Weekend O eterno romance relojoeiro

O eterno romance relojoeiro

Uma nova plataforma digital de negociação em relógios de topo vintage mostra a cobiça e o reconhecimento do mercado por esta tipologia de objecto, que continua a deter um poder de atracção único.
O eterno romance relojoeiro
José Vegar 19 de agosto de 2017 às 09:00
A encantadora história de amor entre a humanidade e os relógios mecânicos parece ser eterna. Na verdade, houve uma altura, não há muito tempo, em que parecia que o velho "tic-tac" estava condenado a andar para sempre no pulso da geração mais velha de cada família e a tornar-se um objecto irrelevante na cobiça das heranças. Falo na chegada do quartzo e em todas as mudanças culturais que parecia representar, do preço à atitude ecológica.

Na verdade, algumas décadas depois, o novo império não conseguiu dominar. Tem o seu lugar, sem dúvida, vende milhares de exemplares por ano, mas o máximo que conseguiu foi reforçar os mecânicos como objectos de elevada estética e ainda maior valor. Mais recentemente, uma nova frente abriu-se graças à tecnologia e aos microcomponentes relojoeiros inteligentes, que permitiram a criação de instrumentos, digitais, claro, adaptados à vida contemporânea, aos dedicados aos exercícios até aos preparados para a comunicação permanente. Os relógios mecânicos têm vindo, claramente, a obter um lugar no mercado, mas, mais uma vez, a presença é mais discreta do que aquilo que se pensava.

A manutenção dos mecânicos na liderança do mercado relojoeiro tem vindo a ser explicada pelos especialistas. Entre as razões apontadas, destacam, o facto de as casas criadoras nunca terem estagnado, criando todos os dias mecanismos e formas mais complexas e mais atraentes. Os especialistas referem também o emprego de materiais de topo, e, noutra latitude, o estatuto que o mecânico confere ao seu titular. Mas a razão fundamental é, talvez, mais imaterial, ou seja, estará no facto de uma peça mecânica ter uma propriedade estética e de manufactura que a torna única.

A relojoaria de luxo conseguiu ainda um outro feito notável, o de ter conseguido que as suas peças vintage sejam consideradas como investimento de valor. É neste segmento que se situa The Keystone, www.thekeystone.com, uma nova plataforma virtual de negócio que funciona no sistema de "boutique de luxo", como outras que surgiram recentemente.

O modelo da plataforma é muito simples, o que o torna extremamente eficaz. Assim, o lugar virtual trabalha exclusivamente com as marcas e os modelos de luxo vintage para damas e cavalheiros, adicionando novos exemplares todos os meses e procurando ter representações das peças mais valorizadas. Ao mesmo tempo, cada peça na plataforma vem acompanhada da sua história e há uma secção, dirigida a investidores e coleccionadores, com toda a informação considerada útil, mas também lúdica. É um modo de negociar que merece as boas-vindas, mostrando, ao mesmo tempo, que um relógio de topo é uma tipologia de objecto de luxo em que o mercado acredita.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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