Weekend O valor de Amadeo

O valor de Amadeo

Amadeo de Souza-Cardoso começa finalmente a atingir o valor de mercado que a sua obra merece, sendo agora a altura certa para um investimento sólido, ou a obtenção de mais-valias interessantes.
O valor de Amadeo
José Vegar 21 de janeiro de 2017 às 10:45
Amadeo de Souza-Cardoso é dos poucos pintores portugueses com cotação internacional, e com cotação internacional elevada, isto é, que consegue atingir um valor por obra entre as dezenas e centenas de milhares de euros, no mercado global da arte.

Apesar de todo o trabalho em sua defesa e promoção nas últimas décadas, um investimento realizado por algumas instituições e por alguns particulares, com o pelotão de reconhecimento a ser liderado pela Fundação Gulbenkian, o valor de mercado do pintor só começou a chegar perto do seu valor artístico com a exposição realizada no ano passado no parisiense Grand Palais, o que permitiu, infelizmente, aquela enorme arrogância francesa de se estar perante uma "enorme redescoberta", mas garantiu um aumento generalizado da cotação, e especialmente da procura.

A boa notícia para os potenciais investidores, que agora poderão estar a redescobrir o interesse de investir em Amadeo, é que uma parte importante, e também volumosa, da obra do pintor de Amarante e do mundo está na posse de particulares. Significa isto, se imperar o racional do mercado, que muitos coleccionadores acharão ser esta a altura certa para obterem mais-valias de um investimento feito há décadas, quando, quase subvalorizada, a obra de Amadeo era extremamente acessível no ângulo financeiro.

A oferta das obras deverá ser feita pelas leiloeiras, como tem sido feita até aqui em número reduzido, mas também por particular a particular, e por particular a instituição, onde o mercado está agitado por tanta emoção. Qualquer que seja o formato das futuras transacções, é mais do que justo, já que Amadeo de Souza-Cardoso é realmente um dos enormes enigmas da pintura.

O que está fundamentalmente em causa, quando se pensa Amadeo, é a extraordinária odisseia de um homem que, a partir de Amarante, se tornou, apenas e exclusivamente pela sua vontade e acção, cosmopolita, e, ao mesmo tempo, soube incorporar em si todas as influências culturais, intelectuais e estéticas do seu tempo e do seu mundo. Depois, com este lastro, e com a centelha de génio e a perícia técnica que possuía, deu origem a uma das mais fascinantes obras pictóricas ocidentais. É, sem dúvida, um enigma ainda por desvendar e um valor de mercado que espera a valorização certa. W

Pontos de conhecimento

Este apontamento sobre Amadeo é necessariamente motivado pela exposição patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, uma retrospectiva aberta até Fevereiro, e que é a introdução indicada para quem conhece mal a obra.
O investidor em arte prudente, aquele que investe em conhecimento, deve também frequentar detalhadamente "Amadeo de Souza-Cardoso, Pintura", uma obra autoritária editada pela Fundação Gulbenkian, bem como o seu acompanhante,
a "Fotobriografia". A obra ficcional "Amadeo", de Mário Cláudio, é outro ponto de conhecimento indispensável.


*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.


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