo indica? Ninguém, do Governo, nos explica, nos esclarece, nos ilumina. A tese do "empobrecimento" tornou-se num parágrafo (sinistro parágrafo) do breviário neoliberal, de que Passos Coelho e os seus são cegos defensores. Anteontem, a Direcção-Geral do Orçamento informou que o défice do Estado, nos primeiros quatro meses deste ano, apresentou um saldo negativo de três mil milhões de euros, um aumento substancial, que se avoluma mensalmente, sem que seja travado. O Governo demonstra uma desorientação apavorante.

Quando é que isto termina?

Apostila - Acabo de ler, detidamente, o belíssimo livro de narrativas "O Tempo Envelhece Depressa", o último editado pela Dom Quixote depois da morte de Antonio Tabucchi. É um texto vário e extremamente fascinante, uma reflexão sobre o acto de viver e as responsabilidades daí decorrentes. Não conheço, na literatura europeia actual, um autor que consiga criar uma atmosfera tão densa e, até, misteriosa, como Tabucchi. Tenho seguido a sua obra desde "A Mulher de Porto Pim", e considero "O Fio do Horizonte" (que permitiu um belíssimo filme de Fernando Lopes) e "Nocturno Indiano" do melhor que a literatura tem produzido. Tabucchi nunca abdicou da condição cívica e, dezenas de vezes, escreveu artigos severíssimos acerca da questão italiana, zurzindo, implacavelmente, Berlusconi e o que ele considerava ser "uma quadrilha de gente indigna." Um extraordinário escritor e um inesquecível europeu. Hei-de, um dia destes, contar as circunstâncias em que nos conhecemos e trocámos livros.


b.bastos@netcabo.pt




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o rei artur 27.05.2012


também queira ... mas o homem recusava a casa ? deram lhe o direito ... é como os outros dos DIREITOS ADQUIRIDOS ... E TUDO LEGAL.

Este até é de lisboa muitos vieram para lisboa arrendaram casinhaS e queriam ser donos ao fim de um tempo. O professor salazar até mandou fazer bairros da camara com renda resolúvel e prontos tinham a casinha fascista !!!!

Este tem a casinha comuna que é a mesma coisa mas de outra cor.

EPAH o homem não invadiu a casa !!!! DERAM LHA !!!! Aí e que está o busílis e o homem está velhote, tirar lhe tudo era matá lo.

Isto não termina mesmo.

userjmc 27.05.2012

.... paga por todos vós

jose sousa 27.05.2012

Este senhor so diz banalidades e vive a custa de todos nós.
Setrá que ainda paga uma renda mensal de 10 euros numa casa da camara municipal de lisboa.

Azur 27.05.2012


O fundo das Nações Unidas para a Infância condenou, este domingo, os bombardeamentos à cidade síria de Houla, no centro, onde foram mortos cerca de uma centena de civis, incluindo 32 crianças de menos de 10 anos.

"Este crime atroz contra crianças tão jovens que não têm qualquer intervenção nos combates evidencia mais uma vez a urgência de encontrar uma solução para o conflito na Síria", disse, em comunicado, Sarah Crowe, porta-voz do diretor-geral do fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake.

"Tal massacre não pode ficar impune", acrescentou.

Os observadores das Nações Unidas que estão na Síria para monitorizar o cessar-fogo - que deveria ter entrado em vigor a 12 de abril, mas tem sido largamente ignorado - contaram 94 cadáveres, incluindo 32 crianças com menos de 10 anos de idade, em Houla, após bombardeamentos de artilharia atribuídos às forças do presidente Bashar al-Assad.

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